terça-feira, 31 de outubro de 2006

Os Cibernéticos da casa não fazem milagres

Há uma máxima que sentencia que “Santos da casa não fazem milagres”. Se assim é, é porque esperamos conflitos. Mesmo assim não podemos ver esta situação sobre uma óptica depreciativa, porque é muito natural que nós tenhamos mais conflitos com as pessoas com quem mais convivemos.
Esta máxima pode-se ainda alargar um pouco e aplicar aos Santos da beira da porta, aos da aldeia, aos da terra e por aí nos havemos de ficar. Claro que agora há Internet e, caminhando pelo ciberespaço nós chegamos ao mundo, mas este tem mais com que se preocupar do que connosco.
Vai daí, aquilo com que temos de nos preocupar mesmo é com a gestão dos conflitos caseiros, de vizinhança, de aldeia ou da terrinha. No fundo é das pessoas com que interagimos nestas áreas restritas que esperaríamos o milagre de não haver conflitos. Com as mais longínquas já só haverá conflitos virtuais.
Um bom milagre já é a ausência de conflitos reais. Mas estes surgem e se não houve solução para os não criar, há que contribuir para os não empolar ou para os ignorar.
Se muitos nascem sem pernas para andar outros depressa atingem o seu apogeu. Então só resta relativizar a sua importância ou encontrar a sua solução no contexto em que foi criado. É difícil, porque as pessoas não querem regressar aí.
O que complica ainda mais a situação é que muitos conflitos que se pensa terem sido agora criados, têm as raízes no passado, em outros conflitos não resolvidos e não necessariamente da mesma natureza. Muitos são resultado de revanches, vinganças que nunca encontrarão solução.
É lamentável que a Internet seja usada para criar ou avivar conflitos. Muitos já constataram que é o meio mais cómodo para aferroar uma pessoa ou lança-lhe umas farpas que a vão maçando. O que prova que os pensamentos mesquinhos são os primeiros a aproveitar as novas oportunidades.
Sendo um meio com pouca repercussão pública não deixa de provocar os seus efeitos nas mãos de pessoas assim. Um meio aberto à mais ampla consulta seria idealmente bom que lá revelássemos o que temos de bom, as soluções que congeminamos para o que temos de mau e não andássemos a inventar intenções, quando não factos que não correspondem à realidade.
Ninguém vai andar a navegar à procura de conflitos de pouca dimensão, mesmo de quem se possa julgar o centro do mundo. Mas os mais conhecidos é natural que dêem alguma importância e isto lhes sirva para satisfazer algum capricho. Mas também podemos levar este mundo a sério.
Assim não nos podemos admirar por aquilo que se passa neste mundo ainda um pouco lateral, como que escondido às vistas de quem ainda é o nosso homem-padrão, que é sempre para ele, tendo-o em mente, que nós escrevemos.
Ora esse homem, seja o que temos, seja o padrão de sociedades mais evoluídas, nunca será um assimilador activo de novas ideias, pela adesão vinculativa da sua inteligência, da sua emotividade e quiçá da sua afectividade.
O homem “normal” antes procurará sempre alguém que, por ser portador de determinado sistema de ideias e princípios o possa vir a representar a cada um dos vários níveis em que é solicitada a sua intervenção.
Os nossos políticos com blog não ignoram que são virtuais representantes de alguém, pelo que são políticos na acessão mais ampla da palavra. Pretendentes a integrantes dum sistema de representação são evidentemente.
Como muitos já o foram, são geralmente considerados assim e não restarão dúvidas que agem como candidatos a tal. O que atrapalha um pouco estes candidatos é que os que têm passado não se querem responsabilizar por ele e os que o não têm brincam com o presente.
Mas com o presente só brincarão se nós deixarmos. Mentiras e conclusões erróneas e abusivas não serão por mim aceites quando se faça uma referência implícita ou explícita em relação àquilo que eu escrevo nestas páginas ou noutras.
Escuso-me a voltar a apreciar um prato requentado, trazido dum blog do Sr. Nuno Matos para este Jornal. Como a “polémica” na blogosfera já vai num outro patamar, de certo mais elevado, recuso-me a repô-lo a um nível que eu abomino.
Pelo que escrevi acima acho que já será explícito que não morro de amores pela blogosfera, que não me escuso a qualquer polémica em qualquer ambiente desde que não haja argumentos cruzados provindos de ambientes diferentes e sinceramente aprecio mais a comunicação escrita e impressa.
Ah! E utilizem os meus comentários para me atacarem a mim, para porem em causa possíveis incongruências e inverdades, mas não para atacarem quem neles não é citado.