<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533</id><updated>2011-10-04T23:42:26.165Z</updated><category term='A Voz de Soajo'/><category term='Nacional'/><category term='Europa'/><category term='Cardeal Saraiva'/><category term='Cultura'/><category term='História'/><category term='Literatura'/><category term='AltoMinho'/><category term='Pessoal'/><category term='Região'/><category term='Justiça'/><category term='Transito'/><category term='Artigo não publicado no AltoMinho'/><category term='Local'/><category term='Anunciador das Feiras Novas'/><category term='AltoMinho-Revista'/><category term='Política'/><category term='Ensino'/><category term='Referendo IVG'/><category term='Economia'/><title type='text'>Publicado</title><subtitle type='html'>Artigos publicados em jornais e revistas por Trigalfa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>354</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-6551211538608621177</id><published>2011-06-10T00:00:00.001Z</published><updated>2011-06-14T10:56:25.050Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>É realista não abandonar o sonho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A alteração do discurso ocorre sempre por imperativo da realidade. O discurso tenta acompanhar, pretende adequar ou simplesmente justificar as novas realidades nos enquadramentos em que nos movemos, em que vivemos. Quando são necessários novos balizamentos para compreender a realidade emergente dizemos tão-somente que começou novo ciclo ou que o ciclo político tem que acompanhar o ciclo económico. Então impõe-se um discurso novo. Nem sempre um discurso positivo numa situação degradada merece ser apoiado.&lt;br /&gt;A situação de dependência do País em relação ao exterior vinha sendo denunciada há muito pelas pessoas que se não deixavam iludir pela aparente calma do mar em que nós navegamos. Porém tal situação só se tornaria visível aos olhos de muitos na Primavera de 2010. Tornou-se então irreversível o aprofundamento da crise, isto é, adquiriu-se a consciência quase generalizada de que não tínhamos meios para enfrentar tal estado de coisas. Já não era possível esconder o pessimismo.&lt;br /&gt;Hoje temos ainda menos meios, a pressão exterior é maior, já quase se institucionalizou uma situação de dependência quase absoluta de decisões externas. Só é problemático saber o grau dessa dependência. Se a soberania se define pelo facto de o seu grau de abrangência ser imensamente superior ao grau do nosso contributo para ela, então a soberania que transferimos para a Europa deixa-nos a uma distância enorme dos centros de decisão.&lt;br /&gt;Houve uma redução imensa do nosso poder, até mesmo da nossa capacidade de influência sobre os centros de decisão nos quais se baliza o nosso futuro. Viver neste enquadramento é difícil, gerir um País nestas condições é extremamente doloroso, cansativo, inglório mesmo. Não faltará porém gente a querer a vã glória de ter o poder, já só algum do poder que outrora tivemos, mas suficiente para levar a ambicionar e competir pela sua conquista. Sempre temos de agradecer por isso, por haver tanta gente a querer ocupar cargo tão ingrato.&lt;br /&gt;Hoje é fácil demitirmo-nos das nossas poucas responsabilidades. É fácil dizermos que quem criou os problemas que os resolva, pese embora se vá generalizando a convicção que todos contribuímos, em pouco que fosse, para eles. Mas há sempre uns mais responsáveis do que outros e ninguém quer estar na primeira linha porque é lá onde em primeiro lugar chegam os ataques. Há sempre alguma cobardia em quem diz nada ter com isto. E não haverá qualquer dúvida que é necessária alguma valentia para que quem está preparado para tal se propunha assumir essa primeira linha.&lt;br /&gt;Será por via da nossa impotência que descobriremos a gravidade dos problemas que nos afligem. Desde logo porque mais difícil do que pagar a dívida é pagar os juros usurários que nos impuseram. Desde logo porque veremos a discrepância entre algumas das medidas que nos são impostas e os problemas que pretensamente elas visariam resolver. Entregar mais sectores da nossa economia ao capital sem rosto e sem misericórdia é caminhar na via de um suicídio colectivo.&lt;br /&gt;Quando não estamos em condições de poder exigir grandes comiserações, grandes condescendências com a nossa forma simplória de resolver as questões, acabamos por ter de aceitar pacotes que, se trazem muitas medidas acertadas, também incluem bombas a explodir programadamente e de efeito nefasto. Se é verdade que o problema tem muitas vertentes, se há muitas causas a contribuir para o desequilíbrio das finanças do Estado e das contas exteriores, não é menos verdade que a causa principal é o declínio da nossa produção.&lt;br /&gt;Será pela vertente produtiva que a nossa contribuição individual e associativa mais poderá ter um efeito benéfico. Teremos que vencer a nossa apatia com inovação, empreendorismo e com o reforço da nossa disponibilidade para trabalhar em conjunto, facto que não está nos nossos hábitos pela nossa desconfiança e manhosice crónicas. O problema é que o Estado só consegue suavizar as dificuldades que se deparam á entrada, já não tem qualquer intervenção a jusante, na criação de mercados para a nossa eventual produção.&lt;br /&gt;Pede-se também ao Estado que facilite a instalação de investidores estrangeiros. Essa seria mesmo essencial para podermos aumentar a produção. Se muitas pessoas já estão por tudo, não haverá dúvidas que necessitamos de defender a dignidade dos nossos trabalhadores que muitos estarão na disposição de a atingir. Não podemos esquecer que nos dias de hoje o capital não tem rosto. Se há humanidade em muitas empresas, noutras impera o desrespeito mais sórdido e rapace.&lt;br /&gt;Ninguém apoiará quem não for capaz de manifestar alguma capacidade de inverter a actual situação. Muito menos terá apoio quem à partida se manifeste impotente. Todos queremos o realismo, mas não prescindimos de algum sonho. Haverá formas diferentes de sonhar, porém vence sempre a forma mais acessível, digamos mais simples e directa. Não será por este motivo que nos podemos eximir a participar neste sonho de nos vermos livres desta situação ingrata. Será bom para todos que o sonho consiga sobreviver o mais possível sem que se pretenda que é necessário prescindir doutros. para que esse sonho seja possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-6551211538608621177?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/6551211538608621177/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=6551211538608621177' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6551211538608621177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6551211538608621177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/06/e-realista-nao-abandonar-o-sonho.html' title='É realista não abandonar o sonho'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3375218287450222919</id><published>2011-06-03T00:00:00.001Z</published><updated>2011-06-06T23:00:02.256Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Tenhamos esperança no futuro!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Um assunto incontornável nos dias de hoje é a política e no seu contexto a economia e a finança. Se a toda a hora é necessário assumir decisões definitivas e algumas irreversíveis, estamos num momento particularmente sobrecarregado de decisões importantes. Umas já estão tomadas, tornaram-se inadiáveis antes que fossemos chamados a votar. Agora uns dizem que temos pouco a decidir, outros, em clara minoria, dirão que ainda há muito a decidir, muita responsabilidade que nos cabe a nós suportar sobre os ombros. Assumamo-la!&lt;br /&gt;Há algo de dramático na situação actual. A maioria de nós desconhecia até há pouco a quantidade de soberania que nós já tínhamos transferido para instâncias exteriores, supranacionais, sobre as quais o nosso controle é diminuto, quando muito corresponde à nossa muito pequena dimensão relativa. Em especial desde que aderimos ao Euro perdemos a nossa capacidade de ter uma política cambial que possamos conciliar com o estado da nossa economia. E se a soberania pertence a outros vemo-los a uma distância, com uma sobranceria que nos exaspera e revolta. É uma soberania pouco participada.&lt;br /&gt;Achamo-nos com direito a uma solidariedade que nos não é dada. Se nos emprestam dinheiro é a um juro excessivo. Também os outros países têm de ir ao mercado financiar-se para nos ceder liquidez e ainda por cima querem ter lucro. Parece que esta Europa que está à nossa frente é uma construção amadora, feita ao sabor de interesses mesquinhos e não com a elevação da solidariedade, com o desprendimento dos interesses egoístas e usurários. Somos demasiado pequenos para fazer vencer regras que não sejam o prolongamento da rapina de que há séculos somos vitimas.&lt;br /&gt;Se a constatação das falhas da construção europeia já não é suficiente para arrepiarmos caminhos na fase em que nos encontramos, deve servir para nossa orientação futura, mas não como desresponsabilizante das decisões que ainda somos chamados a tomar. Não podemos começar tudo do nada. O futuro começa já hoje e inevitavelmente vai ter muito do passado. Aliás no passado, em particular no mais próximo, há decerto bastante coisa de bom. Perante a incógnita do futuro temos mesmo que assumir resoluções mais de carácter defensivo do que de carácter construtivo. Porém tal não nos deve coibir de tomarmos parte na definição e implementação de todas as medidas que a governação impõe.&lt;br /&gt;Muitas das estruturas que julgávamos sólidas, mercê da especulação do capital, começaram a derrocar. Porém elas ainda têm muitos defensores e pessoas empenhadas em colmatar as brechas abertas. A extrema-esquerda, que terá sonhado ver o fim do capitalismo a propósito deste gravíssimo percalço, terá perdido já a esperança em que tal aconteça. A extrema-direita que em Portugal está incrustada nos dois partidos da direita tradicional ainda não terá abandonado as suas expectativas de utilizar este percalço como oportunidade para destruir o que resta do sonho socialista.&lt;br /&gt;A perca de soberania para o domínio dos Estados fortes da Europa tem sido aproveitada para nos quererem impor soluções pretensamente consensuais, mas que não são mais do que um descarado favorecimento do capital, do caseiro, mas também por arrastamento do clandestino e apátrida. Já muito nos têm incutido no nosso modo de viver e de nos relacionarmos. Porém a muito mais nos querem obrigar. Neste caso até se pode dizer (sem confusões pela forma de expressão) que existem cá mais papistas que o Papa. Muitos até querem dar à Europa lições da forma como se deve governar à direita.&lt;br /&gt;Há quem diga que a direita tem hoje um líder inexperiente e pouco perspicaz. Porém há quem pense que esta estratégia de lançamento de propostas desgarradas, de balões de ensaio, se enquadra num propósito de testar o estado de espírito da população em geral. Estaremos nós dispostos a pôr em causa praticamente tudo aquilo que se construiu ou faremos uma barragem capaz de suster a saga destruidora das extremas do nosso espectro político? Também é isto que vai estar em causa nas próximas eleições.&lt;br /&gt;Muitos dirão que o que há a defender é pouco e temos a extrema-esquerda, outros dirão que o que existe é demais e pouco sustentável e temos a extrema-direita. Decerto que alguma razão residual poderá ser atribuída a estas posições extremas. Porém não é este tipo de argumentos marginais que devem sobressair no nosso raciocínio quando nos debruçamos sobre este estado de crise em que quase permanentemente caímos. Ainda temos muito a defender e muita margem para corrigir anomalias e alicerçar uma base capaz de assegurar a construção de um futuro mais solidário.&lt;br /&gt;No fundo o grande argumento da direita nacional é a falta de sustentabilidade do actual modelo social. A solução que a direita defende passa por haver um sector social constituído pelos economicamente dependentes, sobre os quais cairia uma regulamentação pormenorizada e limitativa, e por haver um outro sector social constituído pelos economicamente livres, a quem seria dada a faculdade de definirem a sua própria forma de se inserirem na sociedade e de contribuírem para o equilíbrio e coesão social. Regressaríamos aos tempos em que era impossível ascender socialmente.&lt;br /&gt;A direita sempre utilizou os inimigos externos para justificar a sua política de subjugação dos sectores mais fracos da população. Hoje os inimigos externos, chamemos assim por facilidade de linguagem, estão do lado dessa direita. Ou pelo menos a direita nacional utiliza-os como aliados. Para a direita os melhores amigos são aqueles que nos fazem exigências desmesuradas, sem olhar à génese e à evolução dos problemas. A direita fez tudo no últimos anos para que viéssemos a soçobrar às dificuldades trazidas pelas crises internacionais, pelo desregulamento europeu, pela ganância capitalista. Vamos premiar uma direita que bateu palmas ao naufrágio de que fomos vítimas e que foi causado pelos nossos inimigos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3375218287450222919?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3375218287450222919/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3375218287450222919' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3375218287450222919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3375218287450222919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/06/tenhamos-esperanca-no-futuro.html' title='Tenhamos esperança no futuro!'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4437921680903538617</id><published>2011-05-27T00:00:00.001Z</published><updated>2011-06-06T22:57:20.594Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Calem–se as vozes que morreu um Poeta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;Recordo dele o seu riso estridente, o seu sarcasmo penetrante que não feria, antes estremecia com a consciência de quem o ouvia. Não visava agredir, humilhar ou sequer apoquentar quem era o alvo da sua fina ironia. Com a idade e a progressão académica, em que sempre se empenhou, foi burilando essa sua característica que era um hino à vida e que foi sacrificando a uma imagem menos controversa, quiçá mais rica.&lt;br /&gt;O Luís Dantas encarnava de modo quase perfeito a figura do ser solidário, do poeta desinteressado de bens materiais, mas que tinha com a vida uma cumplicidade própria, inimitável e pouco acessível a quem não tenha acompanhado o seu percurso de vida. O seu riso não visava repelir, antes era seu intuito atrair, chamar ao convívio, integrar.&lt;br /&gt;Elevou-se a pulso, sem deixar de viver os aspectos da vida que mais agradam ao ser homem e porque não ao ser homem português. Sem esquecer a irreverência da sua juventude, fazendo-a conviver no seu espírito com a maior ponderação da sua fase mais madura, que aliás cedo começou, o Luís Dantas manteve-se fiel aos traços mais vincados da sua personalidade moldados por um começo difícil e que ele venceu com o seu imenso valor.&lt;br /&gt;Aproveitou os horizontes que essa Lisboa, outrora longínqua, proporciona a quem a quiser descobrir e explorar naquilo que ela tem de mais encantador. Viveu intensamente no meio no qual melhor se integrava, pese embora nas suas curtas arremetidas à Ponte de Lima natal e inesquecível, encontrasse sempre forma de encontrar o enquadramento apropriado à sua vivência singular.&lt;br /&gt;Terá o Luís Dantas morrido como seria seu desejo? Decerto que não quereria avançar tão rapidamente e inesperadamente, mas há algo de poético na sua morte, que remete para outras vivências de poetas para quem a tragédia nunca andou muito longe. Calem-se as vozes que morreu um Poeta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4437921680903538617?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4437921680903538617/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4437921680903538617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4437921680903538617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4437921680903538617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/05/calemse-as-vozes-que-morreu-um-poeta.html' title='Calem–se as vozes que morreu um Poeta'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-1041172048439910055</id><published>2011-05-13T00:00:00.001Z</published><updated>2011-06-06T22:54:33.091Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A linguagem é um engodo para a juventude</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A imagem do nosso pensamento é transmitida seja qual for a forma de nos exprimirmos. Quando somos observadores exteriores tentamos descodificar a expressão para chegarmos ao pensamento mais genuíno porque não temos nada mais adequado para esse efeito. A expressão e o pensamento não são realidades semelhantes. A expressão não consegue corresponder à riqueza do pensamento, à sua complexidade. Mesmo assim não podemos relativizar a gravidade que pode estar na escolha da forma de nos exprimirmos.&lt;br /&gt;A forma de nos exprimirmos tem condicionamentos externos e internos que nos podem levar a escolher ou a ceder a uma forma de expressão diferente daquela que nos seria mais própria. Também temos que reconhecer que haverá casos em que muitas vezes nos exprimimos duma maneira porque não encontramos, não dispomos de outra mais adequada. Neste caso até se pode falar com mais propriedade de uma escolha da forma de expressão.&lt;br /&gt;O ambiente externo local e nacional, o tipo de interlocutores, são sempre tidos em conta quando nos expressamos. Escolhemos a expressão mais adequada aos nossos fins, atendendo ao nosso estado de espírito, seja quando o fazemos para nos entendermos, seja quando o fazemos para marcar a nossa posição. Para um estranho descobrir os fins que nos movem e a verdadeira imagem do nosso pensamento pode ser um esforço inglório e até sem sentido.&lt;br /&gt;Muitas vezes surgem equívocos, mal-entendidos, enganos derivados desta tentativa de adequar o nosso discurso àqueles que nos ouvem ou lêem. Muitos acharão isso depreciativo porque sabem que há diferentes níveis de linguagem e não aceitam que alguém se coloque num nível acima do seu. Porém reconhecer-se-á que há níveis que, pelo menos, têm o ver com a simplicidade e que a linguagem mais simples é aquela que é capaz de ser entendida pelo maior número de pessoas. Haverá conhecimentos que não serão transmissíveis com essa linguagem, mas já o serão com outra de mais elevado nível.&lt;br /&gt;Aqueles que pretendem atingir a audiência mais numerosa são os políticos. Vai daí eles escolhem o nível de linguagem mais capaz de chegar a todo o tipo de pessoas. E estas, mesmo aqueles que seriam capazes de utilizar um registo mais elevado, habituam-se à utilização desse baixo nível de linguagem outrora só usado em conversas mais restritas e a um nível de anedota e de má-língua. O espaço público está hoje pejado de uma terminologia hardcore de que já ninguém se sente envergonhado.&lt;br /&gt;Mesmo certas personagens, outrora sacralizadas, são hoje alvo da mesma fraseologia assassina. Esta despreocupação com o nível de linguagem não é de todo maléfica já que ninguém parece estar excluído de ser o alvo dela e podemos assim apostar em que, ou nos elevamos todos, ou continuamos a vegetar todos nesta imundice verbal. Uma questão que nos deve preocupar é a situação das novas gerações apanhadas no meio deste fogo verboso.&lt;br /&gt;Os velhos, incluindo os partidos dos velhos, têm feitos tentativas de integração dos jovens nas suas estruturas organizativas e linguísticas, o que pode parecer positivo, não tivessem elas um intuito de incutir às novas gerações a sua própria metodologia de pensamento, de promover a assimilação da sua própria linguagem. Os partidos revelam assim uma vontade de se não deixarem ultrapassar e a verdade é que vão conseguindo alguns abandonos desse espírito inovador que se esperaria da juventude.&lt;br /&gt;Estará tudo perdido neste enrascadela que criaram à juventude? Do ensino esperar-se-ia que se preocupasse com a construção verbal de que os jovens devem ser capazes. Estes têm hoje uma liberdade quase absoluta para experimentarem emoções e sensações outrora interditas nas suas idades e também têm a mesma liberdade para os excessos de linguagem. Como se reconhece resolver o problema da linguagem no aspecto intelectual não é o mesmo que o resolver no aspecto emotivo e podemos usar na prática termos a que intelectualmente não aderimos. No entanto a consciência intelectual dá uma boa ajuda no sentido de melhorar a linguagem do dia a dia.&lt;br /&gt;Ninguém usa uma linguagem se não sentir gozo nisso, se não a associar a uma determinada postura emocional. O preferível seria o inverso, que usássemos uma linguagem que antecipadamente passasse pelo crivo intelectual. Porém não será a esta situação que nós atribuímos a importância de ser o nosso maior espaço de liberdade? O preferível também seria que os jovens colocassem nesta questão um esforço especial de aprendizagem. No entanto uma alteração de postura só é possível se o sentido lúdico levar à adopção de uma postura mais comedida com a forma de expressão e a linguagem correspondentes.&lt;br /&gt;A imprudência das gerações anteriores terá arrastado a nova para terrenos pantanosos. Acresce que as pessoas mais velhas se movem num mundo de interesses instalados para o qual também são arrastados os jovens à medida que vão perdendo o seu mundo de expectativas. Os jovens caminham assim dum mundo mais aberto, em que todos cabem e tudo é possível, para um mundo real em que os conflitos são intestinos e cruéis e a linguagem é mais desabrida.&lt;br /&gt;Precisamos dos jovens a colaborar na solução dos problemas actuais, a tratar das feridas que criamos, tendo assim que abandonar algumas das suas expectativas, pois muitas serão hoje irrealistas. Com o pretexto de não alterarem as suas expectativas levaríamos a acabar com o idealismo juvenil ou ao seu descambo para interesses mesquinhos. Porém os jovens não devem perder todas as suas próprias expectativas. Podem cultivar expectativas sãs, não inquinadas pelas nossas perspectivas egoístas. Nesta realidade escorregadia, lamacenta o que pior lhes poderia acontecer seria deslizarem para a linguagem dos velhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-1041172048439910055?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/1041172048439910055/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=1041172048439910055' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1041172048439910055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1041172048439910055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/05/linguagem-e-um-engodo-para-juventude.html' title='A linguagem é um engodo para a juventude'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-5953791158459393118</id><published>2011-05-06T00:00:00.000Z</published><updated>2011-05-05T12:59:27.486Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O papel dos debates e do voto em democracia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;No geral gostamos de um bom debate. Isto é, que contenha os ingredientes que nos entusiasmam, um assunto actual, os chistes apropriados, as respostas prontas. A maior crítica que se lhes faz é só tratarem dos assuntos que já estão na onda e pouco acrescentarem às opiniões dos verdadeiros protagonistas da luta política. Afinal são esses assuntos que a maioria das pessoas anseia por esclarecer, mas pela voz dos referidos protagonistas. Os debates quando estes intervêm são ocasiões únicas, irrepetíveis, mesmo que se juntem os mesmos intervenientes num outro debate subsequente. Com outros são uma sensaboria.&lt;br /&gt;Debates entre segundas figuras pouco acrescentam. Quando os debates se tornam repetitivos, quando se perde a noção do que está em causa e daquilo que não pode estar em causa, aborrecemo-nos e provavelmente desligamo-nos. Afinal os assuntos são limitados e os que protagonizam esses debates são sempre as mesmas pessoas já profissionalizadas nessa função. E o que é pior é que normalmente as opções já estão cristalizadas antes que o debate comece e as que surgem já estão gastas por demais divulgadas na comunicação social.&lt;br /&gt;Além de ser difícil obter um debate inovador, acresce que todo o debate está depressa desactualizado. Se é verdade que os nossos interesses, o nosso futuro, estão todos os dias em jogo, também é verdade que se torna fastidioso andar a malhar todos os dias no mesmo. Pelos visto o mesmo fastio não ataca os participantes, quais tagarelas que nunca enchem o saco, permanentemente prontos a repisar o que está por demais pisado.&lt;br /&gt;Os participantes defendem sempre que há novas decisões merecedores de comentários, fazem sugestões para manter cheia a agenda mediática, recauchutam de novas as velhas recriminações, usam novos termos e novas expressões que algum criativo lhes tenha transmitido nos bastidores. Há sempre uma maneira nova de enroupar um velho discurso. Os profissionais do debate já não nos surpreendem e nesse sentido enfastiam-nos e podem causar-nos mesmo aversão.&lt;br /&gt;A nossa reacção mais benévola é o desconforto. Afinal mesmo sem poder intervir envolvemo-nos emocionalmente, normalmente mais do que devíamos quando em tudo o resto estamos numa situação demasiado passiva. Já é mais grave se sentimos repugnância pelo uso da insídia, da hipocrisia, do descaramento. Já abominamos os sentenciadores, aqueles que estão prenhes de juízos morais e afinal destilam ódio por todos os poros. Muitos não se coíbem de fazer ataques soezes aos interlocutores, muito menos poupam os correligionários destes, em especial os que detém mais poder.&lt;br /&gt;No geral até são mais perigosas as pessoas que navegam na área do poder, sem um lugar definido, simples aspirantes ao poder. Criticam-se os que detém o poder e deixa-se à sua sorte estes “salafrários”. Uns dizem falar por muita gente, mas não têm mandato expresso, outros são mandatados para falar por um partido, mas falam à sua maneira, fazem descer o nível dos debates. No geral quem tem poder efectivo é mais responsável.&lt;br /&gt;No entanto muitos participantes dos debates conseguem ser atractivos para muita gente. Muitos ambicionam ser como eles, ter umas tiradas idênticas, ser capazes daquela verbosidade escorregadia que os caracteriza. Claro que a sua ambição maior seria o poder, mas, já que o não alcançam, dar-se-iam por satisfeitos se atingissem a mesma capacidade oral. A política, por tratar do domínio social mais abrangente, é o campo de eleição para aplicar os ódios de estimação. Para muitos conseguir emergir um pouco no meio e manifestar a sua animosidade é uma grande vitória.&lt;br /&gt;Nós sabemos que o nosso destino se determina noutros fóruns, noutros gabinetes e não em palcos com actores de segunda. Por isso ao ouvir estes, e ao perder algum tempo com eles, estamos tão só a tentar antever o futuro. Eles sempre estarão mais próximos dos tais locais onde o mais importante se decide. O problema são aqueles que, em vez de contribuírem para excomungar profecias malévolas, para desanuviar o ambiente de pessimismo, fazem tudo para enegrecer a nossa vida. Começa-se sempre por pintar tudo de negro para que pareça que esses debates servem para colocar alguma luz.&lt;br /&gt;Nos debates as surpresas são poucas. Novidades daquelas que nos fazem reforçar ou inflectir nos nossos argumentos rareiam. Fazer depender a qualidade da democracia da existência de debates parece uma falácia. Já a ordem social beneficiará bastante com eles. Os participantes nos debates descarregam energias, sublimam outros instintos mais agressivos e nos espectadores o efeito pode ser o mesmo. Claro que o resultado mais imediato não deixa de ser um mau espectáculo, uma lástima para quem pretenderia chegar a um conhecimento mais profundo.&lt;br /&gt;Os debates podem acrescentar razões para justificar atitudes já tomadas anteriormente por razões mais sérias e fundamentadas. Em poucos casos trarão aquilo que falta para se decidir por um dos lados em confronto. O vencedor do espectáculo não arrastará atrás de si multidões subitamente convencidas. O derrotado não fará diminuir o empenho de quem os apoia. Porém como as eleições são muitas vezes decididas por pequenas diferenças, a vitória pode depender daqueles elementos das margens que deixam tudo para a última hora por sentirem o peso de uma decisão difícil.&lt;br /&gt;Este é um grande paradoxo da democracia. Além de o apoio decisivo ser circunstancial, ele não é perdurável para que se cumpra uma legislatura sem grande contestação. Porém este facto também dá a nós mesmos uma enorme importância derivada da nossa obrigação de marcar a nossa posição, seja ela ganhadora ou não. Se, além de eventualmente não votarmos, ainda tivermos a consciência que são os votos mais voláteis que decidem, mais nos sentimos na obrigação de participar na definição da nossa vontade colectiva. Os debates são importantes, mas mais a sua lógica consequência, o voto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-5953791158459393118?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/5953791158459393118/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=5953791158459393118' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5953791158459393118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5953791158459393118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/05/o-papel-dos-debates-e-do-voto-em.html' title='O papel dos debates e do voto em democracia'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-8205114042189561572</id><published>2011-04-29T00:00:00.000Z</published><updated>2011-04-28T22:04:35.742Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Ainda é possível um governo de esquerda?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;O socialismo pode não estar na onda, mas mantém-se uma forte corrente de opinião. Uma parte significativa do eleitorado apoia-a, uma parcela ainda expressiva defende-a. No entanto, se virmos a questão somente pelo prisma da ocupação do poder, é inglória esta luta de pôr e repor o socialismo na onda quando se vê que há vendavais que põem tudo em questão e levam quase tudo por água abaixo. Quase tudo, porque alguma coisa fica e se vai acumulando como património que já não dispensamos. Infelizmente até pessoas ditas socialista põe em cauda o exercício do poder socialista Não haverá fortes raízes no terreno que perdurem, uma linha de pensamento esclarecido que se transmita, haverá muita desilusão, mas as alternativas são piores.&lt;br /&gt;Iludimo-nos com a tempestade que assolou o capitalismo nos últimos três anos. As primeiras borrascas desacreditaram o sistema, este tremeu. Subitamente o dinheiro pelava nas mãos de quem o detinha. No entanto os que saíram imunes deste afundanço redobraram energias e tudo fazem para rentabilizar ainda mais as suas economias. O capitalismo parece ter recuperado o domínio do mundo com juros a pagar por quem ousou pô-lo em causa. Por seu lado o socialismo não soube aproveitar esta desavergonhada rapina e está a ser vítima disso.&lt;br /&gt;Se quiséssemos aferir da vitalidade do socialismo chegávamos a conclusões contraditórias conforme os países analisados. Ondas de esquerda varrem territórios há pouco tempo indefectivelmente de direita. Noutros lados, infelizmente na maioria dos casos, ocorre o contrário. Estaremos nós sujeitos a este saltitar ao sabor da onda, sem um objectivo que não seja somente defensivo, firmando-nos apenas na força de uma corrente de opinião que ora é maioritária e logo minoritária?&lt;br /&gt;Ao nos deixarmos arrastar pela procura de soluções pontuais ou mesmo pela busca do aproveitamento de oportunidades que a direita vai proporcionando pela sua ineficiência, a esquerda descura o aspecto ideológico e age mesmo, por força das circunstâncias, em contradição com princípios que diz advogar. Falta à esquerda uma linha de pensamento capaz de se demarcar do caduco marxismo e de fazer frente ao radicalismo dito de esquerda e ao liberalismo dito ”neo”, mas que não é mais que o refinamento do velho capitalismo de sempre.&lt;br /&gt;Não é suficiente à esquerda haver uma corrente de opinião favorável aos governos socialistas, haver capacidade para promover ou pelo menos aproveitar ondas favoráveis a esses governos. Além de não haver uma clara noção do objectivo mais importante a atingir, não há uma linha de rumo que permita ponderar os desvios sofridos e os avanços alcançados. Terminada a época dos muros, das barreiras dentro das quais se construía uma fortaleza, afinal expugnável, o combate é agora frontal. A esquerda monolítica, irredutível em posições já ultrapassadas, tem que repensar estratégias. Mas também a esquerda tem que ser capaz de se orientar no meio da confusão que se lança entre projectos pessoais e políticos.&lt;br /&gt;Terminada a época em que se lutava para que o Estado garantisse tudo a todos, é tempo de resistir à sedução do dinheiro e ao seu carácter corruptivo porque vamos ter que continuar a lidar com ele até ao fim dos tempos. A esquerda já não pode apostar no Estado como distribuidor dos bens e recursos, mas com a função essencial de criar e fazer cumprir as regras que permitam o acesso de todos ao maior número de benefícios. É imperioso garantir a todos alguma fonte de rendimentos, sendo que só o trabalho faz acrescer valor a tudo que existe, inclusive ao dinheiro. O Estado não pode repartir dinheiro a troco de nada.&lt;br /&gt;Já hoje, mercê do avanço científico e tecnológico, não é possível garantir trabalho a todos. Com o aumento da produtividade e uma aparente abundância de alguns bens, inclusive de trabalhadores, o trabalho é cada vez mais desvalorizado a nível de retribuição. Neste contexto o papel da esquerda é a defesa dos trabalhadores e do Estado do saque a que estão sujeitos por aqueles que detém o poder que a posse dos meios de produção confere. Essa defesa também passa pela defesa do dinheiro sujeito a depreciação devido às actividades especulativas. Porém não é possível separar o dinheiro bom, bem aplicado, do mau, mal aplicado.&lt;br /&gt;À esquerda já se impõe entretanto uma nova tarefa derivada dos conflitos entre trabalhadores Efectivamente já existe, e tenderá a existir cada vez mais, uma competição entre trabalhadores com a criação de feudos em que a especialização favorece certos grupos profissionais. A distinção entre trabalhadores é cada vez maior e, se hoje ainda só leva a invejas mal disfarçadas, levará no futuro a conflitos abertos e bem mais graves. A esquerda já não pode definir o seu espaço à velha maneira da luta de classes. A linha de separação está cada vez mais diluída.&lt;br /&gt;Se em tempos o leque de rendimentos do trabalho era no máximo de um para três, hoje já quintuplicou e tem tendência para se agravar, criando assim uma desigualdade social insustentável. A esquerda tem que se manifestar sobre se quer uma sociedade assente de novo em classes sociais rebaptizadas ou se quer cumprir a sua disposição mais elementar de combater a diferenciação social. A certeza de que a maioria de nós terá que ser empregada de alguém ou do Estado deve impor um tratamento igual para todos.&lt;br /&gt;Impõe-se a refundação do pensamento de esquerda em que não caibam oportunismos e facilitismos. O Estado não pode ser sobrevalorizado, mas também não pode ser descurado o seu papel na condução da sociedade. Também não é de maneira alguma a simples criação teórica de igualdades como a de oportunidades, também cada vez mais posta em causa, que chega de programa de esquerda. Sem apostar em igualdade inatingíveis pode apostar-se em equilíbrios felizes. Só a formação de uma corrente de pensamento articulado e consistente pode ajudar a que se defina um caminho, um objectivo, uma força perdurável a que a humanidade possa recorrer mesmo em tempos tão instáveis como os de hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-8205114042189561572?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/8205114042189561572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=8205114042189561572' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8205114042189561572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8205114042189561572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/04/ainda-e-possivel-um-governo-de-esquerda.html' title='Ainda é possível um governo de esquerda?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-942350913219502765</id><published>2011-04-22T00:00:00.000Z</published><updated>2011-04-21T19:49:53.087Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>É isto que eu não quero!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Estes tempos de exacerbada turbulência política são caracterizados por um mau uso da língua portuguesa que corrompe cérebros, uns atrás dos outros. Os problemas são sempre colocados na mesma forma simplista. Passa-se por cima das verdadeiras causas como gato sobre brasas. Vai-se imediatamente para as conclusões que, regra geral, se reduzem a um ataque com o máximo de agressividade verbal ao outro contendor político. Em vez de argumentos aduzem-se uns tantos termos de conteúdo abstracto como verdade, coerência, frontalidade, lealdade em contraponto com mentira, inconstância, hipocrisia, traição. Tudo conceitos distorcidos e fora de contexto com que se pretende uma pretensa elevação do discurso.&lt;br /&gt;Usam-se termos que por si representam uma grande agressividade mas também se empregam alguns mais subtis que agridem mais que outros já muito gastos. Mas a agressividade também tem a ver com a construção verbal, com a forma como nos expressarmos. Até usando as mesmas palavras é possível construir frases distintas. Contam a ordem das palavras, a entoação e a veemência que lhes damos especialmente se usamos o modo oral, mas que são aspectos também transmissíveis na expressão escrita. Além disso pode tornar-se acintosa uma forma de dizer mais branda quando a repetimos até à exaustão. Uma das estratégias do combate político é conseguir o máximo possível de repetidores.&lt;br /&gt;A forma faz parte integrante da agressividade. Por exemplo as expressões “Não é isto que eu quero” e “É isto que eu não quero”, aparentemente iguais, pressupõem uma continuidade do discurso diferente e, mesmo que o discurso acabe aqui, pressupõem significados diferentes. Se as usarmos na política optaremos decerto a segunda frase por mais gravosa. Efectivamente quando eu digo “É isto que eu não quero” estou a ser peremptório, a afirmar expressamente que “isto”, seja o que for de que se trate, é coisa que está fora do meu pensamento aceitar, comprar, sujeitar-me a. As hipóteses podem ser muitas, mas aquela que passa por aceitar “isto” está colocada fora de questão.&lt;br /&gt;Já se eu disser “Não é isto que eu quero” não sou suficientemente veemente, não afasto em absoluto a aceitação “disto”. Só digo que, não sendo “isto” que coloco como primeira escolha, pode vir a ser a opção viável e aceitável. Pois com este sentido de tolerância e versatilidade nunca seria adoptada no nosso discurso político. Quem a usasse neste sentido seria tido por titubeante, cheio de incertezas, quando não de receio ou medo. No nosso discurso de homens decididos e cheios de certezas, não entram frases tão pouco assertivas. Temos que ser duros, agressivos, impiedosos. O “não” tem que estar bem junto ao “quero” para que seja clara a sua anulação. O “não” é em política o termo mais usado.&lt;br /&gt;Além do curto-circuito argumentativo esta construção verbal visa os mesmos objectivos. Escolhem-se as expressões mais fortes, mais contundentes, pelo que hoje já se não conversa com quem tenha ideias diferentes. A palavra está hoje prenhe de ódio, por mais doces que nos mostremos. Estamos repletos de esquemas mentais perversos que transportam tudo para a zona negra do nosso espírito. O apelo a valores abstractos, o acinte posto nas palavras, a repetição são a parte mais visível do mau uso das possibilidades da linguagem. Mas afinal cada qual só responde como pode porque a não resposta é a morte imediata.&lt;br /&gt;Há preguiça em quem aceita estes esquemas, há astúcia em quem os constrói. Muitos são esquemas anacrónicos, foram incutidos no nosso pensamento pelo salazarismo. São de fácil reprodução. Transmitem-se de geração para geração. Os radicais propuseram lavagens ao cérebro e todas falharam. Limparam-se os dados, mas não se limpou o modo de pensar. A assimilação dos esquemas mentais já testados é mais imediata. Não se construíram os instrumentos intelectuais que possibilitariam outra forma de pensar.&lt;br /&gt;Não nos devemos conformar, mas a realidade é que o pensamento dominante é o pensar “pequeno”. Somos dominados pelas expectativas e pelos interesses e, para este efeito, até é irrelevante distinguirmos entre estas duas categorias mentais. Para simplificar referimo-nos normalmente a interesses como aqueles factores que condicionam o nosso comportamento. È na convenção do respeito pelos interesses de todos que assenta a democracia. Quem não respeita esta convenção que tem como consequência o facto de um homem valer um voto, também está pronta a patrocinar as tais lavagens ao cérebro e a fracassar.&lt;br /&gt;Porém aceitar a defesa dos interesses de todos não é aceitar a forma de pensar dominante. Felizmente que é cada vez menor a fobia em relação a quem pensa diferente. Há uns tempos quem pensasse diferente era logo acusado de pretender pôr em causa os interesses alheios. Se as expectativas e interesses pessoais, grupais ou de qualquer ordem menor do que a comunidade no seu todo, podem ser postos em cheque pela alteração da forma de pensar, o objectivo principal é levar as pessoas a aceitar ver para além do seu mundo restrito e possam contribuir para a formação de uma nova e solidária vontade colectiva.&lt;br /&gt;Em parte os políticos são vítimas do imediatismo, da necessidade de ter respostas prontas para adversários contumazes. No entanto não é caso para serem desculpabilizados. Nem nos devemos iludir por aqueles que aparecem com discursos aparentemente limpos e que chamam a atenção para o pensamento mais titubeante doutros. A destreza no discurso político pode ser importante mas não é decisiva. O mais importante é o interesse em jogo, a compatibilidade entre os nossos próprios valores, os que são embandeirados pelos políticos e aqueles que na verdade estão por detrás da sua actuação&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-942350913219502765?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/942350913219502765/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=942350913219502765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/942350913219502765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/942350913219502765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/04/e-isto-que-eu-nao-quero.html' title='É isto que eu não quero!'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3611322535399648133</id><published>2011-04-15T00:00:00.000Z</published><updated>2011-04-14T12:21:19.440Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Uma alternativa que se esvaneceu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Em determinados momentos históricos surgiu uma ideia benévola de que tudo devíamos fazer para que o Partido Comunista (PC) evoluísse e abandonasse o estalinismo ou em alternativa se criasse um partido novo capaz de ser o depositário daquele repositório de bons princípios que ainda há quem julgue que o marxismo poderá ser. O PC sempre se riu desses propósitos, mas sempre levou a sério os opositores internos e externos da sua direcção. Sempre manteve os seus oponentes à distância, conseguindo o controle do aparelho e da ideologia. Porém as munições usadas para atacar os velhos partidos e grupos radicais que tentaram ocupar o seu lugar já não têm sido tão eficazes contra o Bloco de Esquerda (BE). A ideia de muitos que procuraram uma alternativa ao PC passava pela sua própria mudança ou pela ocupação do seu lugar, tornando esse lugar mais radical e menos conciliador com os preceitos democráticos. Tal ideia sempre foi partilhada por muitos dos dirigentes actuais do BE que passaram a sua juventude no próprio PC ou em grupos concorrentes que o PC apelidava de grupelhos por não seguirem a ortodoxia soviética. Perante a forte resistência do PC eles cederam. Mesmo acabado o País dos Sovietes o PC aguentou a sua própria ortodoxia, sem grandes referentes externos, mas paradoxalmente tal facto também retirou aos opositores muitos dos argumentos que usavam. Diferente da ideia desses dirigentes era o pensamento do eleitorado. Permaneceu neste a ideia benévola de um partido de esquerda, verdadeiramente socialista. Porém numa atitude suicida o Bloco está cada vez mais longe desse objectivo e quer-se parecer cada vez mais com o PC. O radicalismo do Bloco, a sua política de terra queimada, a tenacidade com que pretende obter o apoio duma classe média egoísta, com a sua pretensa elevação intelectual, já não corresponde ao perfil de um partido não sectário, capaz de contribuir para que, no quadro de uma esquerda não monolítica, vençam as ideias mais inovadoras e solidárias. O Bloco distancia-se cada vez mais do humanismo e cada vez menos do PC. Desencadeou-se uma guerra permanente e uma constante manifestação das diferenças, com o uso de uma linguagem depreciativa e mesmo ofensiva em relação a quem não comungue das suas ideias terroristas. Seguiu-se a prática habitual dos partidos ditos mais à esquerda destinada a manter inviolável o seu espaço político. Porém, à medida que os discursos se aproximam entre o Bloco e o PC, vai-se verificando que a sua convergência faz com que o seu peso total diminua, necessariamente à custa do elemento mais fraco, o Bloco. Confirmam-se os receios de absorção que sempre existiram ao tentar criar uma alternativa não alinhada entre a esquerda monolítica e a esquerda reformista. Muitos recordarão que em política quando se mete uma ideia na gaveta, nunca de lá sairá pelas mesmas mãos. A ideia de um partido “verdadeiramente socialista”, dum partido devidamente estruturado para não ceder ao radicalismo, mas igualmente estruturado para não colocar o socialismo na gaveta mantém-se no imaginário social. O PS desiludiu, o Bloco só iludiu incautos. Continua a existir um lugar vago, sente-se ainda a necessidade dum partido bem definido à esquerda. Esse lugar só pode ser aquele que está a ser indevidamente ocupado pelo Bloco. Este partido ocupou temporariamente no imaginário popular aquele lugar ideal, mas enquistou-se e bloqueou as hipóteses de um governo à esquerda. O Bloco é mesmo uma rocha pesada e sem alma. À medida que cresceu, este BE mais se tem tornado um partido truculento, sempre pronto a adoptar como suas todas as lutas, sempre dispostos a não deixar ao PC a iniciativa em termos de contestação e oposição. O BE só não consegue roubar ao PC os métodos, a ideologia tornou-se supletiva ou mesmo dispensável, só em termos de radicalidade se nota alguma diferença. No entanto a originalidade inicial do BE foi-se diluindo perante a agressividade com que se tem disposto a lutar pelo lugar do PC no panorama político. O BE cedeu ao tacticismo, ou praticismo imediatista, de curto prazo. Como pode um partido de esquerda deixar-se envolver na mesma luta política da direita, utilizar os mesmos sentimentos da direita, defender os mesmos estratos sociais, utilizando os mesmos argumentos economicistas? Não se vêem ideias sobre a forma de construir uma alternativa a uma forma de governar típica da direita. Vemos dois partidos, o PC e o BE, que se combatem pelo mesmo espaço político, não se distinguem diferenças nos seus propósitos, têm linguagens similares, caminham para o mesmo modelo de centralismo organizativo. O que os distingue é a sua implantação, tanto a nível de imaginário popular, como a nível de organizações sociais, em particular no sindicalismo. Neste aspecto o Bloco não é alternativa ao PC, nem ajuda a criar uma alternativa à direita. O facto do BE ser um partido novo, sem uma passado pelo qual se responsabilize, mas também sem passado que o credibilize, parece levá-lo a querer disputar a respeitabilidade alheia sem curar de fazer o seu próprio percurso. O BE nasceu da diferença e deixou-se arrastar pela similitude de discurso. Um dos motivos desta colagem é não ter, nem de perto nem de longe, a mesma capacidade mobilizadora do PC. O Bloco não lançou ancoras para o futuro. As poucas iniciativas nesse sentido não são suficientes para abrir um percurso alternativo, para cimentar um conjunto de ideias próprias, para constituir uma alternativa mesmo que contra o PS, mas mais apelativa do que o velho comunismo. A simpatia com que algum eleitorado viu o BE derivava do surgimento de uma esquerda sem as maleitas, os vícios e trejeitos de uma esquerda facciosa e rancorosa, que não desculpava as ideias alheias. Não se via no BE um concorrente directo ao PC a utilizar as mesmas armas e as mesmas pessoas. Via-se no BE uma esquerda sem mácula, sem utilizar as velhas ideias da inveja e do ódio sociais. Esperava-se um partido construtivo. No entanto os genes dessas ideias velhas e corrosivas estava lá, no seu núcleo duro, nos fantasmas do passado, reminiscências reavivadas de lutas ultrapassadas, fora do tempo. Afinal a alternativa secou. Esta alternativa era falaciosa, só nos resta a esquerda reformista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3611322535399648133?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3611322535399648133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3611322535399648133' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3611322535399648133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3611322535399648133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/04/uma-alternativa-que-se-esvaneceu.html' title='Uma alternativa que se esvaneceu'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2841007108029002845</id><published>2011-04-08T00:00:00.000Z</published><updated>2011-04-07T22:06:56.433Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Ideias, ondas, correntes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Sempre se deu um grande importância a ter ideias. Conseguir ter ideias originais nunca foi fácil. Porém tudo mudou nas últimas décadas. As ideias circulam agora por aí em todos os meios possíveis e imaginários e à distância de uma mão. Repentinamente ideias já velhas são enroupadas doutro modo e já parecem nascidas há pouco. A comunicabilidade aumentou exponencialmente. Hoje é tão fácil obter uma ideia como encontrar e meter no carrinho o objecto que se procura num supermercado numa qualquer esquina perto de si. Os meios de comunicação já não se preocupam em dar notícias, mas sim em espalhar ideias. As notícias também utilizam ideias, como é evidente, mas estas não são usadas com imparcialidade de modo a que nos transmitam uma imagem real. Há hoje um modo de descrever factos que tende sempre para o reforço de uma ideia pré-existente, o que não revela qualquer criatividade. Colocam-se na notícia ideias que circulam por aí, venham ou não a propósito, e dá-se assim uma interpretação e uma justificação dos factos que dispensam qualquer esforço intelectual adicional. O que interessa é ter umas ideias para despejar à mesa do café, da secretária ou nos encontros fortuitos que se nos deparam. Atrevemo-nos a pesar ideias só porque elas aparecem referidas na notícia. Atrevemo-nos a determinar o seu valor sem que no nosso mapeamento mental existam as noções básicas que enformam o problema em questão. Temos direito a pronunciarmo-nos sobre tudo aquilo que nos diz respeito é verdade. Não temos tempo para tirar todos os cursos do mundo que, teoricamente, nos possam habilitar a ter um pronunciamento acertado e assertivo sobre qualquer assunto que nos diga respeito. Mesmo com o perigo de errarmos, mesmo utilizando apenas as tais ideias que por aí se difundem, temos todo o direito de nos pronunciarmos. Essa forma de agir até tem uma vantagem. A realidade muda, novos acontecimentos ocorrem, novas opiniões se formam e desse modo estamos sempre prontos a recolher novas ideias sem curar de saber da sua compatibilidade com aquelas que antes tínhamos. Dispensamo-nos de qualquer esforço intelectual de elaboração dum discurso próprio e de assimilação coerente dessas ideias. Assim nunca chegamos a definir conceitos que nos possam ajudar a compreender a realidade e quaisquer ideias anteriores são facilmente descartáveis. Se necessário recorremos ao velho truque do “enganaram-nos”. Tal justifica o deitar fora todas as ideias que tínhamos coladas no nosso mapa mental para fazer parte do nosso argumentário do dia-a-dia e recolher aí outras. Hoje todo o candidato a manipulador e demagogo sabe que assim é e tenta utilizar os meios técnicos disponíveis para difundir as “suas” ideias. Estar em maioria nos orgãos de informação, conseguir dominar a agenda política, isto é, colocar lá os assuntos mais favoráveis e a sua visão mesmo que distorcida deles, ter os repetidores bastantes para levar as suas ideias a todos as camadas sociais, é o grande passo para aquela difusão de ideias elaboradas à medida. Para este efeito há regras próprias, porque o discurso não é imutável, é necessário começar de um modo e ir abrindo espaço à introdução daquelas ideias mais duras que realmente interessam à agenda escondida. Não interessam minimamente que as ideias sejam esclarecedoras, interessa sim que sejam colocadas num enquadramento sugestivo, de modo a encadeá-las, se possível, com outras já antes difundidas. A manipulação tem a ver com a lenta reorientação do sentido dessas ideias, com o seu lento reenquadramento, com uma subtil introdução num contexto adequado. A este fenómeno de uma sucessão de ideias concordantes e concomitantes designa-se por onda. Nós, os que nos submetemos às ondas, já não conseguimos ter o domínio total do nosso mapeamento mental. Do mesmo modo quem formou a onda e quem contribui para ela perde muitas vezes a capacidade de a reverter ou redireccionar. Normalmente só um embate brusco da realidade consegue destruir uma onda bem montada. Numa onda os conceitos adquirem uma configuração própria, no extremo a verdade pode ser a mentira. Desmontar a onda por via intelectual pode ser um esforço inglório porque implica um trabalho longo de análise de conceitos, da sua articulação, um desmontar da dinâmica social que lhe está subjacente. Montar uma onda contrária, capaz de vir a suplantar a que prevalecia anteriormente pode também não garantir o sucesso. Normalmente é a ocorrência de factos anómalos, imprevistos e negados por quem alimenta a onda em voga que pode levar a um revigoramento súbito de uma outra onda até aí inerte que pode inverter a relação de forças. Uma pequena onda que se forma em tempos mais desfavoráveis em oposição a uma outra maior tem possibilidades de marcar presença quando as condições se tornarem melhores. Quando tal não acontece, quando não aparece uma onda pronta a substituir a anterior, dizemos que ocorre o vazio. Como até quem beneficia com a grande onda dominante tem horror ao vazio incentiva sempre o nascimento de algum movimento de ideias contrário, alguma onda alternativa. No entanto não são as ondas que nos deviam interessar, mas sim as correntes de opinião e de pensamento necessárias para que uma comunidade projecte o seu futuro. As ondas são fenómenos passageiros, pouco estruturados e degenerativos. As correntes de opinião são fenómenos mais sólidos a que as pessoas se sentem vinculadas, em que as ideias têm um sentido preciso, que criam elos sociais. As correntes de pensamento são fenómenos mais vastos que permitem uma linha prolongada de actuação. Certas correntes podem-se tornar a prazo travões por desactualizadas, outras vezes remetem para aventureirismos despropositados. No entanto são as correntes de pensamento que permitem que se lute por ideais bem estruturados. Sem essa linha de actuação que possibilite o esforço colectivo não há progresso humano. A ansiedade actual deriva de estarmos sujeitos ao efeito das ondas e a não haver fortes correntes de pensamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2841007108029002845?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2841007108029002845/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2841007108029002845' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2841007108029002845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2841007108029002845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/04/ideias-ondas-correntes.html' title='Ideias, ondas, correntes'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2776464318080467784</id><published>2011-04-01T00:00:00.000Z</published><updated>2011-03-31T21:43:12.769Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O que podemos esperar da educação?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A educação mais antiga de que temos algum conhecimento, se de educação a podemos apelidar, passava por nos convencermos que nem todos tínhamos o direito de exercer todos os nossos instintos. Cada grupo da hierarquia social tinha os seus direitos, alguns partilhados com outros grupos, mas também alguns que lhe eram outorgados com certa exclusividade. A educação servia o poder e à sua consolidação. Os Estados com alguma estrutura preocupavam-se com a educação dum número restrito dos seus habitantes e os outros ficavam limitados à educação religiosa, mais preocupada com deveres do que com direitos e a sua partilha. A educação moderna também se não preocupou directamente com a partilha de direitos, somente se ocupou da sublimação daqueles instintos por parte de sectores mais vastos ou da generalidade da população como forma de atenuar a conflitualidade social. Partindo do princípio de que o homem é intrinsecamente mau, o progresso basear-se-ia em substituir os piores instintos, os mais agressivos, por instintos cada vez mais moderados. As reacções ofensivas teriam assim uma forma de controlo da sua intensidade. Dessa forma, sempre que houvessem conflitos, eles seriam resolvidos a um nível de agressividade mais reduzida. A educação moderna é um esforço intelectual meritório que o poder nem sempre acompanhou. Em especial no século vinte surgiram mesmo regimes totalitários que promoveram uma acção inversa de partilha de instintos agressivos, confiantes em que seriam capazes de os satisfazer e de consolidar por essa via o seu poder. Felizmente os regimes totalitários foram derrotados, tanto na Alemanha como na Rússia. A modernidade foi entretanto fazendo o seu caminho em países como a Inglaterra e a França, cuja base cultural, embora com muito custo, foi sendo suficiente para suster as tentativas regressivas. Em várias épocas da história se pode falar de um tipo de educação moderna que soçobrou perante o reavivar de fundamentalismos ancestrais, muitas vezes trazidos por invasores ou imigrantes que acabaram glorificados. Com base nessas experiências históricas os teóricos de direita defendem que a educação de tipo moderno traz atrás de si inevitavelmente a decadência. Na realidade essas experiências provam que a nível global temos de estar preparados para nos defendermos dos perigos que possam ocorrer e a sublimação dos instintos, que por essa razão existem, nem sempre é a melhor solução. Mas se cedermos aos instintos na sua forma primária estaremos a pôr em perigo os sistemas de valores que o homem foi construindo. A maioria dos Estados faz hoje sérias tentativas para conciliar a necessidade de defesa com a manutenção de direitos já quase dados por adquiridos, como a eliminação da violência nas relações sociais. Porém a dificuldade dessa conciliação, mais a dificuldade de identificar com precisão todos os perigos que podem ocorrer, criam nos Estados mais débeis a impressão de que está em causa a sua sobrevivência e a própria estabilidade social. Esta questão leva a direita a pôr em causa a continuação da educação moderna sustentada naquele princípio de sublimação dos instintos, o que criaria um homem fraco. Não seremos nós capazes de, por via intelectual, com a compreensão da natureza e modo de actuação dos nossos instintos, tratar directamente deles, sem necessidade da sua sublimação? Não podemos nós ter o domínio absoluto de nós mesmos e podermos utilizar as armas ancestrais de que dispomos por via daqueles instintos quando houver necessidade disso? Decerto que é um caminho difícil, mas capaz de levar a um novo tipo de educação a que podemos chamar de pós-moderna. Tratar-se-ia de alterar o imperativo de dar satisfação a um instinto sublimado por uma de duas vias possíveis. Uma via longa de conseguir o domínio absoluto sobre o surgimento dos instintos, na linha de uma mudança radical do homem. Haveria por essa via uma eliminação de um certo tipo de reacções de que somos portadores por terem assumido um carácter genético. Uma via mais curta e mais viável de tornar selectiva a resposta ao despoletar dum instinto. Uma inibição de natureza intelectual exercer-se-ia sobre a própria resposta, o que teria a vantagem de permitir que o processo inverso pudesse ser adoptado no caso de necessidade absoluta. Durante a nossa longa evolução fomos capazes de ir retardando as nossas respostas instintivas. O espírito de sobrevivência que nos levou a adoptar procedimentos rápidos em situações graves ter-nos-ia levado à sua ponderação até limites razoáveis. Porque não seremos capazes de uma inibição absoluta? Efectivamente em princípio fomos levados a adoptar, gravar e a despoletar de uma forma automática alguns procedimentos rápidos essenciais à nossa defesa e sobrevivência. A organização social impôs-nos restrições a esta forma de agir através da competição, da luta e da subjugação. A melhoria da organização social levou-nos a uma avaliação mais consciente dos pós e contras dessas atitudes espontâneas e à supressão prática de atitudes automáticas, pelo menos por parte dos que estão inibidos de exercer o poder. Este modo de agir baseia-se no princípio de que é necessário o apoio de alguma forma de coacção para levar à assumpção de uma qualquer forma de avaliação “consciente”. Assim, dissimulada embora a coacção, a sociedade vai incutindo na sua juventude uma ponderação atempada, o que não evita outras coacções pela vida fora. Nem todos aceitam participar numa sublimação de instintos agressivos, alguns até os cultivam. Não estaremos já suficientemente evoluídos a nível de capacidades intelectuais para substituir todos os processos mais ou menos coercivos e agir numa liberdade que assente na ponderação adequada num tempo de resposta que a situação justifique? Hoje a situação social é esquizofrénica. Homens teoricamente preparados para adoptar e agir segundo princípios de uma educação pós-moderna fazem tudo para manipular outros homens, a maioria dos quais é decerto prisioneira dos seus pequenos circuitos comportamentais que não conhecem paragem ou retrocesso por via dos processos intelectuais de que estão imbuídos. Toda a educação só é efectivamente eficaz se for suficientemente abrangente para não permitir movimentos contrários ao progresso da humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2776464318080467784?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2776464318080467784/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2776464318080467784' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2776464318080467784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2776464318080467784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/03/o-que-podemos-esperar-da-educacao.html' title='O que podemos esperar da educação?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-5690747581989974837</id><published>2011-03-25T00:00:00.000Z</published><updated>2011-03-24T21:38:20.450Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>O que esperar da juventude?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Quando a juventude que resultou do Baby Boom do pós-guerra, que viria a ser estudante nos anos 60, se começou a manifestar no México, em Paris, um pouco por todo o lado, as gerações anteriores temeram o pior. A violência era natural, fazia parte do material genético, psicológico, familiar, social e político. Esta geração não tinha achado outra forma de se exprimir. A violência era temida, mas também apelativa. Tudo estava bloqueado por temores antigos, mas não faltavam ideias simples, altruístas, temas fracturantes para incorporar nessa rebeldia pronta a estilhaçar barreiras. Fazer alterar coisas muito simples como a sexualidade foi para essa geração um objectivo grandioso que justificava grandes meios.&lt;br /&gt;Essa juventude manifestou-se com alguma violência. E dessa forma conseguiu colocar na agenda política muitas questões até então interditas. Na sequência dessa movimentação social viria mesmo a dar-se uma alteração significativa do modus vivendi. A sociedade viria a incorporar muitas das reivindicações então colocadas. No entanto a desigualdade económica agravou-se, só não foi levada a sério enquanto as melhorias iam chegando para todos. Os problemas financeiros vieram terminar com este estado de letargia. Novas questões ajudaram a criar um clima de insegurança que esta geração pensava já ter ultrapassado.&lt;br /&gt;Esta geração, uniformemente apelidada de geração de Maio/68, está, passados mais de quarenta anos, na sua fase mais madura. Já não é capaz de colocar as questões com o mesmo idealismo da sua juventude. Quando na generalidade já tem no seu curriculum vivências que garantem que os seus objectivos de vida foram em grande parte realizados, esta geração sente-se cansada e paradoxalmente insatisfeita. Mas, se a insatisfação que a geração de 60 transporta remete para a fadiga, remete também para a incapacidade de lidar intelectualmente com instintos sublimados. A geração de 60 nunca levou a violência a estados de excesso.&lt;br /&gt;Paradoxalmente esta geração de 60 está possuída duma verborreia inenarrável. Foi capaz de saber aquilo que faltava à anterior, mas agora não é capaz de deixar uma herança que livre os seus filhos das inquietações que julgava extintas. Terá enfim constatado que a sua contribuição enquanto geração para o progresso da humanidade não foi suficientemente significativa. Fez progressos grandiosos, mas que, como qualquer construção humana, ameaçam ruir. Tornou-se irritável e insegura com a responsabilidade do poder. O risco de atingir a senilidade sem deixar uma herança sólida tornou-se uma obsessão para muitos.&lt;br /&gt;Os progenitores desta geração de 60 temeram a sua irreverência, mas cedo ela foi capaz de ganhar respeitabilidade em detrimento da autoridade que até aí prevalecia. A geração de 60 era portadora de ideias novas, de novos paradigmas que afrontavam velhas ideias, esquemas ancilosados. Se a geração de 60 pôs em causa o poder, rapidamente se apercebeu que necessitava dele para implementar essas novas ideias e instituir paradigmas mais estruturantes. Hoje não sabe que fazer com o poder que detém. Como foi possível perder assim a sensatez quando dizem que a idade a traria?&lt;br /&gt;A geração de 60 chegou ao século XXI sem incutir nos seus filhos aquele temor reverencial com que ela via os seus ascendentes. As ideias que enformam a actual juventude são já bastante diferentes daquelas que eram vulgares então. Surpreendentemente é a geração mais velha a querer que a geração mais nova tenha um impulso semelhante ao dela para avançar com ideias e paradigmas sobre os quais se pudesse construir o futuro para as próximas décadas, como em certa medida eles construíram o seu nas décadas passadas. As suas próprias ideias estão esgotadas. Os seus paradigmas estilhaçaram-se.&lt;br /&gt;A geração de 60 foi capaz de avançar contra a família e a sociedade de forma frontal, sem subterfúgios. Abriu numa mentalidade arcaica e inconsistente uma abertura promissora. Quase acabou com os problemas de mentalidade, tornou todos livres, estabeleceu um padrão de modernidade que se difundiu largamente. Porém não terá resolvido muitas das questões então colocadas, principalmente aquelas que sempre foram tidas por cruciais para resolver o problema humano e social. Efectivamente mantém-se por resolver o problema do dinheiro e de tudo o que lhe está correlacionado.&lt;br /&gt;Chegamos a um tempo em que tudo se parece resumir à economia, tema que a geração actual vê com displicência. A desigualdade, sendo maior, não é vivida de forma tão afrontosa como o era em tempos idos. O discurso da geração de 60 era integracionista e referia aquilo que era calado, silenciado e condenado. A geração actual tem dificuldade em formular um discurso assim porque a sociedade já não assume ser segregacionista e ter temas tabus. Falta à actual geração um discurso mínimo para uma situação complexa em que convergem dados, opiniões de origem variada, mas baseadas nos mesmos esquemas mentais&lt;br /&gt;A geração de 60 juntava-se na rua, discutia na rua, agia na rua. A rua era para ela vital, como o espaço em que fazia sentido ter liberdade. Na rua colhia ideias e daí se partia para casa, para os grupos, para a sociedade. A actual geração descobre a rua, só que esta já mudou de natureza. A rua é agora a antecâmara de um estúdio de televisão, um espaço que incute algum receio e para o qual todos se preparam nessa perspectiva. A actual geração distraída em casa, no bar, na festa, parece querer voltar à rua. Porém, querendo ter um discurso novo, esbarra na hipocrisia, no cinismo, na mistificação que campeiam no discurso público, dominado pela transfigurada geração de 60. Não se é rebelde em casa. A actual juventude quer ser rebelde, mas encontra a rua dominada pela verborreia ordinária dos mais velhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-5690747581989974837?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/5690747581989974837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=5690747581989974837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5690747581989974837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5690747581989974837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/03/o-que-esperar-da-juventude.html' title='O que esperar da juventude?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4859517063327900775</id><published>2011-03-18T00:00:00.001Z</published><updated>2011-03-24T21:35:46.900Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A pirâmide que todos temos que subir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A pirâmide social é um facto, um dado sociológico, uma inevitabilidade que toma a forma de lei que se aplica a todos os organismos hierarquizados. Uma pirâmide pode ser mais chata ou mais aguçada, mas nos dois casos, quando o é exageradamente, é porque a realidade que ela representa enferma de alguma deficiência. Pois quando toma a forma de lei, de modelo a seguir, a pirâmide é a forma ideal para cada grupo particular de casos.&lt;br /&gt;Uma pirâmide demasiado chata representa um organismo pouco funcional em que há demasiados iguais a cada nível e uma concentração exagerada de poder de decisão em grupos inorgânicos. Uma pirâmide demasiado aguçada representa um organismo em que o poder de decisão está demasiado disperso por vários níveis, tornando morosa a chegada de uma decisão a quem tem que a executar e tornando difícil a identificação de quem tomou a decisão ou falhou na sua transmissão quando se trata de assumir responsabilidades.&lt;br /&gt;Uma pirâmide funcional será aquela em que o número de elementos dum nível inferior seja o adequado ao trabalho de coordenação do elemento do nível imediatamente superior e este se encontra acessível em tempo útil a cada elemento de nível inferior. As organizações sociais e as laborais, as informais e as formais, apresentam diferentes solicitações, diferentes gruas de exigência, são-lhe inerentes diferentes graus de responsabilidades, dando origem a uma variabilidade na sua eficiência prática. Dentro dum número limitado de opções, impõem-se o encontro do tipo de pirâmide mais adequado a cada caso.&lt;br /&gt;Numa sociedade em que as pessoas individualmente se desconhecem, a estrutura das pirâmides e a posição em que cada um participa já é um indicativo das suas características, muitas vezes é o único de que dispomos. Como o indivíduo participa simultaneamente em várias organizações, desenvolvem-se contradições entre essas suas participações, sempre reforçadas pelos inimigos e disfarçadas pelos amigos. Um desenvolvimento homogéneo de cada um pressuporia que não houvesse equívocos e as várias participações remetessem todas para uma única e unívoca posição na pirâmide social mais abrangente.&lt;br /&gt;Um indivíduo pode estar numa pirâmide a um nível bastante inferior e pode estar noutras a um nível mais relevante. Porém à medida que as posições sociais deixaram de ser herdadas, mesmo que essa herança continue a desempenhar um papel importante, já teve que prestar outras provas, passar por outros crivos para garantir idêntica posição àquela que noutros tempos receberia por herança. Individualmente há agora uma mobilidade social maior, mas essa mobilidade continua a ser bastante condicionada por muitos outros factores que o poder consegue controlar.&lt;br /&gt;A estratégia pessoal para a ascensão de posição na pirâmide social pode passar por diferentes formas de investimento que se repercutem em diferentes pirâmides de valor social. Sendo umas mais valiosas que outras a média ponderada resultante poderá representar a característica básica do indivíduo por constituir a sua inserção no panorama social. Este entendimento leva o indivíduo a investir o máximo nas organizações ao seu alcance de forma equilibrada. No entanto há quem pense que assim nunca sairá de uma mediania confrangedora e faça por investir tudo numa das organizações com maior visibilidade social e funcione assim como alavanca para outras.&lt;br /&gt;Só que uma boa participação numa organização pode não alterar significativamente a média das nossas intervenções, incluindo aquelas que ocorrem independentemente da nossa vontade. Quando se trata de criar imagens com segundas intenções utiliza-se essa boa participação para criar um simulacro de muitas outras participações que não correspondem à realidade. A nossa sociedade está cheia destes métodos para criar ídolos com pés de barro. Uma boa contribuição num domínio especifico mão é sinal doutras contribuições igualmente meritórias. Os casos comprometedores são mais do que evidentes.&lt;br /&gt;A modéstia recomendaria que não desistíssemos de vermos reconhecidos os nossos méritos, mas reconhecêssemos também os nossos fracassos. Essencialmente que mantivéssemos uma posição de equilíbrio no desequilíbrio social. Cada vez é mais difícil a uma pessoa dominar um grande panorama do saber já disponível. Mesmo assim poderemos e deveremos ter uma visão de conjunto, suficientemente versátil para assimilar aquilo que se vai adquirindo e suficientemente segura para nos dar estabilidade.&lt;br /&gt;Cada vez mais as pessoas se integram em mais organizações em cada uma das quais desempenham um papel diferente doutro. Cada vez mais cresce o número de pessoas inconformadas com a sua posição na pirâmide social. Mesmo a sua subida raramente lhes trás estabilidade. Cada vez mais a pirâmide de rendimento é a única referência para todas as comparações. Cada vez mais se quer vender o mérito como resultado do valor económico da pessoa em detrimento de procurar que seja dado o respectivo valor económico a quem demonstrou mérito dentro de uma organização.&lt;br /&gt;Não nos podemos furtar a pertencer a organizações, não nos podemos subtrair a integrar a pirâmide social. Cada vez mais difícil será livrar-nos da insatisfação e do desencanto por não podermos usufruir em plena das suas possibilidades. Cada vez há uma maior preocupação com o que nos falta do que há usufruto do que se tem. Sentimo-nos aprisionados num edifício a que falta o nosso empenho. Sem uma filosofia de vida, sem um olhar abrangente, sem uma postura em que a modéstia não conflitue com a afirmação, estamos a construir um edifício oco e sem sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4859517063327900775?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4859517063327900775/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4859517063327900775' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4859517063327900775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4859517063327900775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/03/piramide-que-todos-temos-que-subir.html' title='A pirâmide que todos temos que subir'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-6712267020730838635</id><published>2011-03-11T00:00:00.000Z</published><updated>2011-03-10T20:41:45.014Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Aspirações diferentes para um futuro diferente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;O futuro é uma aspiração a que todos nos julgamos e bem com direito. Porém que futuro? Entre o futuro que ambicionamos e aquele que viremos a viver vai decerto haver uma grande diferença. Como é raro sermos surpreendidos para melhor o mais normal será virmos a ter um futuro pior do que o que antevemos. Como não ganhamos nada em sermos surpreendidos, seja viver na ilusão dum futuro melhor ou viver numa amargura que se não justifica, o melhor é vermos a evolução mais provável mediante aquilo de que dispomos e que melhor conhecemos, a nossa mente.&lt;br /&gt;Mediante aquilo que temos tido e o que não tivemos, vamos construindo um futuro de desejos com pouca lógica interna. Não é saudável abandonar muitas das nossas aspirações e às vezes fazemo-lo por economia de recursos. Por outro lado esquecemos mais depressa aquilo que tivemos do que aquilo que não tivemos e na altura desejávamos ter tido. Recuperar as aspirações que tiveram sucesso pode ser bom para avaliar as aspirações de hoje. Aspirações há que são mesmo de abandonar, mas é bom que compreendamos as razões de as ter tido.&lt;br /&gt;Porque muitos de nós fomos comunistas ou, pelo menos, complacentes com eles? Não foi pela falta de informação que Salazar impôs, pela sua propaganda sem qualquer crédito intelectual. Sabíamos da perseguição aos escritores e intelectuais de Leste, da invasão da Hungria e Checoslováquia, da forma como os comunistas haviam ocupado o poder no Leste da Europa, e no entanto relativizávamos tudo, atribuíamos os erros cometidos ao facto de o comunismo ter despontado num país pobre e rural como a Rússia que era Imperial, mas atrasada no seu imenso território. O comunismo foi pensado para um país evoluído.&lt;br /&gt;Portugal era também um país atrasado, constituía uma máquina pesada, apática, difícil de deslocar para novos voos. Porém nos anos cinquenta o país estava exausto e Salazar prestes a cair. Só que paradoxalmente três factores haveriam de mudar o rumo dos acontecimentos. Primeiro a entrada na EFTA permitiu uma abertura ao comércio e a possibilidade de instalação de novas indústrias para aproveitar a mão-de-obra barata. Depois as guerras coloniais permitiram um reagrupamento, uma unidade à volta de um objectivo, porque então quase ninguém aceitava a perca das colónias e poucos políticos eram favoráveis à independência colonial. Em terceiro a emigração para a Europa Central foi o factor que descomprimiu a tensão social, permitiu mascarar a miséria dos campos, possibilitou a entrada de divisas preciosas para a manutenção do regime.&lt;br /&gt;Criou-se na década de sessenta um clima de condescendência com o carácter musculado do salazarismo, tendo este por seu lado suavizado o controlo sobre a população. A perseguição tornou-se mais selectiva. Dado o considerável apoio implícito dado às teses de Salazar, devido à ocorrência daqueles três factores atrás descritos, as organizações que podiam pôr em causa as suas teses tinham dificuldade de implantação na população em geral. As vozes incómodas que surgiram do lado da Igreja Católica foram colocadas de quarentena de forma fácil. Os velhos republicanos já tinham perdido o folgo.&lt;br /&gt;A adesão às teses de uma revolução democrática e nacional de Cunhal era ao tempo um desfecho plausível para quem queria fazer alguma coisa pela mudança de um estado de coisas moribundo, doentio, que, de qualquer modo e à força dos factores exteriores, daquilo que Salazar chamava de ventos da história, haveria de terminar mais dias menos dia, mas cuja espera nos desesperava. Já que assim haveria de ser, a maioria limitou-se a esperar mesmo que até lá tivesse que ir cumprindo os serviços mínimos que o salazarismo imponha. Os rebeldes eram poucos e na enxurrada em que se transforma a história deles não resta valor.&lt;br /&gt;Com Marcelo houve uma continuidade pouco evolutiva. O tempo encarregou-se dos estragos e Marcelo não conseguiria obviar ao estado de saturação dos envolvidos nas guerras coloniais. Ele subestimou o papel da motivação pessoal na moral das tropas e não conseguiu travar a avalancha exterior que cada vez mais ia ameaçando precipitar-se sobre o país. Portugal já estava num beco sem saída há muito, mas na realidade parece que ninguém se preocupava muito com isso, somente ninguém queria bater com o nariz na parede do fundo.&lt;br /&gt;Aqueles que tinham instituído o regime e tinham sido o seu sustentáculo durante uns cinquenta anos, o exército, sentiram a responsabilidade. Muitos levaram à letra os ensinamentos de Salazar, que atrás dele viria o comunismo, outros sobrestimaram a força deste e puseram-se ao seu serviço antes que fosse tarde. Outros ainda se reservaram até que fosse aplicada a decisão mais dolorosa que era a descolonização. Os 19 meses de PREC que ocorreram entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975 foram o período de descoberta para muitos, de aventura para outros, de realinhamento de pensamento e acção para aqueles para quem as dúvidas eram maiores que as certezas.&lt;br /&gt;Porque razão terão alguns abandonado o lado dos que no processo advogaram a aplicação do teoria comunista, cujo modelo já era conhecido? Em primeiro lugar porque a informação mudou, não só em quantidade, mas também de forma qualitativa. Havia agora a possibilidade de aferir da veracidade de toda a informação através de várias fontes. Depois, porque os comunistas começaram a aplicar métodos que se julgava abandonados e com uma ferocidade desconhecida. Os comunistas desrespeitaram os compromissos antes assumidos ao escolheram o lado errado da democracia. Houve quem gostasse, é certo, tenha esses tempos por gloriosos.&lt;br /&gt;Muitas pessoas passaram incólumes por este período e só acordaram com a queda do muro de Berlim em 1989. Outros ainda não acordaram. Cada um vive os seus próprios problemas pessoais e não é justo especular sobre eles. O que espanta é que parece que nada se passou e deparamos com um esgrimir de ideias sem correspondência com a realidade. Toda a subjectividade é aproveitada pelos comunistas para emitir as suas mensagens, constituída afinal apenas por ideias desgarradas retiradas de uma visão desfocada da realidade e que se destinam a provocar no receptor uma colagem pela repetição insistente. Os amanhãs que cantam emudeceram, mas há quem sonhe com passadeiras vermelhas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-6712267020730838635?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/6712267020730838635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=6712267020730838635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6712267020730838635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6712267020730838635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/03/aspiracoes-diferentes-para-um-futuro.html' title='Aspirações diferentes para um futuro diferente'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-1484208654816749081</id><published>2011-03-04T00:00:00.000Z</published><updated>2011-03-03T22:51:29.765Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Méritos e deméritos da meritocracia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Um conceito que tem tido o aplauso da direita e da esquerda sociais e políticas, não há nisto qualquer divergência, é a meritocracia. É um conceito especialmente apreciado, o que já não acontece com outros como partilha, lealdade, solidariedade, igualdade e muitos mais com mérito social indiscutível. No entanto há quem dê à meritocracia a qualidade de poder eliminar muitos dos males sociais. Segundo tais opiniões se a meritocracia presidisse à gestão da sociedade haveria maior satisfação e uma felicidade mais efectiva. Se uns acreditam por ingenuidade haverá outros que o fazem por nítido interesse.&lt;br /&gt;É incontestável que é da realidade que os teóricos extraem ideias como esta da meritocracia para com elas, purificadas na sua imaginação, construírem um mundo ideal. O senão é que essa realidade só tem em conta a ponta da pirâmide social. A realidade tem-se encarregado de desmentir o valor da aplicação prática de muitas destas ideias que se supõem puras, porque o universo todo a que elas se aplicariam é disforme. Ao mesmo tempo ter-se-iam de muitos outros valores e não aplicar somente alguns. A aplicação de um só conceito tem levado a resultados desastrosos. As ditas ideias puras deixam-se contagiar por aquelas que subestimamos como a lascívia ou a inveja.&lt;br /&gt;A meritocracia tem mérito, não a depreciemos, porém, tal como qualquer outro conceito, nele incluímos ideias que se podem analisar pelo mérito da sua contribuição para esse mesmo conceito, mas que também se analisam pelo seu próprio mérito. Ora os defensores da meritocracia, para dar crédito ao seu conceito, mas também para justificar a pirâmide social, colocam a igualdade de oportunidades como premissa. A igualdade de oportunidades é assim uma ideia igualmente meritória, que se conceptualiza deste modo como só fazendo sentido se na sua sequência se verificarem processos em que a meritocracia é o princípio aplicável, como se a pirâmide fosse toda assim construída.&lt;br /&gt;Sendo a sociedade um edifício necessariamente diversificado e com uma hierarquia, mesmo que só funcional, seria a igualdade de oportunidades a tornar legítima toda a divergência posterior. Assim, se colocarmos ou retirarmos mérito ao conceito de igualdade de oportunidades, estamos a fazer o mesmo ao conceito de meritocracia. Na realidade todos os teóricos da meritocracia sustentam que a igualdade de oportunidades é suficiente para que sobre ela se construa todo o edifício social, podendo assim fazer com que toda a restante evolução pessoal e social se desligue de qualquer outra preocupação, em especial da de igualdade.&lt;br /&gt;Podermos partir de uma igualdade de oportunidades teórica sem garantia de qualquer convergência ou sequer solidariedade em relação à chegada? A única sustentação teórica para a igualdade de oportunidades assim definida é o facto de nenhum lugar de chegada no topo da hierarquia social está vedado a quem parte de qualquer um dos lugares da base social. Assim a necessidade da meritocracia para garantir que um lugar de topo seja ocupado por quem merece é evidente, o que, no entanto não dá a garantia do respeito doutros valores.&lt;br /&gt;Os teóricos da meritocracia sustentam a pouca relevância social da perca doutras igualdades para justificar a ênfase dado à sua igualdade de oportunidades. Será esta suficientemente importante para valer por si e por si sustentar a meritocracia? Mesmo dando de barato a questão do que é relevante, a igualdade de oportunidades não resiste a uma análise dos próprios méritos. São muitas as razões aduzíveis para retirar à igualdade de oportunidades o carácter duma base absoluta que permita relativizar todas as desigualdades a que está sujeito o percurso pessoal e social de cada indivíduo e da sociedade.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar porque não é possível fixar em qualquer ocasião da vida um momento que possa assemelhar-se ao lançamento em igualdade de circunstâncias de uma corrida de atletismo. Pelo nascimento já temos um passado genético, neurológico, psicossomático que nos diferencia e nos coloca em diferentes blocos dum hipotético ponto de partida. Em segundo porque os ambientes familiares são profundamente diferentes, as tradições culturais são diversificadas e o ambiente e a cultura familiar são determinantes na construção do indivíduo e dos ambientes sociais.&lt;br /&gt;É verdade que a frequência de creches, jardins e escolas contribuem para uma certa convergência na uniformidade, para uma socialização em circunstâncias mais iguais, mas tal não garante que surjam crianças igualmente dotadas e preparadas. Mesmo as tentativas feitas em regimes totalitários, retirando as crianças do seu ambiente familiar para as desvincular de uma cultura ancestral que toda a família transporta, não tiveram qualquer sucesso. A igualdade de oportunidades é pois um esforço meritório que a sociedade deve promover com bom senso e sem extremismos no sentido de proporcionar a todas as famílias um mínimo de condições para criar, desenvolver e socializar os seus filhos.&lt;br /&gt;Mesmo que se conseguissem condições que trouxessem vantagens para todos e se fizesse dessa igualdade um ponto de honra, tal não desresponsabilizaria a sociedade de promover outras medidas que garantam durante a vida outras igualdades. A igualdade de partida tem que ser vista com a mesma relatividade doutras igualdades. Todas as igualdades são importantes e não se compensam mutuamente. A meritocracia, perdida esta base teórica, sustentar-se-á por si? Claro que não. Mas teoricamente será o melhor princípio para justificar a selecção de pessoas, se com ele não quisermos justificar todas as desigualdades abissais existentes hoje na sociedade.&lt;br /&gt;De qualquer forma a meritocracia tem os seus defeitos intrínsecos. Os instrumentos de que se serve para medir, a forma de avaliar e os elementos escolhidos para aferir do mérito são sempre controversos. Depois é impossível destrinçar o mérito doutros factores. Num percurso individual há sempre uma mão que é dada por alguém, um empurrão providencial que projecta os dotados de “mérito” para um sucesso meritório. A meritocracia não pode justificar tudo, mas também não pode ignorar os males que pode provocar. Hoje acusa-se a comunicação social de criar falsos ídolos. Porém a solução não é calar a comunicação, é preparar as pessoas para essa exposição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-1484208654816749081?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/1484208654816749081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=1484208654816749081' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1484208654816749081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1484208654816749081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/03/meritos-e-demeritos-da-meritocracia.html' title='Méritos e deméritos da meritocracia'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3846259870948501302</id><published>2011-02-25T00:00:00.000Z</published><updated>2011-02-24T21:10:09.643Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Há problemas sociais que são profundos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Há problemas sociais profundos, isto é, que se lhes não vê solução a curto prazo. Basicamente são o desemprego e a crescente desvalorização do trabalho dependente e pouco qualificado que constituem as principais questões à volta dos quais se desenvolve todos os problemas sociais. Lateralmente haverá uma questão de indigência, de exclusão social, de indiferença suficientemente genérica para que muitos a classifiquem erradamente de endógena. São problemas que realmente se podem transmitir de pais para filhos por via de uma inculturação profunda, mas que não são de todo irreversíveis.&lt;br /&gt;Cinjamo-nos no entanto às questões principais que hoje atormentam muitas pessoas e contribuem para revelar uma sociedade falsa, individualista, em que o egoísmo impera. Porém tal não deriva de um carácter maléfico das pessoas. O desemprego ocorre essencialmente entre aqueles que há anos foram retirados da sua actividade tradicionais, essencialmente a agricultura, e cujo novo trabalho não exige grandes qualificações, quando muito uma formação muita específica. Como se então já previa e foi um risco assumido por quem aceitou implantar esse tipo de indústria de trabalho intensivo, este novo trabalho só perdurou uma ou duas décadas. Mesmo assim durante demasiado tempo as pessoas foram ocupadas em trabalhos que exigiam pouco qualificação.&lt;br /&gt;Numa sociedade capitalista o desemprego não é um drama para os dirigentes, mas tornou-se uma arma política poderosa para todos os quadrantes políticos. A direita aproveita para desvalorizar o trabalho, incentivando a precariedade como forma de criar mais emprego. A esquerda usa a arma da indignação para acusar o grande capital de só ver o problema económico pelo prisma da rentabilidade e da racionalidade. Todos porém têm grande dificuldade de apresentar soluções perante a inevitabilidade do avanço tecnológico, a eficiência de novas formas de organização do trabalho e a concorrência exterior. Os dirigentes económicos exploraram até à exaustão o trabalho barato e agora querem continuar a pagar mal ao trabalho qualificado.&lt;br /&gt;No entanto aqueles factores são tão fortes e inelutáveis que até os sectores políticos mais extremistas cedem perante eles, não querem é dar a impressão de que o fazem e protestam com mais ou menos veemência, com mais ou menos sinceridade ou hipocrisia. No entanto, a não ser revelar-se em manifestações, a esquerda não encontra formas organizativas e linhas de acção por que possa lutar. A sua propaganda destina-se a chamar a atenção de quem possa estar para cair proximamente na mesma situação, no sentido um pouco ingénuo de que é possível prevenir. Mas será mais para alertar do que para impedir que isso aconteça.&lt;br /&gt;O centro nevrálgico da luta promovida pelos partidos militantes deslocou-se para a antiga classe média, onde está agora a capacidade reivindicativa e o poder monetário capaz de sustentar a sua própria luta. É uma classe média que engloba muitos sectores, mas quase na totalidade directa ou indirectamente dependentes do Estado e que reservam para si uma massa salarial muito relevante se compararmos com outros sectores laborais. Destaca-se a área do ensino e da saúde que envolve muitos profissionais bem remunerados que outrora, eram pior remunerados, mas estavam do outro lado da luta de classes.&lt;br /&gt;A focalização em classes sociais já bem instaladas e com qualidade de vida descredibiliza a luta contra o desemprego. Nem os empregadores podem dar essas condições a toda a gente, nem os pretendentes a poderem usufruir dos benefícios do trabalho podem ambicionar à partida atingir esses patamares. Se a realidade determinou o fim dos velhos sectores de trabalho intensivo que davam a maioria do trabalho, na verdade estes não deixam saudades. Mas temos de avaliar se o futuro poderá ser melhor.&lt;br /&gt;De futuro haverá decerto uma muito maior diversidade profissional, que, contrariamente àquilo que se pensaria há uns tempos, não vai acarretar a dispersão empresarial e uma maior pressão no sentido do aumento dos salários. Os sectores do pequeno empresariado entraram em decadência num processo de continua concentração do trabalho em unidades empresariais mais vastas, melhor organizadas e com economias de escala, mas necessitando de menos trabalhadores. As expectativas de vir a integrar o sector empresarial tornam-se cada vez mais ténues e os postos disponíveis para as mesmas funções é menor.&lt;br /&gt;As perspectivas que hoje se abrem já não são nos sectores tradicionais, mas noutros domínios com uma exigência de mais conhecimento e mais capital. Não estando estas perspectivas à disposição da maioria da população jovem de hoje podemos concluir que a expectativa geral é para os jovens a de virem a ser empregados de outrem, de organizações essencialmente com fins lucrativos. Perante o falhanço da esquerda extremista, a inoperância da esquerda moderada e a sofreguidão impaciente da direita, os jovens têm que pensar em novas formas organizativas que possam representar os seus interesses.&lt;br /&gt;Nos primórdios da industrialização houve quem pensasse que, destruindo máquinas se criava trabalho. Noutra fase pensou-se que, acabando com os detentores do capital, se criava trabalho e se dividia melhor o rendimento. Acabada a miragem comunista, caiu-se na exploração desenfreada do trabalho a pretexto da racionalidade, da eficiência, da adaptabilidade, da flexibilidade, da concorrência e de todos os outros factores que se lançam como inelutáveis aos olhos de todos. Na verdade não se podem criar postos de trabalho artificialmente, mas haverá outras soluções, como uma melhor partilha do trabalho disponível&lt;br /&gt;Com a liberdade dada aos manipuladores do capital para gerirem as imensas massas monetárias que estão concentradas em centros de decisão inacessíveis, criou-se uma dicotomia insanável entre a riqueza e a indigência. Para que a indigência se não torne um modo de vida aceite pela sociedade é necessário que a riqueza não faça o seu caminho cego e indiferente aos sentimentos solidários que devem constituir o fundamento da sociedade humana. Para que a nossa imaginação não deambule entre a riqueza e a indigência impõe-se uma participação mais generalizada dos jovens na política, não cristalizando nas ideias feitas, mas abrindo continuamente a mente ao futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3846259870948501302?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3846259870948501302/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3846259870948501302' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3846259870948501302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3846259870948501302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/02/ha-problemas-sociais-que-sao-profundos.html' title='Há problemas sociais que são profundos'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3990977126299206527</id><published>2011-02-18T00:00:00.000Z</published><updated>2011-02-18T21:11:33.549Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O Estado, as Leis, as Estruturas, as Pessoas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;O Estado é uma entidade de tal forma variada e complexa que temos muitas vezes dificuldades em lidar com ela. Quando necessitamos de interagir com o Estado é normal que ele se nos torne pesado, quando somos nós os solicitados, e seja demasiado leve e impreciso, se dele necessitamos. Nem sempre é fácil sabermos qual a estrutura dentro do Estado a que nos havemos de dirigir. Dificilmente temos uma noção de tanto departamento e gabinete que nos permita a navegação sem orientação.&lt;br /&gt;Se o assunto é complexo para nós, que muitas vezes fazemos de complexo o que é bem simples, somos levados a tentar saber quem é quem na máquina estatal para corresponder à nossa solicitação imediata. E como de velhos e maus tempos nos ficou a ideia de que o melhor é saber quem é a pessoa que mexe os cordelinhos da coisa, tentamo-lo, ou na sua impossibilidade ou inacessibilidade dirigimo-nos a alguém que pensamos ter ligações apropriadas ou relações que possam lá levar. Antigamente fazíamo-lo porque éramos néscios, hoje nem tanto. Um amigo, mesmo que falso e interesseiro, é a melhor âncora.&lt;br /&gt;A velha sabedoria diz-nos que há sempre um melhor caminho, por mais enviesados que sejam os troços que nos obriguem a percorrer. Ou porque queremos pressa ou porque nos queremos subtrair à acção de algumas disposições legais ou porque estamos mesmo saturados da burocracia, há sempre uma razão que nos leva à escolha destes caminhos ínvios que fazem as delícias dos mediadores da nossa praça. Há porém quem use tais vias com má-fé e desde logo para que quem facilite ganhe com isso e quem é facilitado pague menos ao Estado do que aquilo que está estipulado que todos paguem.&lt;br /&gt;Não há qualquer desculpa para fugir a este pagamento nomeadamente o facto do dinheiro posto à disposição do Estado ser por este muito mal gasto. E os políticos têm por obrigação expressa não fugir a um cêntimo com aquilo com que todos estamos obrigados a contribuir. Os políticos são pessoas iguais aos outros, até lhes podemos perdoar alguns destes crimes menores, no entanto é de lhes exigir que peçam o devido perdão por não terem resistido à tentação de fugir às suas obrigações legais. Afinal não os vejo a pedir esse perdão e crimes de alguns estão à vista.&lt;br /&gt;Tendo há já largos anos estado num serviço de atendimento ao público, colocou-se-me muitas vezes o dilema se seriam ou não legítimos e justos certos esclarecimentos dados aos utentes e que podiam fazer a diferença entre o deferimento ou não de um processo. Seria minha função omitir qualquer informação que pudesse beneficiar o utente ou teria a obrigação de ceder todo o conhecimento de que dispunha? Os próprios dispositivos legais eram e continuam a ser por vezes suficientemente ambíguos para permitir interpretações contraditórias. Como podemos estabelecer a diferença entre a promoção de um caminho mais benéfico em relação a um mais usual e natural?&lt;br /&gt;O dilema maior surgia quando a prestação ou a omissão de uma informação sobre uma situação específica relativa ao utente era colocada como uma questão de dever. Sendo servidores do Estado devíamos estar do lado deste e ser insensíveis a questões de justiça ou estar do lado do utente? Todos nós somos muito sensíveis a esta questão de justiça relativa, à diferença entre aqueles que não usufruem de certas facilidades porque são sinceros e humildes e aqueles que beneficiem de todos os apoios porque não são honestos, são arrogantes.&lt;br /&gt;A maioria de nós concordará sem pestanejar em que os humildes devem ser ajudados. Mas aqueles que são favoráveis ao rigor asséptico e sem contemplações acabam normalmente por vencer e, por incrível que pareça, isso só favorece os desonestos. Deambulamos muitas vezes entre a permissividade e esta moral farisaica de não fechar os olhos a nada a não ser em privado. Torna-se muitas vezes muito difícil encontrar o meio-termo, aquele que o legislador pretenderia atingir ao fixar o mais grave como o legal para que o mais humano e compreensivo pudesse ter algum campo de acção.&lt;br /&gt;Eu nunca teria dúvidas sobre o lado em que me haveria de pôr. Porque há imensa gente que não domina a burocracia e até desconhece certas prerrogativas que possui. Os defensores do Estado acéfalo dirão que se não deve ensinar qualquer particular a atingir certos benefícios que o Estado nos pode facultar. Para esses o servidor do Estado presta um mau serviço a este se estiver a elucidar os privados sobre a forma de atingir objectivos a que outros acedem por direito.&lt;br /&gt;Sempre entendi, mesmo quando não havia orientações expressas nesse sentido, que tudo devia ser claro e todos os esclarecimentos deviam ser prestados mesmo quando não expressamente solicitados. Há aqueles que sabem de tudo mesmo antes que as questões sejam colocadas no papel. Mas também há aqueles que, mesmo sabendo de alguma coisa, não fazem as perguntas que se imponham. São estes que devem ser ajudados, no pressuposto de que quem não está habituado a viver à custa do Estado não perde por isso direitos a vir a usufruir algum dia de um qualquer tipo de ajuda ou apoio.&lt;br /&gt;A nossa relação com o Estado é na prática a nossa relação com os seus agentes e servidores. Porém nem só estes são os responsáveis, nem só os actuais legisladores, nem só a herança do passado. Mas temos que presumir que quem dá a sua visão da Lei e dum direito consuetudinário, não reconhecido, mas aplicado, tem que ser capaz da melhor interpretação. A face do Estado são os seus agentes e servidores. São os juízes, são os fiscais, são imensa gente a quem é dado o direito, ou se arvora do direito de intervir na organização da vida em sociedade. A dúvida persiste sempre entre se o Estado está mal dotado de estruturas e leis ou se está mal servido de pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3990977126299206527?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3990977126299206527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3990977126299206527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3990977126299206527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3990977126299206527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/02/o-estado-as-leis-as-estruturas-as.html' title='O Estado, as Leis, as Estruturas, as Pessoas'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-763277457951600769</id><published>2011-02-11T00:00:00.000Z</published><updated>2011-02-11T14:12:32.091Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Nós, a sociedade e os grupos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;“O Pertencer A” é um sentimento que nos faz falta, que nos afasta da solidão e nos dá algum ânimo nos momentos de maior desesperança. Fazem-nos falta muitos dos grupos que encontramos na sociedade. É verdade que muitos também seriam dispensáveis, ao passo que sentimos a necessidade de novos grupos de cuja criação nos sentimos incapazes. Os grupos fornecem-nos a sua consistência própria e devem ter uma grande plasticidade que nos permita a pertença a vários grupos. Mesmo que não possamos falar por um dado grupo de que reivindicamos pertencer, sentimos um certo aconchego por nos acompanhar esse sentimento de proximidade com alguém.&lt;br /&gt;Nesta questão de grupos nem sempre a veracidade vence. Podemos viver de modo diferente, plenamente imbuídos do seu espírito ou com uma alheamento indisfarçável. Sentimo-nos por vezes desprezados, abandonados, porque a pertença a um grupo pode ser um conforto que nos alivia e anima. Sentimos um especial desconforto quando temos a sensação de que um grupo pertence a alguém. Situação mais grave é aquela que se pode viver ao sermos ou nos sentirmos excluídos de um grupo em que depositamos expectativas exageradas, seja ele da família, de amigos ou de outra natureza.&lt;br /&gt;Investir demasiado num grupo pode ter efeitos perversos, principalmente quando sobrevalorizamos o nosso contributo para ele. Vale pois a pena ser realista, pensar nos aspectos em que o nosso contributo será menor e não compensado pelos contributos noutras áreas que possam ser maiores. Atribuir todos os problemas ao egoísmo alheio não compensa o nosso desencanto com muitos grupos a que não desdenhávamos pertencer. O nosso contributo pode ser mesmo irrelevante para o grupo e nós vangloriarmo-nos daquilo que não damos. “Pertencer a” é dar e receber. Não pode haver equívocos.&lt;br /&gt;Um político quando se sente desligado ou ligado de modo deficiente a certos grupos sociais preponderantes remete normalmente para o povo, essa outra entidade grupal, aleatória, indefinida e inexpressiva a que todos pertencemos e a que ninguém, pelo menos nos momentos de aflição, desdenha pertencer. Os simples mortais como nós, quando se sentem demasiado “acossados pelos cães”, têm muita dificuldade em saber para que lado se há-de virar. Remetermos para o povo é um pretensiosismo que nos fica mal.&lt;br /&gt;Tal ausência de grupos a que possamos ter o sentimento de pertença pode levar a uma situação dramática. Em um ou mais momentos do nosso passado, de modo diferente na juventude ou posteriormente, podemos ter sentido que os grupos que existem não fazem sentido para nós. Pode ocorrer uma ausência de viabilidade de relacionamento, assim como uma descrença em relação à proximidade em que nos sentimos dos grupos em relação aos quais seria pressuposto haver uma razoável aproximação. Por vezes parece que a sociedade nos impõe a pertença a determinados grupos e isso pode ser insuportável.&lt;br /&gt;O suicídio é mesmo a solução encontrada por muitas pessoas que se vêm confrontadas perante estes aparentes becos sem saída. A impreparação e a falta de perseverança fazem com que muita gente venha a cair nos cadafalsos que lhes surgem no caminho. Para muitas pessoas este tipo de preocupações é irrelevante, em especial para aqueles que têm no “Ter” o centro do seu projecto de vida. Claro que se fizermos uma avaliação social este “Ter” leva nítida vantagem, não por estar numa situação de exclusividade, mas por ter uma preponderância que muitos, em situações menos favoráveis, pretendem escamotear para melhorar a imagem.&lt;br /&gt;O “Ter” tem importância, à volta dele se discute o contributo de cada um para a sociedade, e reconheça-se que procurar o “Ter” licitamente é procurar nessa medida contribuir para o todo social. Por nos ocupar a maioria do tempo, por ter um carácter primordial em muito desse tempo, o “Ter” assume hoje a nível social um carácter absorvente, pois para ele remetem todas as questões sociais relevantes, a justiça, a educação, a saúde, etc. Além do papel abrangente do dinheiro, o destaque dado pelo “Ter” é intransponível.&lt;br /&gt;Pelo “Ter” ter a importância que tem, por não poder ser ignorado, haverá pessoas que já o absolutizaram, ignoraram outros valores, sentem-se bem a partilhar a pertença a qualquer grupo formado na base da posse. É débil o cimento que agrega em si tais grupos. Não é na sua lógica que se deve deixar absorver todo o relacionamento social. Este deve existir muito para além do seu domínio. Infelizmente a maioria das pessoas, não se sentindo com cabedal para integrar a sua lógica, deixa-se enredar na lógica contrária de contestação permanente do “Ter”, o que não tem qualquer valor moral ou prático e em última instância remete para a mesma lógica do “Ter”.&lt;br /&gt;Pertencer a grupos do “Não Ter” ainda é no entanto uma atitude que parece fornecer dividendos sociais. O espírito humano está cheio de contradições que só se deslindam, descobrem e se desfazem ao atingir um estado apropriado de maturação. O “Ter” é a solução mais lógica e imediata para o “Não Ter”, mas o caminho de cada um tem complexidade diferente. O nosso dilema é que os jovens têm ainda pouco tempo de pensamento das questões sociais e aceitam muitos estereótipos e os velhos estão presos a parâmetros que não lhes permitem ver para além do umbigo. Se deixarmos que os jovens esperem pelas suas próprias contradições, a humanidade não avança.&lt;br /&gt;Pertencer a grupos sociais do “Ter” não é crime, desde que não o seja em exclusividade. Também não é obrigatória uma diversidade absoluta, cada um de nós tem uma idiossincrasia que nos faz ter “inclinações”. Tentar não ceder em demasia e dar o valor àqueles que cultivam valores diferentes é um exercício de cidadania saudável e eficaz. Pertencer a grupos cujo objectivo seja a partilha e não a exploração intensiva de um sentimento redutor, não se deixar reduzir à pertença de grupos do “Ter”, é o caminho que nos ilumina, mesmo que tais grupos sejam apenas virtuais por muitos anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-763277457951600769?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/763277457951600769/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=763277457951600769' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/763277457951600769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/763277457951600769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/02/nos-sociedade-e-os-grupos.html' title='Nós, a sociedade e os grupos'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-1541342795088177719</id><published>2011-02-04T00:00:00.000Z</published><updated>2011-02-03T13:44:49.189Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Se calados alguém falará por nós</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Todos nós já tivemos esta impressão, estou convicto. Esta impressão é mais suave se derivar da ideia de que não nos deram tempo para expressarmos a nossa opinião, espaço para falar, atenção para ouvir. Mas esta impressão é mais acentuada se, permitindo-nos tempo, espaço e atenção, há mesmo assim a humilhação, desprezo ou simples usurpação da nossa voz. Então três atitudes básicas podemos tomar, conforme a circunstância.&lt;br /&gt;Mesmo considerando que não devemos prescindir da nossa voz, podemos, sendo isso bem claro, dar o assentimento em que alguém fale por nós. Se pertencemos a um grupo mesmo informal e alguém expressa o consenso que nele se obtém ou se presume que nele aja, não vale a pena estarmos a acrescentar nada. No entanto há sempre alguém que queira acrescer algo, que nem tudo foi dito. Muitas vezes é puro preciosismo, porque, se o porta-voz é bom, terá dito o suficiente e possivelmente até terá acertado na essência da questão. Com essa atitude por vezes baralha-se ao querer acrescentar uma vírgula.&lt;br /&gt;Não se coloca aqui a questão do reforço da voz que nos representa. Essa é outra questão que tem a ver com o poder de intervenção social da pessoa ou do grupo social em que nos integramos. Porque, se não for assim, teremos que analisar também em que medida esse reforço de intervenção corresponderá ao abafar de outras vozes, à omissão de outras opiniões. E esta análise é feita no pressuposto de que queremos que todos tenham voz.&lt;br /&gt;Uma outra atitude será de dúvida. Num inquérito podemos pôr sempre a dúvida se a nossa opinião está lá expressa. Ou porque não fomos ouvidos, mas também porque nem todos o podíamos ser, ou porque, se o fomos, entendemos que, propositadamente ou não, ouviram mais pessoas com opiniões contrárias à nossa do que com opinião igual. Ou ainda estes últimos se revelaram menos motivados para ir votar, para responder ou para clicar em qualquer botão de uma qualquer janela da Internet. Ganham os mais activos.&lt;br /&gt;Em última instância podemos dizer que o inquérito estava mal feito e não permitia expressar convenientemente as várias opiniões possíveis, confundia as pessoas, seria até despropositado na ocasião em que foi feito. A escolha das questões tem que ser criteriosa, feita de modo a obter uma resposta para a pergunta essencial que o inquérito consubstancia. Em simultâneo as questões têm que ser colocadas de forma clara e acessível ao máximo das pessoas e no momento adequado.&lt;br /&gt;Num inquérito a maneira como é feita uma pergunta é uma condicionante não desprezível. Se um inquérito se não destina ao universo das pessoas, isso tem que ser salientado na sua divulgação. Também num inquérito não podem surgir perguntas que já têm resposta objectiva, a não ser que se queira saber o nível de conhecimento das pessoas e não a sua opinião, como é pressuposto. Num inquérito nunca pode estar em causa a inteligência, a cultura, a actualização das pessoas, a não ser que esse seja o objectivo expresso.&lt;br /&gt;Outra atitude que podemos tomar perante a circulação das opiniões é a rejeição do seu aspecto, é a negação de que a nossa opinião esteja de algum modo expressa, como que se alguém se negasse também a ouvir-nos. No caso extremo é o surgimento do vazio, dum espaço em que as nossas ondas se não propagam, duma opacidade às nossas imagens, aos nossos argumentos, aos nossos alertas. Essa barreira por omissão de meio de divulgação é a mais comum. Não é por respondermos a muitos inquérito que somos mais ouvidos.&lt;br /&gt;Quem está do lado de lá dirá que o nosso som é pouco audível, que há uma expressão mínima da nossa opinião e que se ela não é mais avantajada é porque não “calha” no meio social em que se insere. Esta explicação satisfará algumas pessoas que até se comprazem em ser vincadamente diferentes e estar isoladas. Mas muitas mais pessoas pressentirão que essa omissão é propositada e não é dada expressão suficiente às ideias com que mais se identificam.&lt;br /&gt;Num inquérito muitas vezes as perguntas são escolhidas conforme as respostas que se querem obter e quando muito deixar-se-á um escape para as outras respostas que não cabem nos seus propósitos e podem portanto estar misturadas, agrupadas, indefinidas. As outras opiniões são aquela escapadela que permite que se diga que todo o universo se pode ver reflectido num inquérito, mas, se isso serve para uns propósitos generalistas, não serve para propósitos mais minuciosos.&lt;br /&gt;Mas, em termos de opinião pública, todas as opiniões são válidas e devem ver reflectido o seu peso relativo. O que quererá dizer que todas as opiniões devem ser tidas em conta sem que necessariamente qualquer delas tenha que ser seguida. A opinião pública é um espelho em que nos devemos reconhecer. Sem termos a pretensão de traçar uma bissectriz que defina o sentido da acção, podemos mesmo assim concluir que nem todas as correntes têm na opinião pública a repercussão correspondente ao seu volume, já para não falar do seu valor.&lt;br /&gt;Quando alguém verifica que pertence a uma corrente que não está a passar em lado nenhum, será normal ficar apreensivo. O pior que pode acontecer é ela nem oposição suscitar, porque isso é mesmo sinal de que está a ser escondida. No fundo todos nós desejamos ter voz para que ela também influencie os outros, mas se estamos à espera de uma repercussão directa positiva ou negativa, podemos ter que esperar sem sucesso.&lt;br /&gt;Podemos fazer alguma coisa para que ao menos ninguém fale por nós, deturpe a nossa voz? Podemos falar claro e evitar opiniões intriguistas. De resto toda a influência que nós possamos exercer na sociedade é de longo prazo, mas para todos, para aqueles que da Lei da Morte se vão libertando e para aqueles que nunca constarão de compêndios e extractos. A inteligência passa pelo mundo e deixará sempre algum efeito no seu rasto, desanuviará o ambiente, mas as dificuldades são o hábito e a apatia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-1541342795088177719?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/1541342795088177719/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=1541342795088177719' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1541342795088177719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1541342795088177719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/02/se-calados-alguem-falara-por-nos.html' title='Se calados alguém falará por nós'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-1335978188872885458</id><published>2011-01-21T00:00:00.000Z</published><updated>2011-01-21T13:30:30.286Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O futuro visto nas entrelinhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Todos nós fazemos antevisões, antecipações, todos exploramos com mais ou menos afinco essa possibilidade que a nossa mente nos permite. No entanto perdemo-nos muitas vezes a estudar a probabilidades de acontecer aquilo que gostaríamos que acontecesse em detrimento do realismo. Mesmo assim não sei se não haverão mais pessoas a preocupar-se em demasia com aquilo de muito desagradável que não é provável que lhes aconteça. Quando gastamos muito tempo nessas conjecturas, esse tempo pode tornar-se mais importante que os resultados a que se possa vir a chegar.&lt;br /&gt;A antecipação de situações específicas deriva de um treino para melhorar a eficácia da nossa intervenção. O corpo e a mente podem ser preparadas para obter melhores resultados. Porém, cada vez mais, o nosso investimento não deve ser somente numa tarefa, mas sim num rumo, num caminho suficientemente largo para que nele caibam possibilidades diversas. Também quando fazemos alguma previsão é natural que tenhamos mais hipóteses de sucesso conforme é maior o nosso conhecimento de todas as forças envolvidas e das suas inter-influências.&lt;br /&gt;De onde nos pode chegar o conhecimento? Atrás de nós temos uma experiência secular, temos uma infinidade de actos e de sentimentos que nos permitem simular e projectar sobre o futuro. A nossa estrutura mental e corporal já assimilou essa experiência tornando-a saber acumulado com carácter quase definitivo. Mesmo assim nós falhamos. Há sempre uma maneira particular de participar nesse passado colectivo que se prolonga na maneira própria de abordarmos o futuro. Mas essa subjectividade que nos ajuda é também a casca de banana que nos faz escorregar.&lt;br /&gt;Somos colocados perante a angústia de não podermos dar realização a projectos que a dado momento entendíamos que o futuro podia comportar. No entanto no geral nós estamos entre os afortunados que substituem a angústia da derrota pela saudade dos tempos áureos do nosso percurso de vida. Aos mais infelizes restar-lhes-á repensarem seriamente em descobrir quem os terá tramado, mas essencialmente em concluir que haverá aspectos da sua visão da realidade que terão aceite ou criado como certezas apressadas. Os tempos mais felizes são aqueles em que o “tempo” decorre com suavidade, lentamente, sem ansiedade.&lt;br /&gt;Estamos habituados a ver muitas pessoas a fracassarem. A vida não foi para quase todos nós um passeio triunfal. E por várias vezes tivemos que reformular os nossos projectos e algumas vezes o nosso rumo. O sucesso de cada um está sempre, entre outros factores, dependente do rescaldo do insucesso anterior. Aquele desanimo que nos afecta tem que ser visto somente como uma chamada de atenção, um apelo quase imperativo para experimentarmos outro rumo ou então para nos prepararmos melhor para nova tentativa ou para a insistência no rumo perseguido.&lt;br /&gt;Muitos estratagemas a que recorremos pretendem um suavizar do caminho escolhido. As obsessões em encontrar um culpado, mesmo no caso de ele ser o próprio, são em escape que nos exige demasiadas energias e percas de tempo e que raramente podem ter sucesso. O optimismo é praticado por aqueles que começam por retirar do seu passado, do histórico que acumularam, as referências a experiências que fracassaram e podem constituir assim contágio nefasto. Os optimistas ganham ânimo por obterem a possibilidade de activar somente os aspectos positivos.&lt;br /&gt;O pessimismo é no entanto o mais divulgado. Os pessimistas activam constantemente o que de pior lhes ocorreu na sua experiência pessoal ou na experiência a que socialmente se vinculam. É como se antecipassem a desilusão, o que não é realista. Pressupor-se-ia que entre optimismo e pessimismo haveria um caminho mais racional e que esta racionalidade nos levaria a uma abstinência em relação a atitudes pré-concebidas e à selecção somente das experiências que têm mais relação com o nosso projecto. Caso se não recolhessem por esta via elementos suficientes então ir-se-iam buscar ao exterior e não à nossa memória do que de pior nos aconteceu. Mas o peso da racionalidade no pensamento universal é incrivelmente leve.&lt;br /&gt;Ter consciência das nossas dificuldades e debilidades não pode ser um passo para nos paralisar mas para as ultrapassar. Também é necessário ter consciência dos obstáculos que nos são postos pela postura dos outros quando se confrontam connosco mesmos. Também eles procuram antecipar o seu futuro e o futuro deles tal como o nosso também vai depender de cada “ser que se projecta no futuro”. Nem todos encontrarão os mesmos entraves e o mesmo sucesso, nem todos adoptam os mesmos métodos e a mesma moral. A nós cabe-nos aperfeiçoarmo-nos.&lt;br /&gt;É problemático se alguma vez atingiremos certezas, tanto sobre nós mesmos, como sobre o passado que também é o deles e mais ainda sobre o que os outros pensaram, pensam ou venham a pensar para constituir o seu futuro. Mas podemos aprender muito sobre as motivações que vamos identificando e que nos podem permitir esperar um comportamento ou outro, tanto nosso, como dos outros.&lt;br /&gt;É dos comportamentos individuais que se fazem os colectivos, mas estes têm uma força enorme na criação e na fixação das motivações mais fortes porque temos uma estranha cedência à imitação. Podemos pois esperar que uma alteração forçada dos comportamentos colectivos seja benéfica para os comportamentos individuais. Por isso nós ansiamos por “Sebastiões” e “F.M.I.s” e olhamos pouco para nós mesmos. Depois de tantas acusações parece faltar quem nos condene, quem nos obrigue a alterar a escala de valores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-1335978188872885458?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/1335978188872885458/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=1335978188872885458' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1335978188872885458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1335978188872885458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/01/o-futuro-visto-nas-entrelinhas.html' title='O futuro visto nas entrelinhas'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3129323174836248280</id><published>2011-01-14T00:00:00.000Z</published><updated>2011-01-13T20:42:18.681Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O leque de opções alargou-se nas Presidenciais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A Presidência da República é um cargo unipessoal, que confere poder e portanto provido de carga política. O nosso sistema constitucional democrata começou mesmo por dar poderes ainda mais latos ao Presidente, mas essa vertente presidencialista perdeu-se no hibridismo do regime transitório que juntou militares a um Presidente também oriundo do seu seio. O regime que vingou reserva mesmo assim alguns poderes presidenciais, fazendo-o distinguir claramente dum regime parlamentarista puro em que o Primeiro-Ministro, por inerência ou por delegação, exerce o verdadeiro poder supremo e o Presidente só promulga leis e decretos.&lt;br /&gt;Esta seria uma razão acrescida para que escolhêssemos para a Presidência da República alguém com capacidade de exercício de poder, do seu limitado poder, mas ponderado, capaz de encaminhar os conflitos que sempre aparecem para soluções que não sejam apenas transitórias e sejam benéficas ou menos gravosas para o País. Mas toda a espécie de conflitos. Um princípio a ter em conta nas actuais circunstâncias é de que nem tudo se resume à economia, aliás como noutras circunstâncias se não resumiria à cultura, à saúde ou ao ambiente.&lt;br /&gt;Embora cada homem tenha a sua formação mais centrada num dado domínio, para que as suas tomadas de posição sirvam a coesão nacional, é necessário ter em conta o peso relativo de todos e de cada um desses domínios e a sua interdependência. Quem tem poder não pode olhar com superficialidade para os outros domínios nos quais não é especialista, quaisquer que eles sejam. Tal será uma manifestação pretensiosa e desprovida de sensatez.&lt;br /&gt;Se analisarmos o perfil dos vários candidatos cada um de nós tirará decerto conclusões diferentes com possibilidades de acerto diferente. Cada candidato possibilitar-nos-á imagens de diferente solidez. Neste aspecto Cavaco Silva apresenta a imagem mais sólida. O longo cumprimento da sua intervenção pública permite uma análise mais detalhada e precisa. Durante estes anos ocorreram factos que atestam o seu modo timorato de agir quando tem à sua disposição uma parcela considerável de todo o poder.&lt;br /&gt;O carácter timorato de Cavaco, a sua incapacidade para lidar com suficiente abertura com o mundo, leva-o a recorrer aos sentimentos mais mesquinhos quando não está à altura dos grandes desafios. A sua cooperação estratégica terminou grotescamente com o episódio do Estatuto dos Açores, não pelo assunto em si, no qual tinha razão, mas pela forma enviesada como colocou a questão, pretendendo declaradamente atingir o Primeiro Ministro, o qual nem manifestou opinião na questão.&lt;br /&gt;Depois “quis” aproveitar as toscas declarações acerca duma pretensa asfixia democrática para lançar um problema de escutas que o seu staff tentou congeminar. Acabou mal e envergonhadamente. Mas para fechar ainda “melhor” a sua magistratura de influência veio armar-se em pitonisa que tudo previu, tudo alertou, como se tudo pudesse ser resolvido antecipadamente, sem que as uvas estivessem maduras. A verdade é que, a aceitar que Cavaco Silva tenha chegado a uma conclusão académica catastrófica, tem que se reconhecer que falhou porque não soube converter essa antecipação numa mensagem política audível e clara.&lt;br /&gt;Há em Cavaco Silva ao lado de uma capacidade analítica no domínio económico há uma superficialidade atroz em que a maioria da realidade lhe passa ao lado. Manuel Alegre é um aristocrata de esquerda que na fase final da sua vida se empenhou em construir um castelo sem cimento. Muitos socialistas sonham domesticar o Bloco de Esquerda. Muitos bloquistas sonham conquistar o Partido Socialista. As armas com que todos vão para este estranho casamento são desiguais e é diferente a fé na sua eficácia. Uns constrangidos, outros amuados, outros renitentes, alguns resistentes, todos se preparam mais para a derrota mais provável do que para a vitória inesperada. Aliás ninguém saberia o que fazer com a vitória.&lt;br /&gt;Temos também o candidato do P.C. Francisco Lopes que, como sempre, pretende manter a chama acesa de um comunismo já insólito e deslocado. Está na ingrata posição de ser o candidato do único partido capaz de promover uma política de renúncia e se vê na contingência de defender a classe média instável, desleal e gulosa e que nunca lhe trará votos sólidos. É o candidato do vulgar consumismo.&lt;br /&gt;Fernando Nobre é o candidato bem intencionado, humanista, mas também ávido de reconhecimento, conhecedor das lacunas dos candidatos anteriores, mas incapaz de as preencher. É demasiado ingénuo, correndo o risco de se tornar hipócrita. Quem se mete na política não pode sentir embaraços. José Manuel Coelho é um fruto exótico da Madeira, impetuoso e frontal, e a quem os bem pensantes levantarão todas as dificuldades. Procura avidamente o assunto que possa ser a sua rampa de lançamento.&lt;br /&gt;A maior surpresa é Defensor Moura, o candidato que nasceu do embaraço socialista, que analisou as contradições de Alegre e Cavaco e se propõe com uma segurança inesperada preencher com realismo e uma visão clara e despretensiosa o espaço de ponderação e bom senso de que os outros candidatos fogem, quais abelhas loucas, fustigadas pela fuligem da refrega entre forças políticas ávidas de poder. Em quem votar? Há opções para todos. Ceder à facilidade ou ser mais exigente? Escolhamos bem!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3129323174836248280?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3129323174836248280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3129323174836248280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3129323174836248280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3129323174836248280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/01/o-leque-de-opcoes-alargou-se-nas.html' title='O leque de opções alargou-se nas Presidenciais'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3465750613588610492</id><published>2011-01-07T00:00:00.000Z</published><updated>2011-01-06T14:03:06.141Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O que nos espera no futuro?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Haverá muitas técnicas de ler o futuro, de fazer previsões. No entanto não é necessário grande esforço. Todos nós transportamos um pouco do passado, algum presente e mais um pouco desse futuro. Um pouco que é aquilo que nós pensamos ser a nossa contribuição para esse futuro. Fazer a antevisão, a previsão, integra-se no esforço mais vasto de actualização que nós vamos fazendo, em parte conscientemente, em parte de forma inconsciente, mas decerto já informado pelos nossos conhecimentos anteriores.&lt;br /&gt;Assim a probabilidade de nos enganarmos é igual ao enviesamento com que nós estamos a ver e a viver o presente e à forma menos acertada com que abordamos o passado. Há porém um facto que nos levará a pensar de modo um pouco diferente. É que se nós tudo fazemos para aprender, se a maioria de nós procura estar melhor preparada, é normal que vejamos o futuro com mais saber do que aquele com que o víamos quando o nosso passado ainda era futuro.&lt;br /&gt;Vendo as coisas somente em termos de melhoria ou pioria somos levados a integrar nas nossas previsões o factor exterior a nós, a mudança que é esperada no comportamento dos outros e consequentemente nas instituições com pequenos e grandes poderes que proliferam no mundo e mesmo à nossa volta e que têm procedimentos controversos. A nossa esperança será sempre que haja melhoria dessa parte, independentemente dos motivos com que alimentamos tal expectativa.&lt;br /&gt;Tenho para mim que esta é uma atitude saudável, que em nada fere o realismo com que devemos procurar estar no palco da vida. Esta atitude constitui uma barreira às ideias que se lançam sobre os outros com todo o género de suspeitas. A ideia de que, se nós nos preparamos melhor para um futuro mais auspicioso, há sempre quem com mais força se vá preparando para nos tramar despudoradamente nesse tempo, poderá ter fundamento em alguns sinais, mas não é ideia que se alimente para bem da nossa saúde mental. Ter esperança é tão só não aceitar o ataque sistemático e aniquilador dessa esperança.&lt;br /&gt;É bom que nós saibamos e que tenhamos até alguma experiência dos sentimentos, mesmo dos que não devemos cultivar. Aliás só assim o poderemos decidir por opção própria. Não podemos ser ingénuos ao ponto de acreditar em qualquer fundamentação que nos queiram dar para defender pontos de vista sobre o futuro que nós não temos maneira de aferir. Os discursos moralistas são no geral vazios na convicção que quem os profere tem de que não precisa de encontrar provas porque já é o dono da plena razão. Mesmo que os moralistas sejam acompanhados por uma imensidão de gente que proclame o pessimismo, tal não nos convence a nós.&lt;br /&gt;A nossa esperança tem que ser uma atitude da base, como tal susceptível de ser confirmada ou de nos provocar uma desilusão imensa. Ter esperança é estar preparado para a celebrar, mas também para conviver com a decepção que a realidade nos possa vir a provocar. A esperança fortalece a nossa posição moral porque confirma que se o futuro não vier a ser aquilo que nós queremos que seja, não será decerto por nossa culpa. Depois desta posição de base só nos falta vir a confirmar, pelo nosso parco contributo e essencialmente por uma atitude geral, o que dizemos.&lt;br /&gt;Tendo cada um de nós uma antevisão sempre actualizada do futuro, há momentos em que nos debruçamos mais incisivamente sobre ele, em que fazemos uma reflexão mais profunda, em que procedemos a uma consolidação mais consciente da nossas dúvidas e certezas, dos terrenos em que somos mais indecisos e daqueles em que somos destemidos. Um desses momentos, aquele em que há uma reflexão mais abrangente e mais acentuadamente colectiva sobre o futuro é esta época de Fim de Ano.&lt;br /&gt;Quem tem projectos muito específicos para o Ano que entra faz normalmente um cálculo dos proventos financeiros que poderá obter para os poder satisfazer. Não pondo em cauda a legitimidade deste procedimento não concordo fundamentalmente com dois dos seus aspectos. Um é a especificidade. É de todo mais saudável que se invista numa maior diversidade de projectos e não numa só variedade. Depois é o preço. Não é de todos fiável que avaliemos o mérito dos projectos possíveis a que nos podemos dedicar pelo seu custo. Gastar muito dinheiro, e a correspondente ganância em o obter, podem não ser sinal de bom senso.&lt;br /&gt;Este Ano coloca-se-nos um problema mais complicado. Há uma crise que vem de há uns oito anos e que se terá acentuado há uns cinco, uma outra crise mais grave que surgiu há dois anos e que terá revelado a sua verdadeira expressão há seis meses. Tantas crises sucessivas tiveram o mérito de nos ir preparando para aquilo que os mais avisados já tinham previsto há mais de quinze anos. Não podíamos continuar a viver indefinidamente acima das nossas possibilidades.&lt;br /&gt;Nunca como hoje se soube tão bem o que vai acontecer no futuro sem que consultemos os astros. Para suavizar um pouco o ambiente só nos resta pedir complacência a Santa Ângela Merkel. Ninguém nos safará de que o grosso das medidas que estão a ser adoptadas nos vá cair em cima. Afinal já todos só desejamos que haja justiça, porque aqui vale mesmo a afirmação de que se formos todos a aguentar, se o peso se distribuir por todos será menor. Já que não há igualdade na fartura, ao menos que não haja desigualdade na penúria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3465750613588610492?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3465750613588610492/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3465750613588610492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3465750613588610492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3465750613588610492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2011/01/o-que-nos-espera-no-futuro.html' title='O que nos espera no futuro?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2259879396739499582</id><published>2010-12-24T00:00:00.001Z</published><updated>2011-01-01T21:06:39.574Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A eterna magia do Natal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A verdade é que não vimos sempre o Natal da mesma maneira. O nosso modo de ver o passado em geral vai-se modificando e vamos fazendo o apelo aos nossos sentimentos para continuar a enquadrar certos factos e acontecimentos na nossa vida. Tenhamos vivido mais emoções agradáveis ou mais emoções desagradáveis, temos hoje outra forma de ler o que então aconteceu. De qualquer modo, consigamos ou não efectuar essa releitura com sucesso, o passado não se pode renegar assim de um dia para o outro, embora muitos o façam por razões superficiais que não resistem a uma ponderação mais atempada dos próprios.&lt;br /&gt;O Natal é daqueles episódios de que temos motivos para esquecer alguns, louvar outros e olhar com indiferença para muitos mais, mas se fizermos uma súmula de todos eles continuaremos decerto a ter do Natal uma visão positiva. Podemos dizer que o Natal é a festa para a qual mais pessoas contribuem, mais dinheiro gastam, mas também mais apelam à participação dos outros, mais entusiasmo empregam na sua participação. Não podemos dizer que um Natal foi pior ou melhor conforme o bacalhau que comemos ou as doçarias que provamos. Também não o podemos classificar pelas prendas que nos deram ou deixaram de dar.&lt;br /&gt;Mas não restam dúvidas que, por poucos que possam ser os anos que usufruímos da magia do Natal, foram aqueles em que ousamos esperar por uma prenda no sapato que mais presos estão à nossa memória ou têm nesta mais espaço reservado, por pouco explícito que seja. Havia então algo manifestamente diferente do que acontece nos dias de hoje. Era o significado que o tempo tinha, a maneira diferente como nós lidávamos com ele. Havia um tempo de espera, um tempo que era destinado a essa simulação que, acreditando nós ou não nela, era parte constitutiva da festa, dos seus mistérios e deslumbramentos.&lt;br /&gt;Hoje torna-se muito mais difícil cortar o tempo, suspender o tempo, dar um espaço de tempo próprio a uma vivência que nós sabemos ser única e embora cíclica, decerto modo irrepetível. Vivemos hoje de tal modo atemorizados que não largamos o tempo da sociedade, não temos ocasião para cultivar relações e sentimentos que não tenham a ver com aquilo a que nós chamamos o futuro e que tanta apreensão nos causa. Não se trata somente da maior velocidade que foi imprimida à vida, mas de termos adoptado um estilo de vida que atropela tudo, impõe um ritmo único a todos.&lt;br /&gt;O Natal não é propriamente um tempo para continuar a dar largas ao pessimismo, mas para fazer um apelo às forças que o possam suster. No entanto o que se pode fazer de pior para isso é tornar o Natal um tempo de slogans. No Natal devemos procurar realçar aquilo que nele há de mais genuíno, mas não lhe atribuindo qualidades que não tem. Também não é com o Natal que vamos corrigir tudo, até porque o tempo é pouco. Importante é continuarmos a fazer do Natal aquele tempo para ser vivido na presença de bons sentimentos, como um momento que valerá a pena recordar mais tarde.&lt;br /&gt;Porém a sociedade está a conduzir-nos para uma vivência única, sem tempos e sem ritmos. O individualismo não será a causa, antes será a consequência duma forma de opressiva e permanente imitação colectiva. Precisamos de alimentar continuamente o Eu só porque o ambiente é agressivo, impiedoso, inumano. Numa sociedade aberta já se não recorre apenas aos velhos truques da hipocrisia e do cinismo individuais, mas recorre-se à desvergonha e malvadez colectivizadas.&lt;br /&gt;Criticamos a sociedade, mas quando damos por ela, estamos todos a colaborar. Ao nos preocupamos somente em nos safarmos individualmente não somos senão vítimas dum estado de coisas para o qual vamos também contribuindo. Até os instrumentos colectivos de que hoje dispomos já estão imbuídos da maior perversidade. Todas as formas de associativismo humano estão minadas pelos mais diversos vícios. A actual apologia do Eu resulta em muito do fracassos das vias pelas quais se procurou estruturar o nosso viver colectivo. Mas convenhamos que se não deve construir um edifício em cima da areia movediça.&lt;br /&gt;O dilema da humanidade é este, o Eu de cada homem está em permanente construção. A nossa confiança tem que residir na possibilidade de construirmos uma identidade colectiva suficientemente sólida para resistir no essencial e se ir reconstruindo também pela vida fora. Ao homem só lentamente lhe vai sendo permitido evoluir no sentido de conhecer os mistérios do seu próprio Eu. Hoje os conhecimentos já serão bastantes para se começar a pensar em intuir outros sentimentos pessoais e colectivos, em estruturar outros princípios que suportem outras regras de convivência.&lt;br /&gt;Talvez a humanidade nunca consiga resolver, dentro de parâmetros saudáveis, o dilema da colaboração/competição que é imanente ao pulsar da mente humana. Mas pode melhorar muito. O Natal é esse momento que está ainda no tempo primordial, na inocência anterior às inevitáveis roturas, na satisfação ingénua da existência. Preservar o espírito de Natal é contribuir para manter a esperança num mundo diferente, em que seja maiores as convergências do que as divergências.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2259879396739499582?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2259879396739499582/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2259879396739499582' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2259879396739499582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2259879396739499582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/12/eterna-magia-do-natal.html' title='A eterna magia do Natal'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2288286027089390468</id><published>2010-12-17T00:00:00.001Z</published><updated>2011-01-01T21:02:36.384Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O dinheiro é fonte de relações impessoais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A maioria dos bens que sempre fascinaram as pessoas ainda são aqueles que continuam a fascinar. Esse fascínio tanto se exerce sobre aquelas pessoas que acedem a esses bens normalmente, como sobre aqueloutras que nunca imaginarão serem capazes de a eles aceder. Porém à medida do progresso alguns bens foram perdendo algum fascínio ou, por os vermos mais próximos, passaram a fascinarem-nos doutro modo. O dinheiro está entre aqueles bens que mais fascínio nos criou e persiste no nosso imaginário por si próprio ou porque é a via mais eficaz de acesso a muitos outros bens igualmente fascinantes.&lt;br /&gt;Outrora víamos o dinheiro a uma outra distância, estava no domínio de alguns e a maioria de nós preocupava-se em obter um pouco dele mas para logo o gastar. Não chegava a satisfazer aquele fascínio e nesse aspecto o dinheiro era o mal que se disfarça e persiste em nos enganar. A maioria de nós ficaria pobre por toda a vida, porque só a custo obteria meios para subsistir. Vivíamos permanentemente em crise porque era difícil obter um trabalho certo e bem pago, porque havia excesso de mão-de-obra. Felizmente entretanto ocorreram algumas mudanças.&lt;br /&gt;Ao capitalismo, emergente pela mão da burguesia, interessava o aumento da circulação de dinheiro, o aumento da oferta de trabalho, o aumento da procura dos bens produzidos. As remunerações do trabalho cresceram, o dinheiro circulou com mais facilidade, chegou mais próximo da vista de cada um, passou mesmo a ter um significado diferente. Surgiu outro interesse pela posse de dinheiro, pela questão do seu valor e das suas flutuações. Ao mesmo tempo surgiu a preocupação em saber quem detinha a posse do dinheiro porque tal era correspondente à detenção do poder.&lt;br /&gt;Formou-se então uma corrente de pensamento, o iluminismo, que concluía que a posse do dinheiro e do poder seria mais vantajoso na mão do Rei do que na mão dos senhores feudais. Essa linha de pensamento evoluiu para o comunismo e passou a defender a posse do dinheiro pelo Estado em detrimento dos particulares e do Rei. O Estado como Entidade mais benigna que o Rei, teoricamente sem barriga e sem humores ou deslumbramentos, trataria do dinheiro, da sua distribuição sem ter que respeitar políticas de favor. Também seria um modo de impedir a acumulação do dinheiro e a sua aplicação caprichosa.&lt;br /&gt;Esta corrente de pensamento defendia que o Estado era capaz de garantir um controle bastante do dinheiro. Uma das formas a que o Estado podia recorrer para ajudar a esse controle e para diminuir o fascínio do dinheiro seria a usufruição livre de bens colectivos de que o Estado se apropriaria. Porém as experiências históricas não levaram a uma boa gestão desses bens teoricamente colectivos nem conduziram a uma gestão equitativa da inovação e do desenvolvimento. Uma razoável distribuição do dinheiro não correspondeu a um bom nível de desenvolvimento social.&lt;br /&gt;O Estado não é uma entidade abstracta, é uma organização específica cujo principal elemento é o homem. Ora o homem não se deixa reduzir à função que lhe caiba em sorte, corrompe-se e deixa-se corromper. Seja qual for o tipo de organização do Estado o fascínio que o dinheiro provoca é o mesmo, a atractividade que ele exerce é superior à de qualquer outro bem e não é anulável por qualquer entidade.&lt;br /&gt;Por outro lado o facto de o Estado ser poder com implicações muito mais vastas do que a simples gestão do dinheiro e da riqueza levou a graves anomalias nas experiências efectuadas. Além de se ter ficado longe de uma boa gestão da economia, a vida social foi afectada ao ponto de terem sido postos em causa direitos humanos e princípios de respeito pelo mais elementar humanismo. Houveram mesmo situações extremas de indignidade, bestialidade e perversão.&lt;br /&gt;Embora haja alguns resquícios dessa linha estatal de pensamento a sua evolução natural conduziu à atribuição ao Estado de um papel mais reduzido, mais limitado, mas mesmo assim com uma intervenção significativa na economia. Esta nova linha de pensamento defendida pelos socialistas renega a anterior e tem pontos de contacto com a orientação preconizada por aquele liberalismo que não assenta num individualismo radical. E em menor grau há pontos de contacto com a orientação que o dirigismo de direita preconiza num sentido idêntico ao da antiga monarquia.&lt;br /&gt;A maioria das sociedades actuais encontram-se nesta situação de equilíbrio instável que tanto pode conduzir numa direcção mais socialista como noutra mais liberal. Uma das características comuns e mais importantes destas duas orientações é o monetarismo, a redução do dinheiro à moeda e da riqueza ao dinheiro. Só os extremistas de esquerda e de direita subestimam esta alteração irreversível no valor do dinheiro.&lt;br /&gt;As sociedades mais primitivas eram orgânicas, satisfaziam as suas necessidades através de transferências directas entre os seus membros. O comunismo foi uma tentativa de regresso a esse passado com a ajuda da intermediação de um poder forte entregue ao Estado. A direita ainda hoje mantém esse espírito em que tem também lugar o caritativismo e outras transacções não monetárias. Há pontos de contacto entre a Esquerda do Partido e a Direita da Pátria, a que por vezes se junta Deus e a Família.&lt;br /&gt;Por mais execrável que o dinheiro possa parecer, ele está incrustado hoje na nossa vida. O dinheiro tem a vantagem de tornar impessoais relações que o devem ser, sendo porém necessário sabermos onde devemos parar. Há na sociedade outras relações mais pessoais que se não devem deixar contaminar pelo dinheiro. Da parte daquela esquerda e daquela direita integralistas continua a fazer-se chantagem sobre a sociedade com princípios que estarão em perigo perante a arremetida do dinheiro. Não será porém de considerar que existe o perigo de o dinheiro conseguir dar um carácter de impessoalidade a toda a nossa vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2288286027089390468?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2288286027089390468/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2288286027089390468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2288286027089390468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2288286027089390468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/12/o-dinheiro-e-fonte-de-relacoes.html' title='O dinheiro é fonte de relações impessoais'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3612698891469723156</id><published>2010-12-10T00:00:00.000Z</published><updated>2010-12-10T13:45:01.247Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Como lutar contra a pobreza?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Há uns anos a esta parte, em especial depois da queda do muro de Berlim, o capitalismo, não tendo mais que temer, lançou-se à reconquista do pouco que havia perdido e, para nossa desgraça, levou à corrosão do pensamento social-democrata, vulgo socialista. De cedência em cedência a perspectiva baseada no papel do trabalhador, em que por princípio assentaram as ideias de esquerda, foi sendo abandonada. A luta contra a pobreza virou choradinho intragável.&lt;br /&gt;Resistiram os comunistas, enquistados na defesa de declarações de fé já há muito desligadas da realidade e que só fazem sentido dentro dum universo discursivo fechado, já não mais que património arqueológico dessa esquerda fundamentalista que no terreno se implodiu há vinte anos. Hoje essa esquerda em Portugal entretêm-se na ajuda à manipulação de índices, uma atitude pretensamente científica que pretende reduzir cada homem a um número.&lt;br /&gt;A vida política de hoje resume-se às tentativas dos seus profissionais e de algumas figuras ávidas do palanque do “faz de conta que sou político” para fazer tudo para que os sentimentos das pessoas se coloquem numa empatia consigo mesmos, de certo modo à sua disposição. Essas tentativas passaram já por outros domínios em que se pretendia a manipulação directa de sentimentos, mas estão hoje mais viradas para os tais índices, criando linhas viciadas de raciocínio que conduzam às pretendidas conclusões.&lt;br /&gt;Os índices mais utilizados são aqueles que se referem às pessoas, querendo com eles dar uma visão da evolução que terá ocorrido de modo a sair mais favorável em relação às épocas em que as forças políticas que defendem tenham tido mais poder ou tenham estado mais próximas dele. Porém qualquer índice só pode ser utilizado na perspectiva em que se fundamente, na qual foi construído. Ora os tais índices foram construídos noutras perspectivas e não numa perspectiva pessoal, nem sequer numa perspectiva do trabalhador.&lt;br /&gt;Todos aqueles índices que se referem à realidade económica são construídos numa perspectiva do capital, do empresariado, da estrutura liderante da sociedade. Isto também assim acontece porque se invoca como razão a utilização de uma visão pretensamente independente e equidistante, mas também porque a esquerda fundamentalista que sobreviveu à queda do muro de Berlim tem um único sonho que se resume a um retorno ao capitalismo de Estado, useiro e vezeiro na mesma manipulação.&lt;br /&gt;Um caso aberrante é o do índice de pobreza que é utilizado com intuitos que revelam o cinismo de quem o usa. É necessário ter em atenção que no sistema capitalista o homem não é a medida de todas as coisas, antes o homem é, como todas as outras coisas, avaliado em termos das disponibilidades financeiras que pode proporcionar. A medida é o valor que as coisas assumem em termos de troca. Por isso se querem liberalizar os despedimentos, que o mesmo é dizer, trocar um trabalhador por outro sem que isso implique custos.&lt;br /&gt;Para compensar uma manutenção mais cara do que a duma máquina, o empregador não quer suportar custos de aquisição. Por este andar o trabalhador terá que adquirir um posto de trabalho pagando-o. Porém não é este o caminho que me interessa agora seguir. Fiquemos tão só pela pobreza que existe e é necessário combater. Mas não noutra perspectiva senão numa perspectiva humana, à medida do homem e dum padrão de dignidade que lhe devemos atribuir de início, antes da ocorrência de todos os outros factos e inclusive do direito ao trabalho no sistema capitalista.&lt;br /&gt; Os economistas, que hoje já não são mais do que econometristas, colocam o índice de pobreza em valores monetários com que se presume que as suas condições mínimas de existência como trabalhadores seriam satisfeitas. Este critério teria a sua lógica só que é impossível a sua aplicação universal. Parte daquilo que seria necessário num local pode ser dispensável noutro. Depois na economia não monetária, de troca directa, que números aplicar para calcular o índice de pobreza? Os valores que podem ser atribuídos ao produto do trabalho e ao consumo mínimo num sector económico não mercantilista são impossíveis de calcular.&lt;br /&gt;Este tipo de índices são ainda menos ilegíveis, isto é, não traduzem uma visão imparcial e séria, quando aplicados a períodos históricos diferentes para fazer a comparação entre épocas distantes umas das outras. Em primeiro lugar porque não podemos definir para um tempo passado as mesmas necessidades que sentimos hoje e com um custo idêntico para uma satisfação igual. Depois porque há uma grande subjectividade na forma de apreciar até as mesmas necessidades de hoje e do passado.&lt;br /&gt;O tipo de vida, o ambiente social, o contexto que envolve a vivência de cada ser humano ontem e hoje, mesmo tratando-se da mesma pessoa, determinam diferentes graus de satisfação com diferentes motivos e prioridades. A subjectividade do fenómeno da pobreza leva à dificuldade da luta contra ela. Há quem diga que o que é necessário é que se fale dela para que não esqueça e se possa lutar contra ela. No entanto é aberrante que se fale em novos pobres e se metam no mesmo saco aqueles que, com aquisições impensadas de bens e património, se endividaram em excesso. Na minha opinião em qualquer plano a primeira etapa é definir com clareza o objecto da nossa luta, sem o que tudo é vago, impreciso e ineficaz.&lt;br /&gt;É mais fácil definir um objectivo como a atenuação das desigualdades gritantes, bem como o seria a eliminação da fome, se ainda fosse caso disso. Nesta sociedade que se quer atribuir alguma qualidade, qualquer manifestação de fome tem que ser seriamente combatida. Mas não haverão dúvidas que o maior problema de hoje é constituído pela desigualdade que se acentua. Tanta desigualdade traz a pobreza mas não só e combatendo-a eliminaremos também outros efeitos tão gravosos como a pobreza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3612698891469723156?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3612698891469723156/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3612698891469723156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3612698891469723156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3612698891469723156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/12/como-lutar-contra-pobreza.html' title='Como lutar contra a pobreza?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-9126037626923070509</id><published>2010-12-03T00:00:00.000Z</published><updated>2010-12-03T22:17:25.647Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O que mudou em dois anos?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Há dois anos atrás quase todos tínhamos a certeza de ter chegado à identificação da origem de todos os males. Seria a ganância, esse sentimento entranhado no nosso código genético que era capaz de nos levar a cometer loucuras, a passar desvergonhas, mas também a praticar muitos sacrifícios para que os nossos olhos se pudessem encher de brilho ao contemplar o resultado da nossa acção. Fosse dinheiro, ouro, acções, imóveis e móveis reluzentes em tudo os gananciosos podiam ver o seu bem que normalmente seria o mal dos outros, o fruto representativo de todo o mal que estará espalhado por esse mundo além.&lt;br /&gt;Em dois anos o caminho percorrido tem sido outro. Os manipuladores do dinheiro estão desculpados, o mercado está divinizado, passou até a ser um elemento castigador tão necessário à nossa redenção. Cumpramos as regras do mercado e tudo estará bem. Já não vale a pena procurar saber quem está por trás da origem do mal, quem é o real soberano do mundo de hoje, quem pode ditar regras sem que lhe vejamos a sua cara, sem o responsabilizarmos pela sua fiabilidade, sem obter a garantia que tudo será melhor para quem as cumprir e que tudo será difícil para quem quiser fugir ao seu cumprimento.&lt;br /&gt;Passados dois anos há uma culpa colectiva a expiar. O mal já está na gula colectiva e abstracta. Na realidade assim como o rico não é quem tem muito dinheiro, mas quem o gasta, assim quem causa prejuízo à comunidade não é quem ganha o dinheiro é quem o gasta sem o ter. Andamos anos e anos a comer aquilo que não era nosso. Recorremos ao fiado para satisfazer apetites que a televisão, os amigos e até os inimigos nos foram transmitindo. Não é que soframos do mal da inveja. Sofremos somente dos defeitos de sermos seres de imitação.&lt;br /&gt;Ao fim de dois anos não só trocamos de culpados, como também é diferente a culpa pela qual estamos dispostos a julgar os outros. Há um mal geral de que ninguém quer assumir a responsabilidade, mas também que temos dificuldade em atribuir a alguém porque tínhamos de reconhecer que alguém nos quereria mal e ninguém se assume. Quanto ao bem já achávamos ultrapassados os castigos do Éden e podíamos partilhá-lo sem sermos castigados por isso. Faltará quem nos convença que por este facto temos um quinhão de culpa pessoal a assumir. Fomos cúmplices, dirão, ninguém pode andar tanto tempo distraído, mas não nos convencem.&lt;br /&gt;Dois anos depois do começo da crise continuamos com dificuldade em identificá-la. Afinal existe uma só ou mais crises? Andam a enfiar-nos crises após crises, uma por cima das outras, sem hipótese de nos vermos livres de uma que não apareça logo outra para nos tolher o raciocínio. Até há quem diga que a crise é permanente, uns destrinçando que o sistema está em crise, outros dizendo que a crise é própria do sistema. Para uns a crise tem o tempo da sua vida, para outros o tempo que decorre até surgir uma nova. Já sabemos muito de crises, mas desta, da última, sabemos menos do que sabíamos então.&lt;br /&gt;Dois anos são pouco para que possamos concluir que o sistema que tem hoje a hegemonia planetária, o capitalismo, tenha um salvo-conduto perpétuo. No entanto podemos reconhecer desde já que o capitalismo de Estado, vulgo comunismo, já viu os seus dias e assim já não pode ser responsabilizado pelas crises. As restantes formas de capitalismo tem uma resistência superior e mais versátil do que a que respeita ao capitalismo de Estado. No entanto teria o comunismo descoberto que pode ser mais seguro juntar à defesa dum sistema a defesa de uma memória familiar e que o comunismo monárquico possa ser uma solução? Veja-se a Coreia do Norte. Mas se esse mal subsiste a culpa não é nossa.&lt;br /&gt;Em dois anos ter-se-ão acumulado experiências que até aqui só julgávamos poderem ser vividos numa eternidade. Em dois anos o não saber pôde respirar de alívio pelos falhanços sucessivos do saber aplicado. Falharam os astros do poder, os da oposição quase poder. Falharam políticos, financeiros e economistas. A estatística e a previsão foram fracassos seguidos. Muita ciência que se presumia existir, e que não estava sequer ao nosso alcance, foi sendo posta em causa no deslizar do tempo. Afinal o que não está em causa é a dignidade dos ignorantes.&lt;br /&gt;Dois anos são pouco tempo e a sua importância não será relevado no futuro por quem vive agora a sua juventude. Mas proporcionaram uma experiência nova, surpreendente, inesperada para quem já julgava ter vivido tudo e julgava o tempo linear. Gerações futuras talvez se riam da leviandade com que vivemos este tempo, da ligeireza com que abordamos soluções que teimam em fugir à nossa frente. Para as gerações futuras o que se está vivendo talvez seja só o fogo crepuscular que fecha um tempo histórico que queimou demasiadas energias para pouco proveito efectivo.&lt;br /&gt;Dois anos são pouco tempo para sepultar um saber e para construir um outro novo e que não permita tanta manipulação. Mas não podemos ficar satisfeitos com a vitória do não saber e deixarmos que se perca o fermento que se formou porque há sempre algo a aprender no meio de tanta asneira. Não podemos perder a ocasião de banir a hipocrisia que anda aí disfarçada de ingenuidade. Também não podemos permitir que nos continuem a enganar com uma ingenuidade que afinal apenas ambiciona ser hipócrita. Mas acima de tudo confirmou-se que não existem vacas sagradas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-9126037626923070509?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/9126037626923070509/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=9126037626923070509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/9126037626923070509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/9126037626923070509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/12/o-que-mudou-em-dois-anos.html' title='O que mudou em dois anos?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-8495704273341541245</id><published>2010-11-26T00:00:00.000Z</published><updated>2010-11-26T21:48:41.125Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A cópia que nos envergonha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A meritória iniciativa do “Jornal Alpiarcense” de abertura das suas páginas a colaborações com “textos exclusivos” terá começado da pior maneira. Debitar textos parece ser obrigação dos políticos e dos candidatos a tais, porque na verdade anda aí imensa gente de que se não conhecem as ideias. É bom que a Imprensa Regional também publique textos políticos, o problema estará sempre na originalidade, que talvez seja mais necessária nesta Imprensa do que na que tem carácter Nacional.&lt;br /&gt;A escrita é a melhor forma de apurar uma linha de pensamento para políticos e não políticos. Na minha perspectiva é louvável, mas também profundamente saudável escrever, escrever para iluminar o nosso caminho e, se formos capazes disso, de iluminar o caminho dos outros. Parto do princípio de que, se eu souber por onde vou, os outros poderão ganhar algo com isso. Infelizmente sabemos que não é bem isto com que os políticos se preocupam, raramente caminham do pensamento para a acção.&lt;br /&gt;Os políticos seguem antes e preferencialmente o caminho inverso. Partem das necessidades da acção para o pensamento, isto é, procuram justificações da sua acção em argumentos bebidos na realidade de hoje. Vendo a realidade nesta perspectiva, digamos que defensiva, a ninguém se pode impor que produza uma argumentação original que tenha pensamento inéditos, que não copie aqui e ali frases que já foram proferidas por outras pessoas no contexto ou em contextos similares.&lt;br /&gt;Porém não é admissível que alguém, para dar forma a um texto pretensamente inédito e até exclusivo, copie parágrafos completos de três eminentes pensadores públicos, Cardeal José Policarpo, Adriano Moreira e Jornalista Teresa de Sousa, sem os citar expressamente. Tal abuso revelado pelo Jornal de Notícias em 18 de Novembro de 2010 e ainda não justificado pela sua autora Teresa Freitas, é mais grave ainda porque no texto em causa são plágio o titulo e nove dos seus dez parágrafos. Para salvar o carácter original temos somente o arranjo e o parágrafo final.&lt;br /&gt;A autora terá o mérito de se ter esforçado por tirar conclusões de uma amálgama de excertos colados ao desbarato, sem um fio condutor. Mas não é isso que se impõe nestes tempos difíceis, não chega dar sinais de vida, dizer que se está presente e atento à opinião dos outros. Em relação aos políticos, e é de uma política que se trata, tem que se exigir muito mais. Não chegava fazer aquilo que a Senhora fez, juntar num puzzle afirmações avulsas, mesmo que as tivesse identificado, como era devido. É necessário que se dê consistência às nossas próprias opiniões, para sermos nós a responder por elas.&lt;br /&gt;Escrever por obrigação é decerto uma violência a que se não deve submeter ninguém, sob pena destes resultados. Mesmo um convite para escrever pode ser uma forma de coação sobre alguém. Por seu lado uma recusa de publicação podia ser mal interpretada. A culpa será em última instância da Escola, é aí que ainda é possível esticar as orelhas a alguém. Porém a Escola demite-se da sua função de ensinar a escrever porque infelizmente a maioria dos professores nem sequer está em condições de exigir tal tarefa a eles mesmos.&lt;br /&gt;Reconheço que exagerei na última afirmação. Mas como todos nós nos sentimos bem a distribuir culpas, é a culpa que nos realiza, deixei ficar esta no texto e vamos lá dar também muitas culpas ao aparelho educativo que vai sobrevivendo Ministério após Ministério. As pessoas gostam que nós nos refiramos a estas Entidades um pouco abstractas, mesmo que saibamos bem que quem as constitui são pessoas concretas e que, pelo menos é o que se presume, tenham tarefas concretas a desempenhar.&lt;br /&gt;Não vou dar aqui uma qualquer solução para o problema, o melhor é deixar a culpa solteira. Há areia dentro da máquina, quem a vai lançando e a quem interessa que ela esteja sempre emperrada fica para outra abordagem. Há alguém, não sei quem, que não se preocupa minimamente em que os alunos venham a sair da Escola sem saberem utilizar a escrita como o instrumento mais eficaz para nos ajudar, não só a memorizar, mas essencialmente a aferir a qualidade do nosso pensamento.&lt;br /&gt;A boa escrita sob o ponto de vista formal será uma parte do caminho que é necessário percorrer para nos pôr a transmitir correctamente as nossas ideias, mas também para nos entendermos correctamente connosco mesmos. Porém também é necessário percorrer o resto do caminho sob pena se estarmos a construir um edifício intelectual estéril, bom para nos auto-justificarmos, mas incapaz de nos permitir respirar fora dos contextos que nós somos pródigos a construir no mundo imaginário com que sempre nos cercamos.&lt;br /&gt;Temos que desconfiar da escrita que sobrevoa a realidade, sendo que não são a referências a casos concretos, tão do agrado de certos políticos, que tornam o discurso mais credível. Também não nos podemos convencer que são as trivialidades que nos permitem que comuniquemos com os outros e que consigamos assim manter uma leitura plausível da realidade. Esta é demasiado dura para os instrumentos mentais com que dotamos a nossa juventude. A tarefa da Escola só pode ser esta: de dotar o intelecto de métodos sérios de trabalho, não permitindo que nos andemos a copiar uns aos outros. A pedra parte-se na Escola. Não podemos utilizar a Escola só para aprender a copiar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-8495704273341541245?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/8495704273341541245/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=8495704273341541245' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8495704273341541245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8495704273341541245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/11/copia-que-nos-envergonha.html' title='A cópia que nos envergonha'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-5314707954326637515</id><published>2010-11-19T00:00:00.002Z</published><updated>2010-11-19T21:35:11.819Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Ideias novas para velhos problemas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;“Ideias precisam-se”, proclamou há pouco tempo um partido político para que alguém contribuísse com o seu trabalho intelectual para ajudar a colmatar o buraco de quinhentos milhões de euros que provocou no orçamento de Estado. Nós já estamos habituados a que o Governo reclamasse ideias à Oposição e que esta as exigisse do Governo. Mas um apelo assim aos anónimos fregueses desta Pátria já aflita com tantos outros problemas é inédito.&lt;br /&gt;Pegando a moda vai passar a solicitar-se à população em geral ideias para tudo, seja para pagar dívidas, seja para aumentar as exportações, seja para produzir bens que substituam os produtos importados. Até se pedem ideias para resolver o problema geral da economia e por arrasto das finanças públicas. Ter-se-á inventado uma nova forma de democracia directa? Estaremos nós dispostos a fornecer aos políticos ideias que deveriam ser eles a procurar? E em muitos casos não estarão os políticos em imiscuir-se em assuntos foram da sua esfera de influência?&lt;br /&gt;Não falta hoje quem proclame a falta de ideias. Parece que basta dizer isto para que passemos perante os outros como pessoas inteligentes. Pois eu acho que não revela inteligência quem faz esse tipo de afirmações, nem quem debita ideias em catadupa, sem se preocupar com a sua exequibilidade. Há ideias de sobra, umas válidas, mas a que não temos acesso, porque não temos que o ter ou não estão suficientemente maduras e também outras menos válidas, que não terão a estrutura necessário para que sejam ideias passíveis de pôr em prática. A produção desenfreada de ideias sem regras, sem objectivo e destino definidos, só lança a confusão.&lt;br /&gt;Estamos num mundo em que tudo tem uma valor monetário e as pessoas capazes de ter ideias novas neste domínio da economia sabem-no antes de quaisquer outras. Quem tem ideias nos domínios em que podem ser esperados dividendos reserva-as para os momentos próprios. Pagou-se há uns anos ao americano Porter uma fortuna para que ele descobrisse aí uns clusters e que se saiba ele não achou coisa que se veja. Seria caso para perguntar se também, estando nós neste mundo em que as ideias se pagam, os partidos políticos terão dinheiro para o fazer?&lt;br /&gt;Se estiverem no poder ainda poderão arranjar para aí um tacho, mas acho que não o farão para pessoas que dêem ideias na praça pública ou na comunicação social, que tal daria muito nas vistas. Esses tachos devem estar reservados para outro tipo de gente, mais calada e experiente, que saiba onde põem os pés. Mas haverá sempre quem queira dar um ar da sua graça e vá deitando para aí umas ideias de borla. Não sei se tais pessoas se valem do seu sentido de humor ou se estarão a falar a sério, mas pelo ar de alguns até parece que o fazem.&lt;br /&gt;Uma ideia que sobressai pela sua vastidão é o aproveitamento económico do mar. No mar fizemos o nosso maior feito, as descobertas, do mar colhemos a nossa mais vibrante poesia, não resistimos ao encanto da sua vastidão. No entanto quando se trata de saber a quantos portugueses esse mar era capaz de dar trabalho a produção de ideias revela-se estéril.&lt;br /&gt;A pesca é um problema complexo com as suas limitações, o seu escoamento, o seu preço. O petróleo tarda a surgir na quantidade que baste para ser viável a sua exploração. Os portos exigem ligações que não temos, fluxos que não controlamos. Acima de tudo já não nos viramos para o mar com o destemor doutros tempos, nele já só procuramos as gaivotas da desilusão de uns tantos. Afinal não queiramos resolver tudo com uma só ideia porque, quando pretendemos tal, podemos estar a desacreditar uma ideia com algum mérito. E o mar é nosso amigo mas não nos vai cá trazer algo numa bandeja. O mar exige mais trabalho que o simples amanho da terra.&lt;br /&gt;O nosso problema é que nós precisamos com urgência de dinheiro e parece que só agora descobrimos que o Estado é pobre, os nossos vizinhos são tão pobres como nós e se não vem dinheiro das Chinas ou das Arábias estamos perdidos. Tínhamos respeito pelo Estado quando o julgávamos rico, agora que o vemos pobre, que não tem arcaboiço para nos ajudar, antes temos que ser nós a pagar as suas dívidas, desprezamo-lo. O problema agrava-se mais porque também nós individualmente estamos endividados.&lt;br /&gt;Ora cá está uma ideia que talvez devesse merecer a nossa atenção. Não contraiamos novas dívidas enquanto não pagarmos as que temos, é um bom conselho. A verdade é que isso seria um travão demasiado brusco que traria imensos problemas. Bastar-nos-ia a consciência que temos que travar e ir travando efectivamente mas infelizmente aquela consciência custa a interiorizar e acima de tudo pensamos que o esforço dos outros talvez chegue e não precisamos nós de fazer sacrifícios. Esta sim era boa ideia.&lt;br /&gt;Com tantos advogados e economistas prontos a vender as suas ideias não nos devíamos preocupar com a sua falta. Ainda há uns contabilistas e outros curiosos a contribuir para a explosão de ideias a título gratuito. O que é politico está ao dispor de todos e todos temos o direito, e porque não o dever, de nos pronunciarmos. O Estado, mesmo pobre, também é nosso sem o ser. Só que para a capacidade da maioria de nós é suficiente o proferir sentenças sobre a culpabilidade, o apontar de erros, a denúncia de incoerências. Ideias sobre o futuro que se vejam, porque esperamos que ele nos dê razão, são antiquadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-5314707954326637515?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/5314707954326637515/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=5314707954326637515' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5314707954326637515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5314707954326637515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/11/ideias-novas-para-velhos-problemas.html' title='Ideias novas para velhos problemas'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-5636029195249490718</id><published>2010-11-12T00:00:00.001Z</published><updated>2010-11-12T20:59:32.058Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Imaginação … precisa-se urgentemente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Somos diferentes uns dos outros na nossa capacidade de imaginação e na utilização que dela fazemos. Existem tantas imaginações quantas as pessoas, mas podemos agrupá-las pelas sua maiores ou menores afinidades de modo a podermos dizer que há campos imaginários comuns a cada um desses grupos. “Sempre” houve o imaginário dos ricos e o imaginário dos pobres, sendo que as condições de vida, a segregação social determinaram à partida em que grupos nos haveríamos de incluir.&lt;br /&gt;Além destes imaginários, sempre houveram outros mais ligados à vida prática, com outro tipo de conotações. Há o imaginário do poeta, do marinheiro, do caçador, há mesmo um imaginário do ladrão. Nos dias de hoje são grandes as afinidades entre os imaginários dos ricos e dos pobres e de todas as outras categorias particulares, determinadas pela vivência de cada um, mas também pela capacidade mais difundida de sonhar e de se deixar levar pelas ondas da moda, da aventura, da sorte.&lt;br /&gt;A ampla comunicação hoje existente, decerto não livre, mas sim ainda condicionada, mesmo assim suficientemente diversificada, determinou o acesso pelo menos a uma vivência virtual comum e à possibilidade de inclusão no nosso próprio imaginário de situações só vividas por outros ou até somente imaginadas por alguém. Existe um imaginário mais comum dito popular, mas cujo uso como referência é hoje problemático. A globalização comunicacional determinou uma evolução rápida no imaginário popular e difícil de estabilizar para poder ser definido com a precisão necessária.&lt;br /&gt;É vulgar dizer-se que hoje as pessoas vestem todas por igual, o que não sendo bem a verdade, dá a aparência de uma sociedade mais igual pelo menos no seu exterior. Sob o ponto de vista intelectual é bem evidente que as diferenças são hoje porventura ainda maiores embora as pessoas se iludam porque todos parecemos estar aptos a surgir perante as câmaras de televisão a debitar sentenças sobre qualquer tema mais ou menos actual.&lt;br /&gt;Vivemos hoje num mundo de aparências que não são já aquelas que outrora se adoptavam para sustentar as conveniências, mas são as que ainda enredam as mentes numa superficialidade atroz. É verdade que nos tornamos mais polidos, reservamos os sentimentos mais malévolos só para certos grupos profissionais e sociais, apuramos o sentimento de culpa, vamos tendo maior capacidade de indicar o erro, mas não progredimos na capacidade de decisão, mantemos a ingenuidade dos incautos e o temor dos ineptos, a hipocrisia dos falsos.&lt;br /&gt;O homem é um todo em que a solidez do seu imaginário tem que ser a sustentação das conclusões do seu intelecto. Na maioria dos casos o nosso imaginário está unido a saliva, isto é, facilmente se desintegra e repentinamente ficamos pendurados no ar. Ao inverso o pensamento que não encontra suportado por um imaginário sadio corre o risco de ser estéril. Claro que também existem aquelas situações doentias em que o imaginário, por mais confrontado com a realidade resiste na sua inverosimilhança a todas as tentativas do intelecto para a alterar e redimensionar.&lt;br /&gt;O nosso passado é sempre uma condição basilar a ter em conta como ensinamento, como impedimento de uma imaginação desmesurada, mas também não deve ser um travão à possibilidade de novas concepções. Um imaginário “sensato”, que tenha em conta o passado e seja aberto, permitirá que o intelecto tire conclusões úteis para o futuro. Impõe-se o abandono da velha e nefasta ideia do unanimismo forçado e redutor e a sua substituição pela ideia de partilha consciente e solidária.&lt;br /&gt;Faltam escolas de pensamento interno, já que há uma ou eventualmente mais escolas de pensamento da diáspora que vão contribuindo para o modo de Ser Português, mas por cá o solo é estéril. Pensar o nosso futuro, abrir horizontes que não passem pelo nosso êxodo colectivo, não é tarefa para religiosos enquanto preocupados com o além, para políticos enquanto preocupados com o imediato, para economistas enquanto preocupados só com índices ou outros actores profissionais e sociais só preocupados com o seu campo de acção.&lt;br /&gt;Pensar o futuro é dar largas a uma imaginação que deve provir daquela que serviu de base a muitas das figuras históricas que deram corpo ao Ser Português. Afinal a imaginação que permitiu e até serviu de incentivo a feitos que nos enobrecem há-de ter algo que ainda seja aproveitado nos dias de hoje e permitir que também hoje possamos ser capazes de feitos grandiosos. Diferente é o pensamento daqueles para quem uma cópia seria a melhor solução para que surgissem pessoas audazes. Por aí não vamos lá, de múmias está o universo cheio.&lt;br /&gt;É hábito dizer-se que somos desorganizados e que somos relapsos na nossa relação com o poder. O nosso passado prova o contrário. Quando existe uma chama, quando a alguém surge uma ideia luminosa e tem o poder de a pôr em prática não lhe faltam colaboradores capazes de dar corpo à ideia. Mas entretanto existe de facto uma letargia, o nosso imaginário adormece, ficamos prisioneiros das ideias mais negras, só vemos escuridão. Nesta questão não nos distinguimos em ricos e pobres. Estamos sempre à espera que outros nos dêem a resposta às nossas inquietações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-5636029195249490718?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/5636029195249490718/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=5636029195249490718' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5636029195249490718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5636029195249490718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/11/imaginacao-precisa-se-urgentemente.html' title='Imaginação … precisa-se urgentemente'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4476164204059486366</id><published>2010-11-05T00:00:00.001Z</published><updated>2010-11-06T06:53:58.512Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Agarrem-me … senão eu bato-lhe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Quando se vê grande alarido na praça pública interrogamo-nos sempre sobre se será à séria a discussão ou se só se trata duma daqueles casos do “agarrem-me … senão eu bato-lhe, esfolo-o, mato-o, ou outro mimo mais agressivo”, tão característico da bazófia nacional. Porém, como nunca podemos estar absolutamente seguros que este tipo de afirmações é só uma manifestação de bravata, mantemo-nos apreensivos e reservados. Quem assim fala procura, mas também receia um momento de verdade.&lt;br /&gt;Há uns anos que um alarido destes já vem ocupando o espaço da luta política. Diferentes tipos de armas têm sido utilizados para corroborar a ameaça sempre latente sobre os adversários políticos. Em primeiro lugar há uma regra que estipula que é essencial nunca estar calado. De um assunto para outro, conforme a espuma dos dias o vai determinando, chega-se ao dia em que está encontrada a questão que vai merecer um ataque mais em forma, que pode servir àquele momento de verdade Enquanto procura-se manter a questão na ordem do dia e a dúvida pode ser rentável.&lt;br /&gt;Seja a verdade ou outro tema igualmente abstracto, seja o orçamento ou qualquer outro facto assim tão concreto e quantificável, qualquer questão pode ser usada no confronto político, não sendo pelo seu valor que terá mais ou menos aceitação na opinião pública e relevância nessa luta política. O político acredita sempre que um bom confronto é aquele em que ele próprio está mais confortável seja qual for a natureza da questão. O que tem mais importância é a possibilidade de tornar o mais incómoda possível a situação do seu adversário.&lt;br /&gt;Dar corpo à verdade absoluta não parece ser tarefa a que um humano se possa dedicar, pelo seu carácter absorvente e porque a verdade não é um assunto prático para ser usado na política, pelo que os apelos a tão altos valores redundam normalmente em fracasso. Já a ameaça de lançar uma crise política a propósito do orçamento pode ser uma questão séria e servir para obter resultados mais palpáveis. Em qualquer caso o mais experimentado dos políticos pode fraquejar e tremer perante uma dúvida demasiado longa. É que este “agarram-me … senão” é para levar a sério.&lt;br /&gt;O poder, contrariamente às nossas opiniões mais espontâneas, é fraco. O poder consegue ser tremendo quando isola uma vítima, porém não consegue actuar sobre a multidão, é impotente perante as ondas avassaladoras que, seja por um tempo muito diminuto, os seus adversários conseguem lançar. Quando dois fracos se encontram é normal lançarem ameaças mútuas para substituir um confronto imediato. O poder é fraco quando se vê na necessidade de responder com as mesmas armas, de ocupar o espaço mediático.&lt;br /&gt;O poder confirma a máxima de que nunca estar calado é mais importante do que a natureza dos argumentos que possam ser usados para controlar a situação. Muitas vezes a disputa política fica reduzida a um debate superficial, a recorrência é um recurso permanente, a redução ao carácter dos intervenientes é um risco constante. O “agarra-me … senão” não visa só os adversários, pretende também, senão mais, afirmar uma liderança pela coragem, visa o alargamento do um espaço de influência e de intervenção pessoal.&lt;br /&gt;Ninguém diz “agarrem-nos … senão” pois trata-se de uma acção individual, um “agarra-me … senão” cuja credibilidade depende da força de uma só pessoa, mesmo que ela conte com a força de outros para o apoiar se necessário numa segunda etapa. Todos esses ficarão suspensos da palavra do líder, único com o fogo capaz de despoletar a acção. Este “agarra-me … senão” é quase sempre uma iniciativa pessoal, mas também muitas vezes é um acto falhado. O seu resultado depende da ambição e arte do líder, mas sobretudo da resposta do adversário e da sua sensibilidade para se atemorizar ou não pelas suas atitudes exibicionistas.&lt;br /&gt;O papel do líder, ou pretendente a tal, é tentar anestesiar os seus rivais estejam eles colocados à sua frente ou ao seu lado, porque ainda existe a crença que a exibição de força se assemelha a ela. Mas também se ganha poder com pequenas vitórias que tenham impacto pessoal. Tal ajuda a credibilizar o protagonista e leva os outros antagonistas à apatia e até a perfilhar as ideias antigamente combatidas e a colocarem-se ao seu lado. Há sempre gente dispostas e ceder às ideias vencedoras.&lt;br /&gt;Um primeiro objectivo do “agarra-me … senão” é suscitar o medo. Porém o líder não se pode ficar por aí. Para dividir e neutralizar os antagonistas ele tem que avançar de imediato para suscitar admiração, até porque tal lhe vai ser necessário caso aceda ao poder. Ao levar à prática o “agarra-me … senão” nunca todos ficarão aterrorizados, nem todos ficarão convencidos. O “agarra-me … senão” pode ter efeito imediato, mas também o esticar demasiado a corda pode ser contraproducente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4476164204059486366?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4476164204059486366/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4476164204059486366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4476164204059486366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4476164204059486366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/11/agarrem-me-senao-eu-bato-lhe.html' title='Agarrem-me … senão eu bato-lhe'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-7458146302415792711</id><published>2010-10-29T18:06:00.000Z</published><updated>2010-10-29T18:06:43.166Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O virtuosismo e a perfeição do número</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;O número é uma evidência que se nos impõe na tradução da realidade. A palavra é uma construção muito mais livre que nos permite descrever com mais ou menos subjectividade essa realidade. O número e a palavra derivam pois de um acto de criação de diferente natureza. O número tem a sua utilização mais básica na distinção entre quantidades, mas todos os fenómenos se podem traduzir em números. O número em si não é uma criação humana, porém essa tradução da realidade em números é um trabalho humano. Podemos dizer que o número é anterior à palavra, porém o seu uso levantou problemas que só a palavra permitiria colocar e resolver.&lt;br /&gt;Sobre o número criaram-se palavras numa dupla linguagem simbólica com uma só tradução fonética. As sequências 1, 2, 3, … e Um, Dois, Três, … são símbolos diferentes mas que têm a mesma tradução. Números mais complicados podem porém levantar problemas. A notação constituída pelos algarismos e outros símbolos matemáticos é a mais expressiva para os estudiosos mas é perfeitamente inelegível para muitas pessoas. As palavras que remetem para números podem ser dispensáveis para os estudiosos, mas são indispensáveis para os outros.&lt;br /&gt;A palavra e o número ajudam-nos a interpretar a realidade e a chegar ao que nela é mais verdadeiro. O número e a palavra completam-se nesse trabalho. No entanto há um domínio que só o número consegue traduzir no qual a palavra é perfeitamente acessória. Tal porém não retira a magia que a palavra adquiriu no imaginário das pessoas, algumas das quais reservam boa parte da magia da palavra para o domínio da revelação. Só que a complexidade adquirida pelo número com grande rapidez remete a sua magia para domínios mais dificilmente acessíveis.&lt;br /&gt;Como todas as linguagens a dos números também tem as suas regras sem as quais seria impossível transcrever a realidade. Porém a linguagem das palavras permite a sua utilização com regras básicas simples e que as pessoas assumem empiricamente até um nível razoável para a vida prática. A linguagem do número é desde o início de uma grande complexidade. Só chegamos de um dado número a outro através de complexas operações que permitem simplificar a realidade e só são possíveis de executar por iniciados.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar há necessidade de escolher um sistema de numeração porque seria impossível obter um carácter, dito algarismo, para um volume de números que é por natureza infinito. O sistema mais simples é o binário em que só são utilizados dois caracteres, o 0 (Zero) e o 1 (Um). Neste sistema o número significativo começa sempre por um 1 (Um) e este numa dada posição tem sempre o valor duplo do que o mesmo 1 (Um) tem na posição à sua direita. O sistema binário adquiriu uma grande projecção com a informática que inverteu a relação entre números e palavras ao atribuir um número a cada letra.&lt;br /&gt;O sistema mais conhecido é o decimal que usa os caracteres de 0 a 9. Neste sistema cada carácter numa dada posição tem sempre o valor dez vezes superior ao que o mesmo carácter tem na posição imediatamente à sua direita. São possíveis sistemas com mais de dez caracteres usando-se neles letras a quem se atribui um valor. Assumem assim o papel de novos algarismos numéricos. Quanto mais algarismos usar um sistema de numeração mais curto será o número de algarismos que ele precisa para designar uma dada quantidade. No sistema binário o número 1000 corresponde no sistema decimal ao número 8.&lt;br /&gt;O sistema decimal é o que tem uma transcrição imediata para a linguagem das palavras. Em qualquer sistema o número designa uma quantidade, porém necessitamos de uma conversão para o sistema decimal para que a nossa mente tenha um entendimento apropriado, em especial se a quantidade for demasiado grande ou demasiado pequena. No entanto uma quantidade é uma quantidade precisa e neste caso a palavra assume todo o seu rigor ao designarmos essa quantidade.&lt;br /&gt;O número tem como principal característica a precisão. Se existe aleatoriedade ou imprecisão na realidade também esses factos podem ser traduzíveis em números. Com o número o homem pretende quantificar todos os possíveis domínios em que a realidade se pode distinguir. É essa quantificação que lhe permite actuar sobre a realidade. As grandes vantagens do uso do número são a relação entre fenómenos simultâneos ou sucessivos e a comparação entre acontecimentos da mesma natureza que ocorrem em tempos diferentes.&lt;br /&gt;O virtuosismo do número fascina a mente humana, de tal modo que esta acredita poder construir com o número um mundo perfeito. Na verdade o número é capaz de traduzir tudo o que a realidade comporta e não faz a distinção entre o que será eventualmente maléfico ou benéfico para o homem. A palavra permite definir outras categorias não facilmente quantificadas com influência na nossa vida. O número é perfeito, a palavra está contaminada por alguma imperfeição humana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-7458146302415792711?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/7458146302415792711/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=7458146302415792711' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7458146302415792711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7458146302415792711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/10/o-virtuosismo-e-perfeicao-do-numero.html' title='O virtuosismo e a perfeição do número'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-6760364574731470886</id><published>2010-10-22T00:00:00.001Z</published><updated>2010-10-22T21:21:17.398Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O republicanismo como princípio válido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Temos tanta vontade de comemorar algo que quando não temos nada para o efeito somos levados a fazê-lo do irrelevante. Precisamos de modo premente de ter algo a celebrar, algum momento que, tendo sido decisivo e favorável, pelo menos tenha ajudado a que o nosso percurso não tenha sido pior do que tem sido. Sendo assim custa-nos distinguir entre aquilo que é significativo e aquilo que se destina apenas a encher número.&lt;br /&gt;O caso das comemorações do Dia da Implantação da Republica, o 5 de Outubro pode-se incluir entre aqueles que tinham perdido quase todo o significado por ter entrado numa rotina incaracterística. Subitamente este ano o 5 de Outubro reapareceu, foi um relativo êxito, chamou a atenção, despertou a curiosidade para o momento em que ocorreu a mudança e para que se clarifique o que distingue dois regimes assentes em pressupostos claramente divergentes.&lt;br /&gt;Na nossa história o 5 de Outubro não tem comparação com as Descobertas, o nosso maior feito. Tendo sido uma rotura, não foi no entanto um avanço imediato e significativo. Foi tão só um começo, um momento dado já muito antes por inevitável, mas de que o seguimento foi sempre uma incógnita. A esta afirmação de republicanismo viriam a faltar muitas outras condições para que a nossa caminhada pudesse ter sido mais auspiciosa. Na verdade quase tudo falhou ou foi reversível.&lt;br /&gt;O Marquês de Pombal e o Liberalismo Monárquico haviam feito muito mais pelo País que os 16 anos de Republica foram capazes de fazer. A Primeira Guerra Mundial foi um desassossego para nós. Salazar haveria de eliminar quase tudo o que a I Republica fez, mas não eliminou as transformações operadas nos séculos anteriores. Para Salazar o primordial era eliminar tudo o que cheirasse a I Republica. Essa obsessão haveria de condicionar toda a sua acção.&lt;br /&gt;Noutros 5 de Outubro já tínhamos sentido o vazio, um sentimento de tempo perdido, sem outra repercussão que não fosse a de mais um dia feriado. Felizmente que neste ano do centenário o 5 de Outubro readquiriu algum sentido mercê da visibilidade que lhe foi dada. Subitamente conseguimos vislumbrar para além da noite salazarista uma luz que resplandeceu e nos iluminou um pouco mais os dias de hoje. A campanha salazarista contra o republicanismo, em todas as suas implicações parece ter-se desvanecido, enfim.&lt;br /&gt;O republicanismo é um princípio solidamente arreigado, que nem Salazar conseguiu desrespeitar em alguns dos seus aspectos, mas que merece mais aperfeiçoamento e difusão. Porém nenhum princípio se pode afirmar pela negação de um qualquer outro. Também o republicanismo se afirma por ser aquele que mais se coaduna com a condição humana, na sua diversidade e na sua luta contra a degenerescência.&lt;br /&gt;A comemoração do derrube da monarquia seria pouco porque quando outras condições são propícias, e a monarquia nem sempre é nefasta, a sociedade é capaz de se desenvolver e de grandes conquistas civilizacionais. Mas o facto de a monarquia ter alguns momentos positivos é muito pouco para a defender. A mobilidade social tem que ter plena expressão pela possibilidade de acesso de qualquer um a qualquer cargo ou função na sociedade. Não é legitimo que se imponha um lugar à nascença seja qual for esse lugar e seja qual for a estirpe de quem o ocupa.&lt;br /&gt;O republicanismo já se impôs à consciência universal de modo que mesmo onde há reinados ficou o Rei mas morreu a função que tradicionalmente lhe estava associada. Só que tal situação é ainda mais negativa porque impede outro tipo de soluções do tipo presidencialista que se adaptaria melhor às características de alguns países. Melhor que um Rei fraco seria melhor um Presidente forte.&lt;br /&gt;A verdade é que no mundo ocidental em geral as situações de monarquia que resistem e sobrevivem o fazem mercê de uma escolha implícita feita pela população. Esta entende que o Presidente do País não necessita de mais poder do que genericamente é outorgado aos Reis. Mas tal resulta num equilíbrio instável de todo improvável que se mantivesse sem rotura neste País. Nós adaptaríamos de bom grado uma forma presidencial, mesmo imperial, mas não toleraríamos um Rei de pacotilha a fazer figuras caricatas e a navegar entre o trágico e o ridículo.&lt;br /&gt;Como quando ocorreu a implantação da República tínhamos um Império que havíamos segurado a custo com o beneplácito inglês há quem pense em que estaríamos bem. Na verdade não tínhamos arcaboiço para desenvolver tão vastas terras nem com Monarquia, nem com Republica, nem com a ditadura de Salazar. Depois do segregacionismo de Salazar só nos restou sair do Império pela porta pequena.&lt;br /&gt;A ideia sebastianina de um Rei forte ou de um Presidente forte surge periodicamente na consciência nacional. No entanto é hoje evidente que nos colocamos numa situação de dependência do exterior que não permite tais soluções. São muitos os poderes que se cruzam e o político tem sido o poder que mais tem perdido com esta evolução. A situação parece propícia para um demagogo qualquer aparecer a reclamar para si a solução de todos os problemas pátrios. Felizmente o republicanismo contribui para que venha ao de cima o bom senso imprescindível para ultrapassar este difícil momento de modo democrático e participado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-6760364574731470886?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/6760364574731470886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=6760364574731470886' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6760364574731470886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6760364574731470886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/10/o-republicanismo-como-principio-valido.html' title='O republicanismo como princípio válido'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4340730130193618868</id><published>2010-10-15T00:00:00.001Z</published><updated>2010-10-16T07:21:51.078Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A busca incessante da palavra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A palavra é a mais fantástica realização do homem. Ela permitiu a fixação do significado da “coisa” e o avanço para a definição de “coisas” cada vez mais complexas. Isto, na sua aparente simplicidade, não é nada de banal. Conseguir intelectualizar a realidade, mesmo que com o apoio da imagem, do som e da memória doutras sensações proporcionadas pelos outros orgãos humanos, é uma tarefa só possível com a palavra. Traduzir tudo pela palavra tem sido um trabalho árduo a que o homem se tem dedicado com perseverança há séculos.&lt;br /&gt;O homem normal, se assim podemos dizer, e o intelectual, pressupondo que este é o homem que adquiriu a capacidade de trabalhar mais facilmente com a palavra, preocupam-se em que a sua palavra tenha uma correspondência inteligível com a realidade. No entanto o homem não tem, mesmo no seu delírio, a necessidade de criar palavras que não tenham correspondência na realidade. Os estados de espírito que pressupõem algum devaneio dão uma imagem distorcida da realidade, mas não se afastam dela. Só mesmo a palavra permitirá um reacerto, algum recentrar do homem nessa realidade.&lt;br /&gt;Dominar a palavra é dominar a realidade, é conseguir a imagem intelectual mais aproximada, menos equívoca desta realidade. Sem dominar a palavra podemos ter a noção da tendência, o efeito da onda, a premunição do impacto, mas não compreendemos os fenómenos, nem conseguimos agir sobre eles. Com o domínio da palavra nós podemos chegar aonde nem a imaginação nos levaria, ficar aonde a sensatez não nos aconselharia parar sequer. Só a palavra nos permite uma visão da realidade imune à influência das próprias forças que a constituem. Só a palavra nos permite um caminhar sem sobressaltos e uma paragem num tempo que nos agrade mais.&lt;br /&gt;Sem o domínio da palavra, o homem dá imensos saltos no seu pensamento, até se poderá tornar mais destemido, porém é um ser menos consistente. Ninguém terá conseguido preencher os interstícios existentes no domínio universal da palavra, nem sequer as lacunas existentes no seu próprio pensamento de modo a poder ter a garantia de que segue o seu caminho com segurança. Porém, na vida prática, poucos se podem estar a preocupar em cimentar intelectualmente esse caminho, é mais prático cimentá-lo financeiramente. Daí as falhas que podemos detectar no esforço discursivo da maioria.&lt;br /&gt;Haverá muitas outras formas de realização, parecendo mesmo despiciendo, ou pelo menos excessiva para muitos, esta preocupação com a palavra. Ser médico, engenheiro, advogado, informático, humorista, cantor, empresário é para muitos de maior importância, embora seja cada vez mais evidente a preocupação com o domínio da linguagem apropriada à sua função, com o domínio das palavras que remetem para o seu universo, o que já revela alguma preocupação com a palavra na sua utilização mais genérica e participada. No entanto é sempre possível distinguir entre o uso mais interesseiro ou mais participativo da palavra.&lt;br /&gt;A palavra permite o discurso que é uma forma de navegar sem remos, sem velas, sem correntes de qualquer espécie. Porém o discurso também se pode desenvolver sobre correntes e necessita então de descodificação. Podemos construir múltiplos discursos sobre a palavra. De certo modo podemos dizer que a palavra perdeu ou nunca chegou a ganhar precisão porque ela se não impõe por si só. Assim o discurso sofrerá sempre de um grau de imprecisão razoável. Põe-se o problema a quem caberá garantir a uniformidade significante da palavra.&lt;br /&gt;O formalismo empregue na criação das palavras, tanto quanto o formalismo usado na criação do discurso permitem-nos alguma segurança com uma interpretação uniforme. No entanto a intenção é parte integrante do significado atribuído à palavra, pelo que estar de sobreaviso é a atitude mais acertada. Criam-se linguagens próprias para que com as palavras se atinjam efeitos determinados. Esta possibilidade de uma mesma palavra ser usada em diferentes linguagens reduz em muito a credibilidade dessa palavra, e por extensão da palavra em geral. Teremos que compreender, mas não aceitar que a diversidade dos caminhos crie interpretações diferentes.&lt;br /&gt;A palavra adquiriu a capacidade de produzir em nós um efeito psicológico que nos prende à interpretação mais autêntica que lhe atribuímos. Porém não produz em todos e a todo o momento o mesmo efeito. A inteligibilidade da palavra pode exigir que se lhe retire a roupagem que lhe tenha sido posta. O rasto, a impressão que nós associamos a uma palavra é uma faca de dois gumes. Esta impressão pode mesmo ser vincada, causar uma sensação de alívio ou pelo contrário, constituir um elemento de pressão, uma carga psicológica que se vai acumulando.&lt;br /&gt;A palavra não nos incomoda se conseguirmos que outrem a não aprisione. Porém, quando retida para uso em contextos pré-definidos e tendenciosos, a palavra pode mesmo dilacerar-nos. Isso pode acontecer se for manipulada por quem está no poder ou por quem o ambiciona e pensa estar perto de o atingir. Mas também quando as intenções de quem a profere são ingénuas, isto é, já não traduzem uma intenção declarada. Só que o uso inadequado da palavra também ajuda a revelar as lacunas da personalidade. Doutra forma não lhes teríamos acesso, pelo que é pela boca que “morre” o peixe. A palavra é a fonte e está no centro da nossa civilização.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4340730130193618868?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4340730130193618868/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4340730130193618868' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4340730130193618868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4340730130193618868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/10/busca-incessante-da-palavra.html' title='A busca incessante da palavra'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-5369333873016982134</id><published>2010-10-08T00:00:00.001Z</published><updated>2010-10-08T14:06:38.316Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>É Bom Ser Português... ... ... Lá fora</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Esta afirmação tem sido expendida por vários e eminentes portugueses que as vicissitudes da vida levaram a outras paragens onde passaram parte significativa do seu tempo. Disse-o recentemente Luís Figo no seguimento de outros de quem em Portugal é posta em causa a honorabilidade a propósito de casos de contornos que não são da sua responsabilidade. Quem não terá acreditado foi Carlos Queiroz que, depois de vários sucessos lá fora, que lhe trouxeram admiração e notoriedade, acabou por vir para cá para sucumbir sem glória nas praias lusitanas.&lt;br /&gt;Prometo não continuar no mundo do futebol, não porque tenha contra ele qualquer aversão, mas porque tão só é um mundo em que as ideias se trucidam umas às outras. As opiniões são limitadas, como em tudo que é tão fugaz, e os opinadores são mais do que muitos. O futebol é um mundo em que só os génios conseguem ser originais, tanto dentro do campo, como na teorização do jogo, e aí teríamos que nos vergar todos àquelas personagens que nos vão dando algum estímulo para continuar a pensar que há sempre algo em que podemos ser os melhores do mundo.&lt;br /&gt;Do futebol podíamos passar para a política, até porque não faltará quem diga que este problema da nossa frustração por estarmos cá dentro e não fugirmos todos lá para fora é mesmo político. Concordamos que também aqui neste domínio acontece o mesmo fenómeno que no futebol. Pessoas cá vilipendiadas são lá fora enaltecidas. Se no futebol a culpa é nossa, também terá sido pelo nosso mau humor que personagens com o sucesso externo de Guterres e Barroso não foram cá aproveitadas e o foram lá fora após terem cá tido desempenhos a nosso ver medíocres ou mesmo maus.&lt;br /&gt;Como no futebol o que cá se joga seria péssimo, não fora a contribuição dada por tantos estrangeiros que cá estão, também na política se pode presumir, para nossa desgraça, que os piores terão cá ficado, quando já tinham experiência e idade para se lançarem noutros voos. O problema é que ninguém os quis. Lá vamos nós ter de escolher entre aqueles que não nos largam porque, infelizmente, acham que este é o lugar deles, seja o Cavaco Silva, seja o Manuel Alegre.&lt;br /&gt;Claro que na política as opiniões são mais do que no futebol e o produto posto à discussão do público é muito mais trabalhado, com maior complexidade. Mas lá estão José Sócrates, com a sua persistência razoável para nos acalmar sobre os desafios que nos esperam e Passos Coelho, com a sua truculência light para nos sossegar sobre as tragédias que Ferreira Leite nos havia prometido aleivosamente, mas que também ninguém pode negar de modo absoluto. Sucesso evidente, insofismável nenhum vai tendo, restando talvez esperar que algum falhe para que se lhes dê valor lá fora.&lt;br /&gt;Esqueçamos também a política enquanto não aparece outro político que cá seja ultrajado e louvado lá fora. Vamos para o domínio do trivial em que a culpa não deixará de ser igualmente nossa. Muitos têm sucesso lá fora quando dizemos que para nada serviriam aqui. Infelizmente a maioria pode ser referida mas apenas esporadicamente na imprensa nacional. Mesmo assim todos sabemos que cá medra o bom e o ruim, mas temos de recorrer ao estrangeiro para criar os nossos Ídolos.&lt;br /&gt;Só passando a fronteira se vê a qualidade da colheita que cada um dos cá nascidos pode proporcionar. Na nossa boca não deixamos passar nada, mas também não estamos muito convencidos da nossa razão. Estamos na disposição de condenar todos, mas também de os perdoar a seguir, convencidos que parecemos estar de que, com a nossa palavra o mal está feito e se não vai esvair. Ou será que o mal feito é o húmus da nossa vida?&lt;br /&gt;Andamos todos sobre terreno minado no qual é impossível definir um rumo. Se não nos tivessem criado tantas dificuldades talvez fossemos mais ousados. Porém não nos deixaram rasto de uma caminho a seguir, capacidade para discernir. Deixaram-nos no mar alto, temos visões ondulantes que se não deixam fixar em objectivos tangíveis e visíveis para todos. Não nos afastamos do mais seguro e rotineiro, com receio de nos perdermos.&lt;br /&gt;Quando estamos no estrangeiro trabalhamos para aquilo que esperam de nós. Cá trabalhamos para aquilo que de nós esperamos. Como não sabemos aquilo que podemos exigir a nós próprios, também não o sabemos definir para os outros. Lá fora queremos agradar a quem nos paga. Cá dentro queremos agradar a todos aqueles a quem não definimos como inimigos, o que é o caminho garantido para não agradar a ninguém.&lt;br /&gt;Por fora o mundo abre-se-nos gracioso, brilhante, atractivo. Por cá o mundo tem sempre uma sombria nebulosa de maledicência, de inveja, de desfaçatez. Avançamos para o mar alto com decisão, audácia, destemor, para longe dos olhos que nos tolhem. Conformamo-nos a construir castelos na areia quando antevemos o mar bravo e o nosso ânimo esmorece. Mesmo sem serem grandes, entretemo-nos a destruir à socapa os castelos dos outros. Até nas brincadeiras privilegiamos o jogo sujo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-5369333873016982134?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/5369333873016982134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=5369333873016982134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5369333873016982134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5369333873016982134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/10/e-bom-ser-portugues-la-fora.html' title='É Bom Ser Português... ... ... Lá fora'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-797970812273455101</id><published>2010-09-24T00:00:00.001Z</published><updated>2010-09-27T19:39:35.109Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A dignidade, quem a pode sustentar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Somos levados por vezes a pensar que há conceitos que já não são aplicáveis nos dias de hoje. No caso da dignidade é um conceito tão em desuso, parece-nos tão gasto e sem valor, com tão pouca gente a reclamar ser merecedora do seu conteúdo, que nos esquecemos que existe. A dignidade talvez ainda pulse com o mesmo vigor doutros tempos e nós não estaremos actualizados sobre a sua caracterização? A dignidade será já pouco e teremos direito a reclamar muito mais? Alguns casos recentes de apelo à defesa da dignidade humana fizeram-nos pensar que não.&lt;br /&gt;Habituamo-nos a apelar à dignidade somente em casos extremos. Aparentemente a dignidade só é posta em causa esporadicamente, o que leva a que nos esqueçamos dela e a perdermos a noção da sua importância. Somos mesmos levados a questionar o benefício em termos da estreiteza ou largueza dessa noção basilar em termos civilizacionais. Temos um conceito mais vasto da dignidade, sem que achemos que ela deva ser invocada a propósito de tudo ou nada. Dar dignidade à dignidade é o nosso propósito.&lt;br /&gt;Porém é manifesto aos nossos olhos que muita gente vive sem uma defesa eficaz da sua dignidade A fuga de muitos é para a defesa de uma espécie de dignidade grupal que foge à noção mais elementar de dignidade e permite que elementos isolados se não preocupem com a sua defesa, mas queiram beneficiar dela. Essa intenção de esconder o indivíduo não é correcta. Por outro lado o pertencermos a um grupo é às vezes uma condenação, não um handicap. Nesse caso contribuir para a dignidade do grupo também é virmos a beneficiar com isso.&lt;br /&gt;A dignidade faz parte do nosso património intelectual. Há muito que sentimos a necessidade de defendermos uma série de direitos que nos emprestam essa qualidade. A dignidade é uma qualidade atribuída e, na sua pureza é uma qualidade pessoal que preservamos, mas que certos grupos desvalorizam. Só a sociedade na sua asserção mais vasta é capaz de aferir os valores que façam parte integrante da dignidade do indivíduo, beneficiário ou não da sua integração social.&lt;br /&gt;Todos, mesmo sem a reclamarem, aceitam a dignidade como um atributo insubstituível na vida em sociedade. Não se confirma que a dignidade natural exista. Sem estruturas sociais a dignidade esvai-se. A dignidade convive mal com a selvajaria. A dignidade pertence ao domínio do social, do civilizacional. Porém à dignidade só podemos atribuir um valor absoluto se houvesse consenso social sobre a sua caracterização mínima.&lt;br /&gt;Sabemos distinguir aqueles que têm dignidade face àqueles que a não têm e mais ainda sabemos distinguir as pessoas que possuem mais dignidade de outras que só fazem o mínimo por a merecer. Afinal a dignidade pesa-se ou não? Presunção e água benta cada qual toma a que quer, dirá quem não dá real valor a conceitos que se referem à afirmação pessoal, mesmo que concedidos pelos outros. Será que este conceito já não nos faz falta? Aceitar um sim seria aceitar a indignidade.&lt;br /&gt;Todos queríamos um mínimo de dignidade respeitada nos países mais miseráveis e nas situações mais degradantes. Será que as pessoas vivendo essas situações são incapazes de definir uma dignidade básica que façam respeitar por todos? Estas situações dão-nos a noção da relatividade do conceito, mas não nos podem fazer depender a relatividade das circunstâncias e da condição social de cada um. Todos mereceríamos à partida uma dignidade que não seria mínima nem máxima mas igual. Para garantir essa dignidade seria necessário garantir condições em que as pessoas seriam incentivadas a fazer o quanto baste para o merecer.&lt;br /&gt;Aparentemente a sociedade em geral não está hoje em situação de poder facultar as condições mínimas que garantam a dignidade, mesmo a que dependa do merecimento de cada um. Se a indignidade se reduzisse somente àqueles que rejeitam aquelas condições já não estaríamos mal e colocar-se-ia então à sociedade a sua dificuldade em dar ao conceito um carácter cada vez mais absoluto.&lt;br /&gt;Partindo do princípio que as condições estejam criadas, será mais fácil definir pela negativa. A indignidade seria então a recusa a ter um comportamento humano, seria o aviltamento da condição humana, a perfídia constante e perseverante, a reiterada perversão. Mas se este conceito satisfaz, as formas de indignidade que mais nos apoquentam não se reduzem àquelas atitudes que vitimizam pessoas determinadas escolhidas intencional ou ocasionalmente.&lt;br /&gt;Os comportamentos indignos são hoje maioritariamente de outra natureza e criam vítimas aleatórias, à distância, indeterminadas. As vítimas não vemos olhos nos olhos aqueles que ferem a sua dignidade. A indignidade campeia-se assim com a liberdade de quem sabe que pode agir impunemente. As pessoas desistem de procurar as razões do seu aviltamento.&lt;br /&gt;A dignidade das pessoas é um assunto íntimo, uma questão pessoal, uma qualidade intransmissível. A dignidade foge às nossas convicções, vai para além das razões que possamos encontrar para o nosso comportamento. Não haverá dúvidas que temos dificuldade em não lhe deixar distorcer os contornos. Sabemos que temos a nossa, que tudo fazemos para a preservar e fortalecer. Mas quem pode ser hoje o fiel depositário de um valor tão importante na nossa sociedade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-797970812273455101?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/797970812273455101/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=797970812273455101' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/797970812273455101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/797970812273455101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/09/dignidade-quem-pode-sustentar.html' title='A dignidade, quem a pode sustentar'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-7239094949843345517</id><published>2010-09-17T00:00:00.000Z</published><updated>2010-09-17T21:28:51.170Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A humildade é a base da dignidade humana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Ter algumas ideias a expressar sobre qualquer assunto que se aborda intempestivamente mesmo pode dar jeito, mas pode ser problemático perante uma assistência mais preparada. Ninguém gosta de estar em branco, seja sobre que assunto for. Um incómodo, uma sensação de vazio causam um desagrado que nos preocupamos em que não transpareça. De tal modo que, para não dar sinais de fraqueza, caímos na tentação de falar de trivialidades, de tirar conclusões por verosimilhança ou por outro método qualquer.&lt;br /&gt;Quando esta prática se torna habitual é porque caímos no erro de acreditar que temos um método intelectual eficaz para responder a todas as interrogações e mesmo para deixar os outros embasbacados e submissos. As nossas posições passam a ter a categoria de posições de princípio, inquestionáveis, quando muito complementáveis. Quanto menos lacunas do nosso conhecimento se revelarem melhor. A verdade é que socialmente estas posições rígidas rendem e quem o pode fazer estrutura mesmo a sua vida e os seus relacionamentos nesta base egocêntrica. Que os outros nos digam: Este indivíduo sabe, é o nosso maior prazer.&lt;br /&gt;Na retórica social também tem muito importância o que nós dizemos sobre a nossa disponibilidade para andarmos sempre a aprender. No entanto essa afirmação não é tão generosa e genuína como à primeira vista pode parecer. Poucos afirmam peremptoriamente que nada sabem sobre um determinado assunto. Poucos se prontificarão a fazer tábua rasa do seu conhecimento anterior, quando até sabem que só tem uns laivos de conhecimento recolhidos aqui e ali, sem sistematização e sem assimilação. Convencer os outros que já sabemos quase tudo, e mesmo assim estamos prontos para aprender, não é tarefa fácil.&lt;br /&gt;Perante quem nos pode ensinar qualquer coisa, e aqui também não devemos ter ideias feitas sobre o valor dos outros, só devemos ter uma atitude que passa pela humildade de nos colocarmos com toda a abertura de espírito, com a predisposição para aceitar a visão patrocinada pelos outros e para a partilhar, se for caso disso. Porém muitas vezes o nosso ego é demasiado grande para admitir uma coisa dessas. Ou então quem já se não terá fartado de ser humilde, se os outros lhe não dão valor? O drama reside que aquele pouco que possamos saber sobre um assunto pode ser o impedimento para ficarmos a saber mais alguma coisa quando definimos esse saber como uma posição de princípio.&lt;br /&gt;Não confundamos humildade com o resultado de uma qualquer humilhação. Sermos humildes intelectualmente será mais fácil se o também formos na vida prática, mas os problemas que podem surgir são imprevisíveis. A humildade tem que resultar de uma atitude consciente perante os outros, apostando em que estes serão capazes de assumir ou vir a assumir uma atitude semelhante e a não se aproveitarem da humildade alheia. Porém muitos de nós renuncia conscientemente a atribuir a muitas atitudes a validade que elas mereciam e fica-se somente pelo cariz moral, desligando-as da vida corrente.&lt;br /&gt;Ficando-nos sob o ponto de vista intelectual, constatamos que são imensas as pessoas que simulam ter conhecimentos que não têm e que só reconhecem aqueles que procedem como eles. Entre pares é mais fácil fazer compromissos e a vida é um mundo de compromissos. Muitos de nós, só pelo facto de não integrarmos um grupo manipulador, chegamos ao ponto de não nos empenharmos em fazer valer os conhecimentos que temos. Tal atitude assume uma especial importância quando estudamos, porque então há necessidade de termos uma participação activa para aprendermos.&lt;br /&gt;Na vida prática está nas nossas mãos a possibilidade de fazermos alguma coisa para não conviver e mesmo para não pactuarmos com pessoas desonestas. No estudo isso é mais problemático. Temos que assumir compromissos de natureza diferente. Nesta situação há necessidade de associarmos mais intensamente a humildade de quem estuda à honestidade de quem ensina. É o desrespeito deste princípio que tem levado aos maiores equívocos. Quem estuda não tem em geral a força suficiente para pôr em causa a honestidade de quem trabalha, já que é pressuposto que o estudante o não faça. Quem ensina não raro confunde humildade com submissão, o que seria pressuposto não acontecer.&lt;br /&gt;Fora deste mundo difícil da transmissão do conhecimento também podemos fazer alguma coisa para a melhoria do clima intelectual. Podemos clarificar as condições em que aquilo que resta da vida intelectual seja assumido com a dignidade que se impõe. Em termos intelectuais não é bom pressupor que devemos colaborar ou competir, a não ser que o nosso trabalho seja incluído num contexto específico. Apenas devemos contribuir para a dignificação da pessoa humana, com base no desenvolvimento de ideias próprias, suficientemente suportadas no conhecimento histórico e no conhecimento prospectivo.&lt;br /&gt;Perante a impossibilidade de definir regras que a todos obriguem, tenhamos a capacidade de sermos humildes. Não é fácil abstrairmo-nos que vivemos num mundo em que a defesa dos bens materiais está de longe em primeiro lugar, mesmo quando com falsidade o não aceitamos. Constantemente estamos mergulhados na defesa de situações imediatas que exigem respostas que não estamos certos respeitar os princípios que defendemos. Esta também é a razão porque confiamos muitas vezes em pessoas que julgamos estar para além deste envolvimento imediato. É a estes que devemos exigir mais humildade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-7239094949843345517?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/7239094949843345517/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=7239094949843345517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7239094949843345517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7239094949843345517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/09/humildade-e-base-da-dignidade-humana.html' title='A humildade é a base da dignidade humana'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-7255162054300597693</id><published>2010-09-10T00:00:00.002Z</published><updated>2010-09-10T09:05:42.663Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Local'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O apego dos Limianos às suas Feiras Novas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Quando tentamos averiguar o motivo da vinda de tanta gente às Feiras Novas é vulgar não encontrarmos uma resposta precisa e decisiva. As Feiras Novas têm muitas constituintes, mas tem em especial uma parte religiosa, outra comercial e outra lúdica. A parte religiosa já terá tido mais relevância no conjunto desta iniciativa, mas que dá ainda o seu contributo para que na segunda-feira, um, dia não feriado, haja uma afluência significativa, em especial à tarde, de pessoas.&lt;br /&gt;As Feiras Novas são um imenso mercado aproveitado por vários sectores comerciais para fazer os seus negócios. É nas Feiras Novas que se encontram aqueles artigos que não se vêm nas restantes feiras do ano. Entre aquilo que se espera e o inesperado, a novidade, de tudo se encontra, o que é necessário é procurar, dar uma volta pelo areal e pelas alamedas, que por todo o lado aparece quem nos queira vencer algo.&lt;br /&gt;As Feiras Novas são um imenso parque de diversões que atrai a mocidade para utilizar velhos e novos divertimentos. Também nas Feiras Novas há eventos para todas as idades. Para os mais velhos há os cortejos e os grupos musicais, os bombos e as concertinas. No entanto, por mais esmero que ponham na realização das Feiras Novas, o atractivo maior continua a estar no ambiente, no clima festivo, na confraternização.&lt;br /&gt;Muitas pessoas dizem que não seria necessário que a comissão de festas se preocupasse com achar novos números para preencher o tempo festivo que as pessoas viriam de igual modo. O essencial seria o bom tempo, que mesmo o mau tempo ainda permite que as festas sejam grandiosas. Não será tanto assim, uns atractivos fazem sempre falta, mas não haverá dúvidas de que o ar festivo surge com uma espontaneidade que surpreende todos.&lt;br /&gt;Um desafio que se apresenta é manter o carácter genuíno que ainda subsiste nestas festas. Elas ainda ligam um mundo rural em permanente extinção a um mundo urbano constituído pelos antigos senhores das terras que mantiveram a elas as sua ligações, e tudo fizeram para que esse mundo rural subsistisse intocado e intocável, e a um mundo suburbano que mistura tudo, faz a amálgama de realidades diferentes e acaba que destruir aquilo que podia ser conservado e conserva somente aquilo que é caricato.&lt;br /&gt;Talvez não cheguemos a acordo sobre aquilo que nas Feiras Novas é genuíno, mas decerto que sobre aquilo que não é genuíno o acordo será mais geral. Numa localidade vizinha foi chamada a atenção para o uso de ténis e calças de ganga nos vários desfiles alegóricos. Efectivamente concordamos que é aberrante ver um camponês ataviado à maneira da cintura para cima e vê-lo desfilar com o conforto duns ténis modernaços e policromáticos. Também não é espectáculo digno ver imensa gente de copo de plástico cheio de cerveja espalhando encanto por todo o recinto festivo.&lt;br /&gt;Valores mais altos se levantarão. Não será fácil arranjar participantes para os cortejos de entre gente habituada a outros meios obrigando-os a adornar os seus delicados pés com toscas chancas de madeira. Não será fácil arranjar patrocínios tão valiosos como os que são facultados pelas marcas de cerveja. Porém tudo deve ser feita para manter o enquadramento em que as festas sempre decorreram com adaptações à modernidade, mas sem cedências ao mau gosto e aos poderes comerciais.&lt;br /&gt;A crítica não será suficiente para desvalorizar o esforço que é feito para realizar estas tão grandiosas festas. Porém era bom que, aqui que ninguém nos houve, se reconhecesse que não chega a ser crítica todo o esforço que possa ser feito para que as festas não sejam adulteradas. Quando esse tipo de crítica é feita entre amigos, entre aqueles que gostam das festas e a elas aderem com entusiasmo, isso não passa para os estranhos, para aqueles para os quais teríamos que adoptar outra linguagem. É aqui estaremos entre amigos.&lt;br /&gt;Nos seus 100 anos o Cardeal Saraiva também é uma referência nas Feiras Novas. Realcemos o seu contributo para as difundir, mas principalmente para manter entre os imigrantes o enorme apego que todos eles, como todos os limianos, dedicam às suas Festas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-7255162054300597693?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/7255162054300597693/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=7255162054300597693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7255162054300597693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7255162054300597693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/09/o-apego-dos-limianos-as-suas-feiras.html' title='O apego dos Limianos às suas Feiras Novas'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2203003122708314463</id><published>2010-09-03T00:00:00.002Z</published><updated>2010-09-10T09:02:52.014Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Novas ousadias se impõe a Portugal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Mais de oitocentos anos de história consolidaram uma língua, delimitaram um território, definiram um povo. Fomos capazes de mudanças, assimilamos contributos de várias proveniências, aproveitamos da cultura de gente variada. Fomos capazes de algumas ousadias que ajudaram a entrelaçar os nossos caminhos. Aproveitamos bem as nossas virtualidades. Só não demos a consistência precisa às nossas conquistas. Tivemos sempre uma sensação de vazio, de inacabado, de saudade.&lt;br /&gt;Temos estado permanentemente em risco porque outros maiores nos têm afrontado. Não podemos sustentar uma guerra constante e frontal contra adversários tão poderosos. Quando o tentamos baqueamos. É verdade que humilhados também nunca fomos. No nosso passado existiram porém algumas temeridades, impensadas ousadias. Para não nos andarmos a martirizar a toda a hora pelo que estragamos do que havíamos conseguido precisamos de ter plena consciência dos nossos limites.&lt;br /&gt;Se houve outros mais pequenos que nós, nossos antagonistas ou não, que fizeram mais, deixemo-los com os seus feitos porque muitos mais foram os que fizeram manifestamente menos. Não nos podemos deixar levar por ideias megalómanas, deslocadas da realidade. Consciencializemo-nos que não podemos ser bons em tudo e se formos os melhores em algumas coisas já é suficiente para alimentar a nossa auto-estima. A arrogância e o pretensiosismo não são bons conselheiros.&lt;br /&gt;No meu tempo de juventude surgiam ideias, não decerto patrocinadas por gente responsável, mas largamente difundidas, que nos davam como tendo um exército capaz de se bater com russos e americanos. Ora, além de termos um exército que, aos olhos de hoje, muitas vezes não passava de um exército de maltrapilhos, já à altura não tínhamos armamento capaz para um conflito mediano. Só a curtez de vista da maioria e a manipulação de alguns justificava tais asserções.&lt;br /&gt;Já passaram séculos para que possamos visualizar situações em que tenhamos estado em pé de igualdade com os nossos conflituantes. Eram tempos em que a destruição do Império Romano tinha levado à instalação de Estados fracos. Alguns feitos alardeados e aumentados pela História oficial e com grande difusão na escola primária levaram à formação de visões distorcidas. Sem culpa aliás dos professores, inocentes úteis ao dispor da bravata nacional.&lt;br /&gt;Humildemente temos o nosso valor, mas ainda não nos convencemos que não dominamos as regras do jogo. Deslumbramo-nos com o convite para jogar no palco principal, a União Europeia, mas subestimamos as dificuldades que iríamos encontrar no confronto mais aberto com os outros. Tentamos equilibrar com contratações que se revelaram caras. Os milagreiros que prometeram colocar-nos na frente da Europa falharam.&lt;br /&gt;Não tivemos em consideração os enormes poderes que se foram formando. As forças centrípetas entraram em acção cada vez mais fortes. Ainda por cima lançou-se a confusão entre esse processo descontrolado e o federalismo. A resposta em alguns países tem sido suicidária. Os pequenos países fundadores da Comunidade Europeia viraram-se para um processo de desagregação interna, devido à sua impotência perante aquelas forças centralizadoras que progridem nos maiores países.&lt;br /&gt;Em Portugal valha-nos a solidez do Ser Português, para garantir a unidade interna, mas nada está garantido para o futuro. Um Ser Português que continua a ser defensável nesta conflitualidade que se mantém a nível de Estados. A este nível a regionalização não trará benefícios. Substituir o Estado por regiões seria fazer a vontade das forças cujo poder está na união e na dimensão. Regiões cada vez mais dominantes em confronto directo com outros poderes cada vez mais ciosos e coesos não teriam a força negocial dum Estado. Só o federalismo poderá constituir um travão ao processo desagregador que pode eclodir.&lt;br /&gt;Só o Estado, se mantiver a coesão que o tem caracterizado em oito séculos de história, mesmo perdendo alguma soberania a nível de um Estado Federal, conseguirá conservar o poder decisivo em assuntos nevrálgicos para o futuro europeu. Numa Europa Federal poderemos continuar esta saga aventureira do Ser Português. O Ser Europeu é a mais valia que nos faltava para sermos o complemento doutros europeus. Não entramos para a Europa com o objectivo de a pulverizar.&lt;br /&gt;O facto de termos partido para este projecto com um deficit excessivo, essencialmente a nível do aparelho produtivo, mas também educativo e profissional, não é de molde a inviabilizá-lo. Impõem-se que não sejamos titubeantes e que nos não sentemos diminuídos. Sem necessidade de sermos “bons alunos”, impõe-se que nos empenhemos decisivamente. A nossa oportunidade de sermos audazes pode surgir a qualquer momento.&lt;br /&gt;O facto do neo-liberalismo ter tomado conta dos destinos europeus não é de molde a que nos desmoralizemos. O nosso destino está na Europa e é na Europa que devemos lutar por um projecto solidário, como foi sonhado pelos seus fundadores. No entanto forças poderosas dominam agora os orgãos políticos da Europa, na penumbra, mas controlando os políticos cinzentos a quem a vaidade faz com que ocupem cargos a que não sabem dar a consistência precisa, o poder efectivo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2203003122708314463?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2203003122708314463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2203003122708314463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2203003122708314463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2203003122708314463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/09/novas-ousadias-se-impoe-portugal.html' title='Novas ousadias se impõe a Portugal'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-6515543403646616825</id><published>2010-08-27T00:00:00.000Z</published><updated>2010-08-31T11:05:32.440Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Roubar é a quem o tem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Custa-me sinceramente utilizar esta palavra tão áspera e contundente, demasiado pesada no meu contexto referencial, no entanto hoje usada socialmente sem a carga de outrora. Efectivamente quando alguém era apelidado de ladrão, era acusado de roubar, a não ser verdade era uma das grandes ofensas que se podia fazer a alguém honesto. Hoje já não é assim porque os ladrões têm bons advogados e entregam a estes as questões de honra.&lt;br /&gt;Se mesmo assim uso a palavra roubar é porque pretendo remeter para os assuntos de extrema gravidade casos como os que me suscitaram esta referência. É ou não um roubo levar para casa uns milhões de bónus por cumprir determinadas metas empresariais? É ou não um roubo levar para casa reformas de centenas de milhares e indemnizações de milhões após curtos períodos de prestação de trabalho?&lt;br /&gt;A expressão “roubar é a quem o tem” também está desgastada pelo seu uso tão vulgar pelo que se tornou socialmente inócua. Ela queria dizer que roubar a quem pouco tem pode causar um mal irreparável e seria mais condenável, roubar a quem o tem seria mais tolerável, e no extremo roubar a quem tem muito seria socialmente irrelevante. Claro que hoje as coisas estão invertidas porque quem tem pouco ou mesmo alguma coisa não tem o suficiente para recorrer à justiça, à “boa” justiça.&lt;br /&gt;A expressão “roubar é a quem o tem” pretenderia desculpabilizar quem roubasse a quem muito tem e nesta asserção continua a fazer algum sentido, à revelia do que está socialmente aceite. Assim pensam aqueles gestores que levam maquias imensas para casa a pretexto de cláusulas abusivas dos seus contratos de trabalho. Só estão a retirar um pouco aos accionistas, na maioria capitalistas, de que a parte que detém de uma empresa só constitui uma parcela da sua fortuna.&lt;br /&gt;Esquecemo-nos que há uns pequenos accionistas lesados por tabela, mas essencialmente esquecemo-nos que os clientes à força de empresas que exercem a sua actividade a nível de monopólio ou oligopólio são os mais prejudicados. Não faltará quem contraponha argumentos a todos os argumentos expendidos, como se tais valores de bónus ou outras recompensas representasse, se revertido, um diminuto desconto na facturação total da empresa.&lt;br /&gt;Nenhuma das explicações dadas é convincente, a verdade é que se fica sem saber quem é mais prejudicado, se grandes accionistas, pequenos accionistas ou clientes em geral. Para a economia em geral dizem que estas situações contribuem para um clima competitivo que é benéfico. Também há quem diga que a economia paralela é benéfica e até há quem pense que a corrupção é uma forma de redistribuição meritória. O que parece evidente é que, como estas, também aquela realidade que nos ocupa contribui para o desregulamento social.&lt;br /&gt;Não seria necessário que lhe chamássemos roubo para que o fenómeno não fosse grave e revelador do incentivo que a economia faz, o dinheiro, aos piores sentimentos humanos. O desgaste da palavra, a eliminação de antigas conexões quando os patrimónios eram finitos e havia honra da parte dos dois lados que celebravam um contrato, não incluindo nele cláusulas leoninas, só podem ser suprimidos colocando nessa palavra mais veemência e mais convicção.&lt;br /&gt;Porém nós também dizemos ser um roubo aquilo que certos futebolistas ganham e eles nada se chateiam com isso. Também os gestores já se não chateiam porque se atribuem artes de malabaristas do dinheiro, que conseguem a sua reprodução com dribles de toda a ordem. O que é apanhado no meio desse turbilhão financeiro, trabalho, bens, serviços, clientes, são puros instrumentos para a obtenção do bem supremo, o dinheiro&lt;br /&gt;E nós, os que acedemos ao vil metal com dificuldade, temos de estar calados? Não temos, mas de nada nos vale falar. Chamar roubo não tem qualquer efeito porque para o sistema judicial não o é. Manifestar a nossa indignação também não produz qualquer efeito porque o sistema político não a leva a sério. Teremos nós que nos conformar com o tentarmos causar algum dano nessas pessoas projectando sobre eles aquela terrível arma que é a inveja? Ou até esta também já terá perdido as suas qualidades?&lt;br /&gt;Outrora dizia-se que certas pessoas tolhiam, em particular com o olhar. Então as virtualidades da inveja ter-se-ão perdido? Como eu nunca as possuí não posso dizer nada. Diziam outrora que esse não era um mal de que o próprio fosse culpado, se os seus olhares tolhiam, faziam-no sem deliberação prévia. De qualquer modo, além de manifestar a minha indignação, faço um apelo a quem tenha esse poder, que o exerça para bem de todos.&lt;br /&gt;A não ser que esse poder só se possa exercer pelo olhar directo a essa gente. Então nada feito porque essa gente não nos passa debaixo d’olho amiúdo. Tal gente está demasiado longe de nós para que o nosso olhar as fulmine. Porém mais grave ainda é que esses que deste desbrago beneficiam são aqueles que nos querem impingir o malfadado liberalismo, a fonte de todos estes males.&lt;br /&gt;Para fechar, atingido o cúmulo da responsabilidade, temos instituições que, para o bem e para o mal, eram os alicerces morais que sustentaram um limite razoável à voracidade no negros anos do salazarismo, que hoje se demitiram de uma intervenção mais global a nível de toda a estrutura social e se limitam a pretenderem aumentar o dizimo para 20 %.&lt;br /&gt;Além da hipocrisia que se manifesta na autorização dada a muitas dessas pessoas, expoentes do capitalismo mais desenfreado, para falarem como exemplos das virtudes mais louváveis, há uma tentativa de branqueamento dos mais condenáveis instintos, outrora chamados de “pecados”. Sem autoridades morais, são as velhas armas o recurso possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-6515543403646616825?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/6515543403646616825/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=6515543403646616825' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6515543403646616825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6515543403646616825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/08/roubar-e-quem-o-tem.html' title='Roubar é a quem o tem'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2313261883884584642</id><published>2010-08-20T00:00:00.000Z</published><updated>2010-08-31T11:03:21.515Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Será possível castigar o fogo posto?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Nos dias de hoje o fogo posto tornou-se um dos crimes mais vulgares. A crer na afirmação das pessoas mais envolvidas no seu combate, a origem da grande maioria dos incêndios florestais está nas mãos criminosas. Não podendo nós acreditar haver assim tantas pessoas capazes de arcar com esse epíteto de incendiários, só podemos concluir que esse crime já tem muitas atenuantes na consciência social. E quando assim é temos que rever o que sabemos sobre a matéria.&lt;br /&gt;Para os que acreditam que o problema está no homem, que terá entrado numa fase descendente de consciência social, já só existe uma solução que será colocar atrás de cada homem um outro a fiscalizá-lo permanentemente. No entanto esta pretensa solução só agravaria a questão. Com efeito, independentemente de qual deles é o bom e o mau, o que assumisse a tarefa de tomar conta do outro, com alguma probabilidade, seria tentado a cometer um duplo crime de cometer o crime original e o de o atribuir ao outro para dele se livrar.&lt;br /&gt;A solução tem que ser outra e tem que obedecer a uma economia de meios. Então policiemo-nos a nós próprios em vez de sermos os polícias dos outros. Em primeiro lugar cada um de nós tem que admitir a possibilidade de que lhe passe pela cabeça a tentação de cometer um crime desta natureza porque a maioria de nós está longe de viver em perfeita harmonia consigo mesmo e com os outros. Já ninguém ousa pensar em ter um mundo harmonioso só para si. No entanto é a essa parte que ainda é capaz de harmonia a que nós nos agarramos.&lt;br /&gt;Nós importamos para dentro de nós a desarmonia reinante. A nossa força passa por conseguirmos não exportar ainda mais desarmonia para o meio ambiente. É por nossa iniciativa que se instalou o desequilíbrio que se vê na natureza porque em nós se instalou um sentimento de desprezo que as simples palavras de boas intenções não escondem. Na mentalidade suburbana que prolifera na maioria de nós encontraremos as causas civilizacionais que determinaram esta mudança de atitude.&lt;br /&gt;O que brilha para nós é o ouro, não as pedras rústicas das nossas serras e aldeias. Veneramos a cidade que tem em si a riqueza e desprezamos a ruralidade pobre, atractiva só para devaneios esporádicos. A harmonia outrora existente no meio rural, o perfeito enquadramento do homem com a natureza, levava a que todas as intervenções do homem na natureza tivessem uma naturalidade e uma sustentabilidade adequadas.&lt;br /&gt;Cortava-se o mato, apanhavam-se o garaveto, podava-se a rama, eliminavam-se os infestantes porque tudo tinha utilidade e a monte era necessário para mandar para lá o gado nos meses em que havia culturas em desenvolvimento. Também se faziam queimadas, mas selectivas e nas zonas não arborizadas. Nenhum palmo de terreno era deixado ao abandono. O Estado encarregava-se das suas próprias florestas e espaços.&lt;br /&gt;Em suma, a actividade económica fazia a gestão integral do espaço, encontrando utilização e retirando proveito de todos os materiais naturais e daqueles que ia introduzindo por via da cultura dos terrenos. Além da procura de novas formas de gestão e da introdução de novas culturas não se terem revelado frutíferas, a gestão dos resíduos florestais e o seu aproveitamento como bio-massa tem sido um caminho já sugerido, mas que economicamente ainda se não tornou viável.&lt;br /&gt;Podemos dizer que no nosso País tudo mudou a partir dos finais dos anos sessenta. Tornaram-se vulgares os grandes incêndios, mesmo às portas das grandes cidades. As matas do Estado também começaram a arder. O Estado demitiu-se, não soube ou não pude intervir de forma eficaz. Tentar virar tudo para a acção policial também seria suicidário, porque seria ineficaz com os meios de que poderia dispor. O aumento da mobilidade das pessoas e a perca das relações de proximidade tornou impossível às populações locais o controlo do seu próprio território.&lt;br /&gt;O fulcro da actividade económica deslocou-se, reduzindo o produto agrícola a proveito marginal e retirando grande parte da população dos campos e das matas. O próprio Estado se retirou da actividade florestal, também aí de certo modo expulso como o foi, em especial depois do 25 de Abril, de outras actividades económicas ligadas à agricultura com a extinção dos organismos corporativos de gestão, muitos deles transformados em associações geridas por particulares. O comércio invadiu e de certo modo alterou e destruiu muita actividade rural.&lt;br /&gt;Muitas das mudanças verificadas são irreversíveis. A redistribuição da população, se a houver, não é de molde a satisfazer o interesse da defesa do equilíbrio entre o homem e a natureza. Também os poderes locais não se mostram interessados em gerir este problema, porque não tem meios financeiros para tal e porque os meios que reivindica ao poder central têm, por norma, outros destinos. Os interesses empresariais não encontram forma de se satisfazerem se tiverem que corresponder a determinadas exigências legais.&lt;br /&gt;Todo o espaço territorial tem valor, mas a sua rentabilidade não justifica os cuidados que seriam necessários para o sustentar. A simples imposição de obrigações legais aos proprietários de terra é de duvidosa justeza e eficácia até porque o maior proprietário continua a ser o Estado. Depois, na consciência social está instalada a ideia de que há mesmo situações que só se resolvem com o fogo. A única forma de resolver a questão é em muitos casos a feitura de fogos controlados em época segura, se é que ainda a há.&lt;br /&gt;Felizmente que se vai cumprindo a obrigatoriedade de limpar os cinquenta metros em redor das habitações. No entanto a ligeireza com que se analisa esta questão, tirando uns dois ou três meses no Verão, ajuda a que na consciência social se não instale uma ideia da perigosidade dos incêndios e de defesa do ambiente, ideia que tem sido tão mal tratada. Não será com fundamentalismos nesta área, que só isola defensores do ambiente, que se defende este, mas com a criação de uma maior proximidade do homem, de todos, com a natureza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2313261883884584642?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2313261883884584642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2313261883884584642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2313261883884584642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2313261883884584642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/08/sera-possivel-castigar-o-fogo-posto.html' title='Será possível castigar o fogo posto?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-8363161765175328462</id><published>2010-08-13T00:00:00.000Z</published><updated>2010-08-13T11:25:37.983Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Merece este Estado que alguém o defenda?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Defender o Estado parece à primeira vista um anacronismo. A primeira razão é que o Estado é um ser bruto, mesmo o mais bruto dos seres. Muitas vezes actuou de uma forma desumana, absolutamente contrária àquela que o bom senso recomendaria. Possuidor da maior concentração de força, historicamente recorreu a ela com pretextos ridículos, sempre assentes em valores racistas e vontade de rapina sobre outros povos e países. E continua a haver forças que querem regressar a esse passado.&lt;br /&gt;Muitas das entidades antecessoras do Estado ponham entraves à liberdade pessoal a todos os níveis. Os Estados modernos resultaram de muitas lutas para unificar territórios e assim eliminaram muitos pequenos poderes que sempre se quiseram manter. Porém, conseguida uma certa harmonia territorial e racial, a tentação foi continuar essa saga unificadora e dominadora o que levou a fins trágicos. Por esta razão foi tão promissor o liberalismo que primeiro apareceu a querer, com o seu “laissez faire, laissez passer”, que, sem necessidade de unificação política, não fossem colocados entraves à circulação de pessoas e bens.&lt;br /&gt;O totalitarismo venceu em muitos países, mas após a sua derrota o liberalismo renasceu como uma nova esperança. O liberalismo de hoje já é mais estruturado, pois defende um Estado pequeno mas forte, dotado de poderes irrenunciáveis num âmbito limitado de questões. Porém ao não interferir no desenvolvimento das forças económicas, ao permitir que estas próprias controlem outros sectores da sociedade, mostra-se incapaz de impor a sua doutrina e a sua forma de funcionamento a toda a sociedade. Se o seu Estado é mínimo, os poderes que se criam sob a sua protecção são imensos.&lt;br /&gt;Se esta noção do Estado resolve alguns problemas, cria pois outros porque as forças económicas, dotadas das energias acumuladas ao longo dos tempos, geram desigualdades intoleráveis e dão lugar a iniquidades que nunca tinham sido criadas em tempos mais recuados, mesmo quando a maioria dos homens nem liberdade de se movimentarem possuíam. A crença, ainda muito divulgada, que um Estado forte, por estar provavelmente nas mãos das forças sociais mais poderosas, mais contribuiria para agravar a exploração e a acumulação capitalista, faz com que muitos prefiram o Estado liberal ao Estado intervencionista.&lt;br /&gt;A não intervenção do Estado nunca é absoluta, só assume um cariz tendencial. Na prática, sob a capa da não intervenção há forças imensas, umas velhas outras entretanto criadas que exercem o verdadeiro controlo da sociedade. A intervenção do Estado impõem-se, não no sentido da intervenção favorável à actuação livre das forças do mercado, mas sim no sentido de uma intervenção que pondere e assim corrija o peso que as forças de diferente natureza que actuam no mercado têm em diferentes contextos, de modo a que nenhum deles assuma carácter absoluto e absorvente.&lt;br /&gt;Uma exigência premente dos dias de hoje é um Estado forte, não arbitrário na sua actuação, capaz de exercer poderes soberanos na altura própria e na medida adequada e de se não deixar dominar por forças sociais que temporariamente detenham maior relevância e poder, sejam elas de cariz económico, corporativo ou sindical. Sem um Estado forte, mas também dotado de instrumentos de intervenção eficazes, a injustiça prolifera e atinge sectores cada vez mais vastos da população e das actividades sociais.&lt;br /&gt;A maioria das pessoas tem com o Estado uma relação de vista curta, pouco mais que interesseira, no que o interesse tem de mais imediato. Querem que o Estado esteja à ordem, pronto e seja eficaz para apoiar quando dele precisam. Querem que o Estado se oculte, se demita de actuar quando os seus interesses são contraditórios com os deles. O Estado é assim classificado de bom ou mau, conforme o circunstancialismo económico seja ou não favorável. É uma análise redutora, que esquece os benefícios que, mesmo a funcionar mal, usufruímos do Estado e é uma atitude que também retira eficácia à nossa intervenção social.&lt;br /&gt;A nossa relação com o Estado é contraditória. A importância que lhe damos em momentos de crise e em épocas de “vacas gordas” é sempre diferente e isso depende do nosso posicionamento social. As necessidades sociais não são necessariamente as nossas. Na nossa relação com o Estado é essencial sabermos distinguir quais as nossas necessidades pessoais e quais as que a sociedade em geral vai vivendo, sem que nos deixemos enrolar por grupos de interesse específicos. No entanto há grupos que, sem razão, conseguem sobrepor os seus interesses aos nossos. Há imensa gente a defender causas alheias.&lt;br /&gt;Dar apoio aos outros é uma causa justa, quando justificada. Querer que o Estado desempenhe funções que agradem à maioria é meritório. No entanto até aí o nosso pensamento pode já estar viciado. A nossa relação com o Estado está hoje contaminada por todos um descritivo de más práticas deste. É evidente que mesmo as boas intenções têm, ao serem colocadas em prática, efeitos perversos. Além de podermos ser vítimas da contingência, há uma intencionalidade que devemos entender, sem ficar por ela obcecado.&lt;br /&gt;Exigir-se-ia de nós uma relação mais racional com o Estado. Em primeiro lugar reconhecendo as diferentes características deste em relação a outros grupos humanos. O Estado não é apenas mais um interveniente social colocado ao nível de outros interesses particulares ou colectivos. Em segundo lugar reconhecendo sempre ao Estado poderes mais amplos de que os dos outros orgãos da sociedade em qualquer domínio em que está mandatado para intervir, mesmo que esporadicamente. Em terceiro lugar adoptando uma forma democrática de eleger os seus orgãos de modo a lhes dar estabilidade e coerência interna.&lt;br /&gt;O Estado não deve ter poderes absolutos, nem se lhes deve ser reivindicado qualquer origem sobrenatural ou divina. O Estado não deve ser manietado, nem renunciar ou transferir poderes soberanos. No geral sabemos o que o Estado não deve ser, mas temos dificuldade em definirmos-lhe os contornos. O Estado vai sendo, sem ser nada sublime. Um Estado assim, que não está na mão de ninguém, mas também não é conduzido num rumo certo merece ser defendido?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-8363161765175328462?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/8363161765175328462/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=8363161765175328462' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8363161765175328462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8363161765175328462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/08/merece-este-estado-que-alguem-o-defenda.html' title='Merece este Estado que alguém o defenda?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-871231246561668160</id><published>2010-08-06T00:00:00.000Z</published><updated>2010-08-06T22:36:00.196Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Tudo tem um preço, menos a honra?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Tudo tem um preço, menos a honra, afirmou-o há tempos uma capitalista de referência da nossa praça. Tal sentença era a propósito da venda da já de todos nós conhecida a Brasileira Vivo pela Portuguesa PT à Espanhola Telefónica. Nesta triangulação transatlântica havia interesses, influências que estavam em jogo, bens presentes e futuros, talvez ainda não descobertos. A Vivo em si mesmo era um bem material, sujeito a cálculo de valorização, mas a que a nossa subjectividade de curiosos dá um valor acrescido. Merecia um preço.&lt;br /&gt;No entanto aquela afirmação peremptória de quem tanto sabe do mundo e dos negócios também se podia referir ao negócio do abate dos sobreiros da Herdade da Vargem Fresca, às influências que valem negócios e aos negócios que só se alcançam comprando consciências. Cada um que calcule os riscos em que incorre e avalie o que fará dos seus conhecimentos e das influências que pode disponibilizar, que sempre será bom fazê-lo a troco de alguma paga por parte de quem queira fazer negócios. Há quem viva disso e não seja criminoso.&lt;br /&gt;Por suborno, corrupção e outros qualificativos afins se designa o preço que é pago no mundo dos negócios a quem não se dão credencias para participar. Há quem não mereça um preço só por ser marginal. Mas mesmo a esses muitas vezes se tem que atribuir um preço. Não é a subjectividade dos elementos de valor dum negócio nem o desconhecimento da existência de alguns outros elementos ocultos que permitem que muitas pessoas vejam em tudo indícios de suborno e corrupção. Quando o espírito persecutório monta arraiais é difícil discernir nesse nevoeiro.&lt;br /&gt;No caso em apreço não se terão levantado suspeitas deste tipo, mas, à falta doutro tema, pretende-se inocular na questão o vírus da incoerência. Recordemos que o preço da Vivo atingiu antes o valor que a maioria dos accionistas da PT acharam justo e assim estes se disponibilizaram a vender. Só o malvado Estado se interpôs e a oposição ao Estado e a oposição ao Governo aliaram-se a contestarem procedimentos e decisões. A Direita acha que há Estado a mais, a Esquerda (dita) acha que há Governo a mais, que o Estado, esse é pequeno, não dá suporte à ditadura do proletariado.&lt;br /&gt;O negócio da venda da Vivo veio a desenvolver-se noutros moldes, com mais proveito económico para os accionistas da PT e com mais proveito estratégico para a Administração. A PT pôde negociar paralelamente a entrada no capital doutro operador de comunicações do Brasil com um perfil mais próximo do seu e com possibilidades de desenvolvimento a que a PT dará decerto um contributo maior. Este negócio, assim formatado, foi manifestamente melhor, só por evidente má fé poderá ser desvalorizado.&lt;br /&gt;Pois caiu o Carmo e a Trindade, que afinal o Governo foi incoerente, cedeu, aceitou um negócio em tudo semelhante ao que antes havia rejeitado. Para estes políticos esta retórica é indispensável, sabendo eles que ela se desenvolve em circuito fechado, que só esporadicamente apanhará algum incauto. Estes políticos têm horror ao silêncio. Manifestar uma opinião é uma obrigação. Porém não vá haver más interpretações, o melhor é ser contra. Mas porquê?&lt;br /&gt;A estratégia destes políticos é reduzir tudo a um nivelamento das responsabilidades, fazendo o Estado prisioneiro de processos que obedecem a uma coerência formal e permitindo que os particulares façam negócio utilizando os seus expeditos processos de compra e venda com realização imediata. Para eles quando o Estado rentabiliza um negócio não está a desempenhar as suas funções, quando visa dar mais poder aos centros de decisão cá sedeados ainda anda mais longe dessas suas funções mínimas.&lt;br /&gt;Quando se não pode ser contra o conteúdo é-se contra a forma, mesmo quando nenhuma outra forma fosse capaz de garantir a obtenção dos mesmos resultados. Porém é vulgar ouvir certos políticos dizer que fariam o mesmo de modo diferente, o que é manifestamente impossível em processos negociais que nunca voltam à estaca zero e têm os seus ritmos e sequências. Porém quem têm fé pode sempre acreditar em que esse modo diferente de fazer seria melhor.&lt;br /&gt;O farisaísmo, velha designação para aqueles que conseguem dar a ideia de um rigor que não é mais que aparente, é a qualidade mais cultivada nos dias de hoje por uma certa classe política que tem em Pacheco Pereira o seu ídolo mais destacado. Para esses políticos nos outros só existem graves incoerências, sendo eles de um rigor e de uma lisura a toda a prova, prova que porventura nunca lhes será dado fazer. A política, assim vista, quase não passa de um entretimento de quem vai dizendo para não estar calado, mas que irrita cada vez mais as pessoas e as não motiva à participação cívica e política.&lt;br /&gt;Os jovens não compreendem as nuances que hoje se apresentam aos seus olhos, vêm que para seguir uma carreira política ou tão só para acompanhar a política se vêm remetidos para a manipulação de ideias de modo a tornar o seu discurso integrado na ordem do dia, o que muitas vezes não passa de uma verborreia sem sentido. A disciplina mental que muitos velhos se impõem para poderem dizer que mantêm uma coerência verbal não é sustentável na mente dos jovens que se sentem perdidos perante um futuro delineado por estes argonautas de bússola já avariada.&lt;br /&gt;Os poucos jovens que se interessam pela política são hoje velhos nas ideias, na forma discursiva, na temática abordada. Parece que esgotados os temas ditos fracturantes como a homossexualidade, a sida, a droga, o preservativo, as relações sexuais livres, o divertimento, a noite, a mesada familiar, não há assuntos de interesse no horizonte. Outros assuntos perderam relevância porque só vinham á ribalta puxados por aqueles, como todas as causas humanitárias hoje quase esquecidas, senão viradas ao invés.&lt;br /&gt;A juventude é uma imensidão de gente à deriva, que no geral sabe rejeitar o velho embora não faça nascer o novo. O futuro está armadilhado, mas não se lhe pode virar a cara. Até aqueles que enveredaram pelo negócio estão hoje sem rumo, num mundo em que as referências também se vão perdendo sem honra, que, ao contrário do que diz o chefe da estirpe mais antiga do nosso capitalismo, também tem um preço. Mesmo sem vender a honra é com dinheiro que se abafa a desonra própria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-871231246561668160?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/871231246561668160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=871231246561668160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/871231246561668160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/871231246561668160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/08/tudo-tem-um-preco-menos-honra.html' title='Tudo tem um preço, menos a honra?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-440101026647763022</id><published>2010-07-30T00:00:00.000Z</published><updated>2010-07-31T09:39:22.473Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Local'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O murete da vergonha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A Câmara Municipal de Ponte de Lima entendeu construir, sem adoptar qualquer procedimento legal, um murete que barbaramente intersecta a Ponte Medieval. Alguém diz que será despicienda a opinião de uns tantos curiosos, entre os quais me posso incluir. Se a questão extravasa em muito a nossa competência, a ponte é um monumento nacional, ela fere a nossa sensibilidade e temos todo o direito de o manifestar. O facto de haver autoridades competentes para fiscalizar actos desta natureza não proíbe as chamadas forças de bloqueio de chamarem a atenção para os mesmos. Além disso quem pretender produzir efeitos políticos está no seu pleníssimo direito. As forças de bloqueio que pretendem bloquear a crítica é que não são aceitáveis, antes desprezíveis.&lt;br /&gt;Quando pretendemos discorrer sobre a actividade pública devemos ser indiferentes a causar ou não prejuízo ao poder instituído. Estando numa sociedade livre, não necessitamos de recorrer a subterfúgios. Aliás devemos ser claros e manifestarmos com frontalidade a nossa oposição, quando for caso disso. Um assunto da importância deste murete merece um reparo em forma ao que tentaram fazer ou, para quem o entenda fazer, um aplauso àquilo que ia ser feito. É a imagem da Vila que está em causa, como Vila respeitadora do seu próprio património ou como Vila que está disposta a pôr em causa todo o seu passado para encontrar soluções para os problemas do presente.&lt;br /&gt;Também concordemos em que um acto praticado por um edil camarário não tem a natureza doutro acto praticado por um varredor ou por um feirante. Um vereador pode e deve ser mais responsável e por esse motivo é natural que se sujeite a ataques mais virulentos. Venham ou não esses ataques na sequência de outros, para quem não está interessado em jogos políticos, cada acto tem que ser visto pelo seu próprio valor. Se houver quem pense que actos destes são suficientes para justificar a perca de um mandato também está no seu direito, afinal atrás deste erro outro virá, não estamos perante pessoas que facilmente enveredem por outro caminho, que tenham a humildade suficiente para recuar.&lt;br /&gt;O murete é da responsabilidade de quem o mandou executar, mas também de quem estes anos todos se tem calado perante a criação de um poder quase absoluto. Podemos dizer que nada acontece por acaso, antes tem uma lógica própria. Mas a responsabilidade pelo murete também é do arquitecto, do engenheiro ou doutro qualquer técnico que tenha elaborado o projecto para o arranjo urbanístico que envolve a Ponte Medieval. No entanto não esperemos que haja projecto nem que a Câmara explique o seu modo de tomar decisões e os métodos adoptados na sua acção. A Lei já não é muito exigente para os autarcas e estes desprezam as forças de bloqueio.&lt;br /&gt;A questão do murete tem repercussões que vão muito para além da efémera vida de todos nós. Mais de seiscentos anos contemplam aquelas pedras e deveríamos ter um maior respeito para com elas. Sempre se permitiu que lá cravassem espias e segurassem cordas das tendas dos feirantes, mas nunca ninguém se achou ofendido. Porém ao surgirem uns buracos feitos por feirantes nas pedras novas do chão da Alameda de S. João logo se manifestou a justa indignação. É gente que só sabe olhar para o chão, assim olhasse também para o ar e para as barbaridades que gente com mais responsabilidade vai executando.&lt;br /&gt;A questão do murete é de uma gravidade inqualificável e não faz da Câmara vítima senão de si própria. É uma vergonha que pretendam atribuir a quem faz críticas à Câmara o epíteto de marginal que vegeta ou de possuidor de uma tara persecutória, qual atento caçador de imperfeições. A Câmara tem beneficiado todos estes anos da falta de civismo, de uma anestesia colectiva, de uma propaganda que avassala a oposição. A Câmara tem todo o direito de querer tirar proveito dos erros dos seus adversários, mas não se pode melindrar por estes quererem tirar as suas ilações das suas próprias asneiras.&lt;br /&gt;Ninguém elege um Câmara para que os seus membros façam o que lhes dá na real gana, assim como a oposição não existe para vegetar. Afinal todos temos de nos justificar permanentemente. Isso é muito mais importante do que andar a criticar o comportamento alheio, muito menos com a leviandade com que muitos o fazem. Todas as ofensas gratuitas a quem detém o poder ou a quem diverge da opinião do “senhor” são de rejeitar pelas mentes sadias que não aceitam forças de bloqueio costumeiras ou não, de qualquer natureza. Esta de começar qualquer defesa com um ataque usando terminologia assassina é deplorável.&lt;br /&gt;Não podemos em simultâneo dizer que há razões para critica, mas que não há o direito de criticar. A critica é mesmo uma busca permanente e a sensibilidade apura-se com o tempo, mas não o deixando passar acriticamente. Nem todos podemos aprender fazendo, pelo que a maioria tem que aprender criticando. E mesmo quem faz deve ser o seu primeiro crítico. Não há pessoas infalíveis, muito menos aquelas que não tem qualquer preparação técnica para decidir. No caso da actuação das nossas autarquias todos gostaríamos de não ter grandes críticas a fazer. Mas a modéstia também não ficaria nada mal nos autarcas.&lt;br /&gt;Eu assumo ser daqueles que fazem críticas permanentemente. Mas faço-o, não a visar as pessoas, mas essencialmente os métodos. Quando estes não são os indicados levam quase sempre a resultados desastrosos. Se as pessoas são atingidas, são-no de forma indirecta, mas isso será inevitável. Mas isso também só acontece porque o dar demasiado poder a uma pessoa é daqueles métodos que quase sempre leva ao desastre. As coisas tornam-se ainda mais graves quando as pessoas têm experiência do exercício dum poder autoritário, mas não têm experiência de um método democrático de tomada de decisões.&lt;br /&gt;O autoritarismo é um vício, mas essencialmente uma falta de método. Quem age de modo arbitrário não é necessariamente para ter gozo nisso, antes é por uma limitação qualquer, diferente da mera falta de discernimento. Acontece que quem sobe demasiado alto para as suas possibilidades se sente deslumbrado e ofuscado por tanta luz. A imodéstia não é boa conselheira. A frontalidade e a verticalidade não abundam no meio e por esse motivo muitos se sentem desresponsabilizados de as assumir. Uma opinião pública sadia exigiria muito mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-440101026647763022?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/440101026647763022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=440101026647763022' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/440101026647763022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/440101026647763022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/07/o-murete-da-vergonha.html' title='O murete da vergonha'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4416999039819963505</id><published>2010-07-23T00:00:00.001Z</published><updated>2010-07-23T06:03:13.612Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>A necessidade de uma nova aliança</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Desde Marx que se passou a pensar ser a história humana uma luta entre o trabalho e os detentores dos meios de produção, os possuidores do capital. Estes, independentemente da sua origem, encontraram sempre várias maneiras de justificar a sua posse, para além da primordial violência. Além disso os capitalistas sempre se viram a si próprios como iguais, mas na realidade são cada vez mais evidentes as diferenças entre as várias formas possíveis de utilizar o capital, cada vez mais nítido o papel de cada um no chamado mercado.&lt;br /&gt;Já tem surgido conflitos entre as várias formas de ser capitalista, mas não de forma suficiente para criar uma separação esclarecedora que seria benéfica para aqueles que vêm no capital uma forma de promover o desenvolvimento a favor de toda a sociedade. Esta situação coloca novos problemas do lado do trabalho, hoje mais consciente de que necessita de uma aliança com o capital inovador e promotor de iniciativas empresariais, mas que não pode deixar que o limitem a mais uma força do mercado. O trabalho é a razão de todo o valor.&lt;br /&gt;Tradicionalmente os que estavam do lado do trabalho sempre viram no capital uma forma de exploração e procuraram obstar a ela, em especial aqueles que não tinham quaisquer meios de subsistência. O objectivo último dos trabalhadores, definido pelos teóricos marxistas, seria organizarem-se para produzir só para si e para a sociedade e não para sustentar classes parasitárias ou para a acumulação capitalista. Entretanto todas as tentativas feitas para concretizar essa ideia falharam.&lt;br /&gt;Anteriormente à industrialização, nas sociedades tradicionais, praticamente não havia acumulação porque os bens tinham uma renda garantida, mas não a suficiente para permitir a aquisição de outros bens. A riqueza fundiária adquiria-se pela violência e não pela compra. Só as sociedades mais ricas conseguiram uma razoável acumulação nessa era pré-industrial. Isto permitiu-lhes obras grandiosas, mas que não produziam quaisquer rendas aos seus promotores.&lt;br /&gt;A acumulação capitalista é característica da sociedade industrial, o que pressupõe que a subsistência é garantida por um número limitado de pessoas, disponibilizando-se assim uma reserva de mão de obra para produzir outros bens e uns tantos fora desse espaço de necessidade, que puderam mesmo prescindir da renda de bens fundiários e se assenhoram da mais valia incorporada nos bens produzidos pela máquina industrial, em última instancia à custa do trabalho.&lt;br /&gt;Parte do valor dessa mais valia conseguida na produção é usada pelos capitalistas na sua subsistência, no supérfluo e outra parte na aquisição de novos bens rentáveis, num processo de acumulação sucessiva. Se este tipo de desenvolvimento capitalista até levou à melhoria das condições de vida dos trabalhadores, mais levou à melhoria de vida dos capitalistas e a uma acumulação extraordinária de capital, como nunca antes se vira.&lt;br /&gt;O aumento do capital levou também a uma disponibilidade deste para fins não produtivos e à alteração da natureza das crises próprias do capitalismo. Nos primórdios do marxismo haviam crises na economia quando havia excessos de produção para a capacidade aquisitiva. Neste estado de maturação do capitalismo as crises derivam do inverso, da inexistência de bens produtivos em que seja possível aplicar todo o capital acumulado.&lt;br /&gt;O sistema financeiro bem procura inventar aplicações para o dinheiro existente, retirando-se do seu papel de intermediário activo para um papel passivo, para não ter responsabilidades directas. Cada vez mais o sistema financeiro alicia as pessoas para aplicações em fundos constituídos por títulos de divida doutras instituições, acções e produtos de que não pode garantir a rentabilidade, deixando assim quem aplica o dinheiro a ver o seu valor dependente directamente de factores estranhos à acção do próprio intermediário.&lt;br /&gt;O actual sistema capitalista está orientado para a rentabilidade abstracta, se assim se pode dizer, do dinheiro e não para a rentabilidade do trabalho e do capital que nele investe, o capital industrial. Durante um certo tempo isso foi possível, porém com o tempo foram enxugando os meios de obter a rentabilidade necessária para que se possa dizer que vai conseguindo obter os seus objectivos de modo não fraudulento. Na verdade não é credível que todos consigam aceder aos produtos que dêem rentabilidade. Também por isso o ataque às dividas soberanas porque essa é uma forma de obter alguma rentabilidade extra, emprestando dinheiro a Países em estado de necessidade.&lt;br /&gt;Se um País não pode emitir moeda, ou se, mesmo podendo, tem uma dívida contraída em moeda estrangeira, tem dificuldade em recorrer a empréstimos para suprir as suas carências e torna-se vulnerável à chantagem destinada a aumentar a rentabilidade do dinheiro. Os Estados deixaram de poder recorrer à guerra para se financiarem ou para anular as suas dívidas. Os Estados ainda não sabem lidar com esta poderosa força que é o dinheiro sem dono visível.&lt;br /&gt;Nos domínios da economia o capital financeiro tem grande mobilidade e tem uma circulação cada vez mais livre em todo o mundo. Por sua vez o capital industrial está cada vez mais prisioneiro e ainda passou a ter que suportar parte dos rendimentos do capital financeiro. O capital industrial está limitado a repercutir os seus custos sobre os preços dos seus produtos e/ou sobre os preços do trabalho e por isso só tem como saída a deslocalização, à procura de mais fácil produção. Por vezes até parece que, na sua voracidade incontrolada, o capital financeiro vai matar o capital industrial.&lt;br /&gt;O trabalho tem que procurar novas alianças com o capital com cara e com nome, que reconhece o seu valor, pese embora muitas vezes a cara que apresenta não seja muito apropriada e o nome levante muitas dúvidas. Essas alianças só serão possíveis porque parte do capital, o capital industrial e aquele que está repartido pelas classes intermédias, já é vítima da voracidade do capital financeiro que está na mão dos que manobram os cordéis do sistema. Este já consegue causar prejuízos àqueles. Os Estados não têm que se preocupar com a rentabilidade de um capital abstracto, antes tem que definir estratégias que associem o trabalho e o capital industrial na construção do futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4416999039819963505?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4416999039819963505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4416999039819963505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4416999039819963505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4416999039819963505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/07/necessidade-de-uma-nova-alianca.html' title='A necessidade de uma nova aliança'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-7934386883905008369</id><published>2010-07-16T00:00:00.000Z</published><updated>2010-07-15T18:26:55.328Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Que Viva Saramago!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Há encontros que não se solicitam, mas também se não rejeitam, Houvera eu de me encontrar, não me encontrando, com quem veio ao meu encontro, fisicamente não vindo, antes escrevendo aquilo que não houvera sido escrito, senão dito algures ou imaginado por quem sobre Deus sempre se interrogou, pese embora n’Ele não acredite, e até rejeite como Ele nos é apresentado, outra forma ainda Deus não encontrou de se manifestar senão pelo testemunho de outros homens como nós, a um dos quais, Jesus Cristo, a Igreja dá lugar destacado, que viveu entre nós, sendo e não sendo como nós, de nós se demarcando, purificado pelo baptismo que também nos deixou, terão as águas sido entretanto contaminadas, e de quem Saramago se apresenta como descrente, Anti mesmo, não tanto pelo que ele se atribuiu, artes de mensageiro com acesso directo à fonte de todas as coisas, visíveis e invisíveis, não foi ele capaz de manter a glória da sua Igreja, não a defendendo dessa cambada que, pelos tempos fora, se tem banqueteado á sua sombra, tomado conta das suas cadeiras, dos bastões, das coroas e doutros símbolos dum poder que Jesus Cristo nunca teve, nem foi tentado a ter, não se sabe que vaidade leva estas figuras a apresentarem-se faustosamente como representantes de quem morreu na cruz, e a darem tão má imagem de Cristo e de Deus, a quererem somente lugares de destaque entre os poderosos deste mundo, para disfarçar dizem que o seu mundo é outro, Saramago diz que as chaves, se as houvesse, estariam em fracas mãos.&lt;br /&gt;Saramago está entre aqueles que da Lei da Morte se foi libertando, Posto que posterior a Camões, e não sabemos ao certo a sentença deste, mas é de crer que ele o receberá lá entre os Imortais, Saramago só nos deixou as suas cinzas, assim sendo não vai ter lugar no Panteão Nacional, neste só recebem gente de carne e osso, não se discute o seu estado, não sei onde isto está escrito, decerto que um Lara qualquer o há-de descobrir, Numa Terra de tantos salamaleques, tantas dobraduras de joelhos, tantos beija-mãos, não é de crer que Saramago tenha passado desta para a outra banda sem a devida nota de culpa com que há-de ser apresentado a julgamento final, que para já, por obra e graça das testemunhas abonatórias da sua má conduta que abundam por estas bandas, irá decerto ficar por uns séculos em Banho Maria, que outros neste mundo também vão ficando, uns presos, outros com pulseira electrónica, outros sem outra marca que aquela que lhes atormenta a consciência e não sabem quando será o seu julgamento, quando se livrarão dos esbirros que os acusam, Vai que Saramago também não ajudou nada a simplificar as coisas, nem uma demarcação da ditadura do proletariado, com que se entusiasmou até há pouco, ao menos que o tivesse feito depois da queda do muro de Berlim, após o que muitos abriram os olhos, ele veio a dar algumas marteladas na ferradura, mas lá foi ajudando a espetar bem os pregos que hão-de continuar a trazer boa parte deste povo agarrado a velhas e ultrapassadas ideias, sejam de direita ou dita esquerda, nada ajudando a vencer o neo-liberalismo triunfante, que este é que se aproveita, e Marx não virá cá, nem Saramago acreditaria, rever as suas doutrinas, para combater o domínio do capital sem dono doutro modo, o proletariado de hoje esvaiu-se.&lt;br /&gt;Contradições há em todo o lado, e Saramago empenhou-se bem em encontrá-las nos Evangelhos, no procedimento de Reis e Sacerdotes, descrevendo o ambiente hipócrita em que a maioria dos poderosos viveria, usando uma ironia a vários níveis subtil, arma eficaz de quem não se deixa enrolar pelo discurso de poderosos de todos os calibres, A ironia é sempre uma barreira para aqueles que são incapazes de partilhar os mesmos valores de Humanidade, que Saramago os tinha, mesmo que não os vejamos pelos mesmos critérios, Saramago irónico não é o mesmo que Saramago justiceiro, aplicador implacável da ditadura do proletariado aos escribas do DN, os jornalistas eram e ainda continuam a ser vulneráveis à manipulação de informação, falta saber se Saramago foi algoz ou vítima, transferiu-se, abandonou a luta de classes, deixou a imprensa como campo privilegiado de luta das muitas forças que no mundo se digladiam, e tais forças são possuidoras de muita violência, senão não eram forças, aqui a parte lúdica só está nas últimas páginas, seja o soduku ou as palavras cruzadas, Umas forças manifestam-se, e até se vangloriam, outras há que se escondem, enquanto não estão em condições de desferir golpes fatais, os golpes de Saramago não o foram, a ditadura ficou por implementar, chegou para que nos fartássemos da teoria que diz que a violência é conforme àqueles a quem serve, maléfica se vinda doutra parte, prodigiosa se do nosso lado, ora a pintam de vermelho ora de azul, afinal o nosso caminho tem que ser outro, a violência é tanto mais nefasta quanto mais gratuita for, os critérios clarificam a violência, não deixam de ser contestáveis, no entanto o mundo vau avançando com estes contributos contraditórios, a luta de ideias em que Saramago se envolve ajuda, não sabemos quando se avaliará o contributo que cada um lhe dá, o de Saramago está dado, questione-se ou não a justiça dos seus critérios de aplicação da violência que Deus nos colocou em mãos, porém ele contestou outras violências até chamou à Bíblia um manual de maus costumes, também nos pôs a voar na passarola, esta avaliamos nós com alta nota, que o seu brilho literário suplanta em muito o papel que lhe coube desempenhar na vida profissional, Na verdade nós temos sempre dois lados, que nem sempre os podemos mostrar em simultâneo, se não que passe uns anos para que se dilua na memória alheia aquilo que era do domínio da necessidade, e portanto nos possa vir a envergonhar, feita pensamento, feita teoria, mas que dela nos faz prisioneiros, que não se iludam aqueles que se dizem livres e são escravos de si mesmos, da sua carne e dos seus ossos, que aqueles que nos prometeram a libertação, se esta só vem com a morte, é fácil prometer aquilo que não estão obrigados a cumprir, que Saramago preferiu a Imortalidade libertadora à Eternidade castradora.&lt;br /&gt;Que Saramago viva na Imortalidade!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-7934386883905008369?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/7934386883905008369/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=7934386883905008369' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7934386883905008369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7934386883905008369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/07/que-viva-saramago.html' title='Que Viva Saramago!'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-1231918232875645167</id><published>2010-07-09T00:00:00.000Z</published><updated>2010-07-09T12:47:33.442Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Precisamos de vender, mas não vendamos a alma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;O País precisa de vender. O País tem que apostar na produção de bens transaccionáveis. O País virou-se para o consumo desmiolado com o pretexto de que os outros consumem mais do que nós, mas nem produz o que consome. Depois produzimos coisas que se não vendem e aparentemente não nos dão qualquer vantagem, como as auto-estradas. A maioria dos serviços não se vende além fronteiras, a não ser que emigremos. Há uma imensidade de sectores da economia que não servem este propósito de venda de algo ao estrangeiro, que é aquilo de que nós precisamos como de pão para a boca.&lt;br /&gt;Estas afirmações assim feitas, sem que com elas se pretenda tirar outras conclusões, são verdadeiras. No entanto não o são se a intenção de quem as profere é ocultar outras verdades. E neste ponto nós temos essa qualidade inata de exímios ocultadores. Acreditamos que certas afirmações bombásticas são capazes de impedir que se coloquem perspectivas realistas e que se siga uma lógica correcta de pensamento. Há quem queira ocultar que o investimento é necessário e que se não tivéssemos auto-estradas estaríamos pior.&lt;br /&gt;É verdade, há necessidade de exportarmos mais e de substituir algumas importações, mas não extrapolemos de imediato para outros domínios. Coloquemos já o problema de saber por onde começar, como se fará a escolha. Em princípio o dilema pôr-se-á entre exportações com mais valias tecnologias ou com pouca ou nenhuma tecnologia. Estas seriam as mais vantajosas para a produção de emprego, as primeiras trariam mais valor mas seriam irrelevantes no ataque ao desemprego.&lt;br /&gt;Há uns anos atrás não haveria economistas sensatos que dissessem que a aposta não passaria pela primeira opção. Só essa seria capaz de nos pôr a competir com as economias mais avançadas e de nos fornecer mais valor acrescentado. As indústrias de trabalho intensivo estariam destinadas há muito a serem transferidas para o terceiro mundo. E foram. Só que o desenvolvimento entretanto verificado não foi suficiente para arranjar emprego às pessoas dispensadas daquelas indústrias.&lt;br /&gt;Para cúmulo a grande maioria dessas pessoas são de meia idade e transferidas nas últimas décadas do sector primário da agricultura, sem preparação especial, sem empregabilidade nos sectores de ponta que, para espanto dos mais crédulos, também zarpam para o terceiro mundo, menos ignorante do que muitos pensavam. Na teoria temos duas opções, na prática nem tanto. Na realidade estamos entre duas espadas e não temos solução para vencer quaisquer delas.&lt;br /&gt;Estamos entre o combate ao deficit e o combate ao desemprego. Se os senhores do dinheiro não fossem tão radicais diminuiriam a pressão sobre a solução do deficit, mas não parece ser essa a sua intenção. Se os empregados não fossem tão exigentes aceitariam um trabalho qualquer em qualquer condição, mas parece que a sua dignidade lhes não permite isso. Tudo tem limites e não sendo admissíveis salários dezenas de vezes superiores a outros, os discursos morais têm que ser repensados. As disparidades na economia dificultam-nos o raciocínio.&lt;br /&gt;O Estado tem mais armas para combater o deficit do que para combater directamente o desemprego. Em grande medida só se pode dedicar ao segundo combate depois de ter sucesso no primeiro. Na perspectiva do combate ao deficit assume particular relevância o aumento das exportações seja de que natureza for. Mas preferencialmente de mercadorias com alto valor acrescentado. Também será importante a diminuição das importações, em especial no sector energético, por substituição da energia fóssil importada pela energia renovável de produção nacional. Mas não é assim que de modo significativo combateremos o desemprego.&lt;br /&gt;A conversão energética é mesmo um dos pontos seguros numa estratégia consistente, além da aposta nos produtos tecnologicamente mais avançados. Estas são verdades não ocultáveis no momento presente. É uma aposta que tem que ser feita, mesmo que produza pouco efeito no combate ao desemprego. Na realidade essa aposta não é suficiente para definir uma estratégia global capaz de incluir também o combate ao desemprego nas suas ideias mestras.&lt;br /&gt;A quem poderemos nós entregar a tarefa árdua de definir com mais precisão essa estratégia global que o País sempre deve ter para sucesso da sua população e orientação de empresários, economistas, políticos e outros responsáveis que se sentem sem rumo e sem ânimo a executar tarefas rotineiras e algumas já sem sentido? Sem inverter a lógica do combate os deficits, o do Estado e o da economia nacional, algo tem que ser feito para combater o desemprego e algo se terá que fazer para que os investimentos estimulem a economia.&lt;br /&gt;As novas regras em preparação para controlar a posse e a utilização do dinheiro também vão condicionar as nossas opções. No entanto parece definitivamente perdida a independência do capital industrial perante o capital financeiro, mais rentável e volátil. A desregulamentação suicida foi uma cedência ao capital financeiro. A interferência deste no domínio do trabalho e da produção levou à procura do máximo de rentabilidade e a um desequilíbrio na estrutura económica. Em tudo passou a haver competição, esqueceu-se a colaboração, a confiança e a cooperação.&lt;br /&gt;O País precisa de trabalho, mas não a qualquer preço. O valor acrescentado tem que contribuir para os trabalhadores de forma digna, para o capital de forma justa, para o Estado de forma equilibrada de modo a poder proporcionar benefício social. Se o valor acrescentado não cumpre estes três objectivos então o trabalho pode ser um logro. Uma estratégia viável não pode passar por vender a qualquer preço, trabalhar sem dignidade, investir sem mérito produtivo.&lt;br /&gt;O País precisa de gente sensata, não de vendedores de ilusões, de incendiários, de experimentalistas e aventureiros. Se um pouco de ilusão é necessário para chegar à Índia, nunca ninguém pensou em lá chegar de canoa. Chegou-se lá após estudos feitos, experiências devidamente fundamentadas e arrojo nas alturas próprias. Nunca precisamos de vender a alma para realizar tantos feitos históricos. Não a vendamos agora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-1231918232875645167?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/1231918232875645167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=1231918232875645167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1231918232875645167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1231918232875645167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/07/precisamos-de-vender-mas-nao-vendamos.html' title='Precisamos de vender, mas não vendamos a alma'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3545384624719991134</id><published>2010-07-02T00:00:00.002Z</published><updated>2010-07-03T05:43:50.925Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O drama do desemprego em tempo de globalização</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A substituição do trabalho humano pela força motriz no séc. XVIII e pela robótica no séc. XX foram processos que encheram de inquietação os trabalhadores, mas que a sociedade ocidental foi resolvendo sem grandes sobressaltos. Se uns até pensaram que a motorização e a automação iriam retirar ao homem o trabalho, libertando-o, outros alertaram para que a falta de postos de trabalho humano não seria uma benesse, mas antes um problema por contribuir para retirar dignidade ao homem.&lt;br /&gt;Situação como aquela que se previu nessas ocasiões surgiu agora, não pelas vias mencionadas, que são etapas já assimiladas pela economia, antes por efeito de uma nova divisão internacional do trabalho resultado da globalização que fez transitar as indústrias de trabalho intensivo para países com uma população a viver ainda fora da economia mercantil.&lt;br /&gt;A globalização foi aceite por todos por razões diversas. Uns pensaram que seria maneira de aumentar o seu mercado. Outros pensaram que seria a ocasião ideal para sermos solidários. Outros ainda agiram por razões políticas e que esta seria a melhor maneira de imprimir à política um caris de pensamento único. A verdade é que se entrou num caminho sem retrocesso e que a vozes dos chauvinistas se perdem cada vez mais.&lt;br /&gt;Que a globalização traria desemprego era coisa também esperada. Que este problema assumisse o carácter de crise não estava na mente de todos. Porém alguns já a tinham por inevitável. Só não previram talvez que a crise fosse tão complexa. A forma pela qual os Estados nela estão envolvidos é nova e não tem soluções imediatas. Os Estados tidos até agora por garantes, passaram a devedores. Sucedeu agora uma imposição de adaptação a mudanças rápidas para as quais não estávamos preparados.&lt;br /&gt;De repente uma direita estúpida, cretina mesmo, passou a chamar de malandros, parasitas a todos aqueles a quem a possibilidade de trabalhar não é dada. Acima de tudo uma parte substancial da população, sem qualquer culpa na situação de desemprego em que está, é misturada com franjas avessas ao trabalho. Hipocritamente a direita dirá que quem não deve não teme, que só se sente quem tem culpas, mas os efeitos perversos que pretende atingir com essa retórica repulsiva é a depreciação do trabalho, a tentativa de forçar a disponibilidade para trabalhar a quaisquer preço e em quaisquer condições.&lt;br /&gt;Não é tolerável aos espíritos sãos, que se não deixam subornar pelas ideias provenientes de mentes perversas, que perante uma situação de desemprego continuado que se prevê vá perdurar durante muito tempo, se continue a insultar aqueles que reivindicam o direito a um trabalho digno. A ânsia capitalista de rentabilizar o dinheiro não procura novas bases económicas., tão só se vira para os velhos métodos de drenagem dos rendimentos de trabalho.&lt;br /&gt;A excessiva acumulação capitalista e a diminuição dos juros levaram a um estado de esquizofrenia. Há um imenso capital a remunerar e não há criação de rendimentos suficientes para isso. Aumenta a pressão sobre o trabalho como fonte última e mais segura de produção de rendimentos. A descoberta de que o sistema capitalista pode gerar dinheiro sem ser a partir do trabalho saldou-se por um desastre ao levar o capital a devorar a sua própria cauda.&lt;br /&gt;O sistema capitalista consegue fazer transitar de mãos para mãos avultadas verbas. Os lucros a que esses movimentos dão origem têm que vir de algum sistema produtivo ou em alternativa alguém terá que os perder. No fundo parece ser um procedimento suicida para o sistema, mas que é benéfico para alguém que individualmente o manipula. A função social do dinheiro não passa pela especulação, mas esta instalou-se como procedimento inultrapassável. No entanto a ambição máxima do capital é obter uma renda.&lt;br /&gt;A economia mercantil libertou o capital e o trabalho em simultâneo. O dinheiro tornou-se essencial para pagar o trabalho, o que não acontecia com a renda. A economia capitalista veio a instituir a supremacia do capital financeiro sobre outras formas de capital menos móvel e por arrastamento sobre o trabalho. No entanto as várias formas de capital ainda se digladiam par obter o seu quinhão de rendimento. O trabalho libertou-se da renda exigida pelo capital fundiário para se subordinar directamente ao capital e à sua política de desemprego. Os trabalhadores pagavam a renda em espécie e eram pouco mais do que escravos. Agora recebem o salário em dinheiro, mas sem qualquer garantia de futuro.&lt;br /&gt;A globalização é o tempo do capital financeiro e da subalternização absoluta do trabalho. Subitamente este ficou sem interlocutor identificado, visível, unitário. Sabia-se quem era o proprietário do capital fundiário, do capital industrial sob os seus vários modos, mas já não se conhecem os novos proprietários, os donos vagamente identificados ou as incógnitas do capital financeiro. O trabalho é cada vez mais pressionado sem que a direita, que ajuda a fazê-lo, e pensa ainda em termos de renda, saiba ao certo para quem ela própria trabalha.&lt;br /&gt;Já que não podemos regressar aos velhos nacionalismos, e ainda bem, exige-se de nós uma atitude patriótica de defesa do nosso trabalho, da sua valorização, porque o capital já não é nosso. Só que não podemos esperar que o capital financeiro se condoa com a nossa situação e nos permita ter os postos de trabalho de que necessitamos. Para o trabalho era imensamente mais fácil lidar com o capital industrial, que tinha rosto. Agora não sabemos a quem nos dirigir, a quem nos queixarmos. A verdade é que antes nos querem no desemprego que a trabalhar por valores que, por via da nova divisão internacional do trabalho e da avidez do capital, se tornaram excessivos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3545384624719991134?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3545384624719991134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3545384624719991134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3545384624719991134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3545384624719991134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/07/o-drama-do-desemprego-em-tempo-de.html' title='O drama do desemprego em tempo de globalização'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4716684464149359655</id><published>2010-06-25T00:00:00.000Z</published><updated>2010-06-24T20:18:55.184Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Existe na política um tempo da verdade?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A verdade é um valor superior que ninguém pode contestar. Porém não há maneira de os políticos se entenderem sobre o seu uso, a sua colocação. No entanto na política a verdade tem ao menos um valor prático. Mesmo assim discute-se a que assuntos a verdade absoluta se poderia aplicar. Se haveria momentos e circunstâncias em que seria de esperar o respeito estrito da verdade. Mesmo sabendo que uma maneira frontal de abordar assuntos não é adequada em muitos momentos e circunstâncias políticas. Momentos e circunstâncias de menor exigência e assuntos de menor importância podem permitir uma maior displicência.&lt;br /&gt;A verdade pura e cristalina sofre em política verdadeiros tratos de polé. Aliás como em todos os sistema sociais. Uns vão-se aperfeiçoando mais do que outros, mas ao contrário alguns até acabam por desaparecer por falta de verdade. Não é o caso da política que nos faz falta e a verdade sempre avançará. Os momentos podem ser incómodos, as circunstâncias podem ser inconvenientes para exigir verdade. Razões internas, mas essencialmente externas, podem ser invocadas para que a verdade não suba ao de cima como o azeite.&lt;br /&gt;Às vezes os ditos interesses superiores do Estado recomendam uma certa falta de rigor, que a informação não vá além do superficial. Hipocritamente alguns políticos exigem a verdade sobre os assuntos que lhe interessam e nem tanta sobre aquilo que interessa aos outros. E muitas mentiras passam incólumes porque não há ninguém com voz suficiente forte para clamar pela verdade. Também não falta quem procure legitimar uma política desconhecida com a simples invocação da pretensa mentira em que se sustenta a política alheia.&lt;br /&gt;Não existe uma autoridade independente capaz de ser responsável pela verificação da verdade e mesmo pela iniciativa de a procurar. Nem é viável instituir um novo órgão entre os políticos e o povo soberano. Depois não há conveniência na democracia directa. O povo não tem que se pronunciar em cada momento e em todos as circunstâncias, antes o deve fazer depois de obtidos os resultados das decisões políticas. Em politica só as eleições podem ser o tempo da verdade.&lt;br /&gt;Não cabe na cabeça de ninguém, por mais cândido que seja, que o político tenha que falar a verdade absoluta sempre e a propósito de tudo. Em termos políticos essa verdade não é em si um objectivo a atingir. É mesmo controverso que politicamente essa verdade possa ser comprovada, se é que exista mesmo. A transparência seria a qualidade necessária em política para que a verdade se pudesse comprovar. Mas como vimos nem sempre a transparência é aplicável. O jogo político é um jogo de sombras, penumbras e pouca luminosidade.&lt;br /&gt;Certas opções políticas seriam impossíveis se antecipadamente se tivessem que tornar claras todas as suas implicações. E precisamente é em domínios que afectam interesses de grupos sociais e económicos poderosos que há menos possibilidade de chegar a acordo. Enquanto uns lutam pela transparência outros lutam pela eficácia prática da sua acção. E não se pode pedir transparência só para os assuntos em que isso nos favorece.&lt;br /&gt;A ideia de que a mentira está sempre do outro lado é uma presunção exagerada que foi muito utilizada para justificar uma política. Salazar dizia que a verdade estava consigo porque os seus inimigos seriam defensores de uma política de mentira. Ferreira Leite fez-nos reviver há pouco tempo esses tempos negros de obscurantismo. Os propósitos próprios devem ser os primeiros a ser referidos. Hoje lançar sobre os outros o labéu da mentira já não chega para ter crédito. A verdade persecutória não é meritória.&lt;br /&gt;A verdade existe a vários níveis e com exigências diversas. Aliás que seria de nós se não reconhecêssemos que a verdade existe. Podemos tê-la ignorado durante muito tempo e já ser difícil atingir o contexto em que ela se possa revelar, mas não a podemos perder totalmente de vista. Não podemos entregá-la ao primeiro que se arrogue o direito de a possuir.&lt;br /&gt;Os donos da verdade já não existem. A verdade tem vários momentos, mas o normal em política é uma aproximação razoável à verdade só surgir quando a sua utilidade já é reduzida. Não se pára a história para dar razão à verdade. E nem a história chega para nos revelar toda a verdade. Com o tempo há várias verdades entre as quais a prefixada, a verdade persecutória e a verdade prática.&lt;br /&gt;Em política a ordem do dia tem uma importância relevante. A velocidade com que os temas passam pela ordem do dia diz muito sobre eles. Muitos assuntos que se vêem a revelar importantes nem lá passam. Uns saem mais esclarecidos do que entraram, outros nem tanto. No entanto o que lá se prova tem mais relevância, é a verdade prática. Assuntos que permanecem muito tempo na ordem do dia estão mais sujeitos ao escrutínio geral o que pressupõe que a questão venha a atingir um patamar superior de verdade. No entanto uma questão não é verdadeira só porque está insistentemente na ordem do dia.&lt;br /&gt;Quem mente não fica inibido de mais tarde pedir uma política de verdade. Na altura a mentira passou porque ninguém conseguiu colocar a questão num prisma mais revelador da verdade. Mas é difícil desmontar as falácias de outros em tempo útil. Com o tempo as pessoas sabem mais, mas quanto mais tarde se colocar uma questão, mais irrelevante ela será, embora mais probabilidades hajam de a verdade ser esclarecida. Esta escapa-se pelo meio de meias verdades com bastante agilidade e deixa-nos mesmo estupefactos.&lt;br /&gt;Muitos acreditam que ser dogmático é meio caminho para a verdade. Porém os dogmas são perecíveis, referem-se ao passado. Se nós não sabemos como vai ser amanhã a economia, a moral, a ciência, afinal todos os campos do saber, não temos todos os dados que nos indiquem o melhor caminho, aquele que pode ser seguido com mais verdade. Por isso, porque não temos a verdade prefixada, nos permitimos errar. Outros terão a verdade persecutória que raramente os levará a algum lado. Para nós temos que nos conformar com a verdade prática. A esperança de que o tempo da verdade há-de vir não será para todos. Mas também esses se têm que inquietar com a falsidade em que viverão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4716684464149359655?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4716684464149359655/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4716684464149359655' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4716684464149359655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4716684464149359655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/06/existe-na-politica-um-tempo-da-verdade.html' title='Existe na política um tempo da verdade?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4070608330757253002</id><published>2010-06-18T00:00:00.001Z</published><updated>2010-06-17T20:19:53.697Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Afinal vamos mesmo ter de ser nós a pagar?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Há anos que nos andam a dizer que devemos, cada um de nós já sabe há muito que deve uma pipa de dinheiro. Nunca nos tinham posto contra a parede, nunca nos deram um prazo para pagar. E enquanto isso não ocorria era como nada se passasse, como se remetessem essa obrigação para os nossos filhos e netos. Iríamos deixar uma herança para eles pagarem, mas só o facto de já cá não estarmos nos sossegava. Quem é que viesse depois que fechasse a porta. Além de pensarmos que não seria a nós que viriam a pedir contas, sempre vale a máxima de que enquanto o pau vai e vem folgamos as costas.&lt;br /&gt;Eis que os Gregos, além de deveram grossa massa, ainda falsificam estatísticas, contas, tudo. Os homens do dinheiro não são diferentes dos outros e pensaram logo que quem não reconhece que deve é porque não quer pagar. Meteram-se então em brios e apontaram à Grécia a primeira espada. Afinal se todos os políticos lhes atribuíram as culpas de toda a situação de crise, os financeiros limitaram-se a ensinar aos políticos que são estes que devem dar o exemplo, estipular regulamentos claros, mas também cumpri-los.&lt;br /&gt;Depois da Grécia viemos nós, num processo em escada, mas contagioso. Logo todos os outros países se preocuparam em saber o seu lugar na fila antes que o mal lá chegasse. Todos se quiseram eximir, todos se quiseram defender, pondo outros à sua frente neste alinhamento em direcção à devoração. Na verdade já ninguém conseguiu escapar das admoestações dos homens para quem o dinheiro ainda tem algum significado, os capitalistas e os financeiros.&lt;br /&gt;Afinal o espectáculo dado pelos Estados foi um pouco caricato. Todos tiveram que reconhecer hoje o que para muitos já era evidente há tempos, mas que sempre tinham desmentido. Com a careca à mostra de todos os Estados, todos se revelaram imensamente fracos, todos estavam a viver à custa do futuro, todos estão a encher os bolsos dos seus cidadãos de um punhado de letras a prazo. Nenhuma economia suporta a sucessiva reforma dessas letras. Os Estados habituaram-se a pagar com moeda falsa. Hoje isso não pega.&lt;br /&gt;Ninguém reconhece que os Estados tenham hipóteses de vir a obter meios de pagamentos das suas dívidas presentes. Pelo contrário estas crescem a toda a hora com os juros em que incorrem. Os Estados habituados à pressão social e à concorrência exterior têm agora que incluir a dívida como outro factor decisivo a ter em conta na construção do futuro. Em particular os Estados Europeus têm um deficit energético que lhes limita a margem de opção a assumir.&lt;br /&gt;No fundo teremos que restituir ao Estado, para que esta pague as suas dívidas, o dinheiro que ele andou a distribuir a seu belo prazer. Isto é, os Estados têm que ceder menos à pressão social, concorrer com os mercados imergentes doutro modo porque só pela qualidade já não será suficiente. E não tendo outra fonte de financiamento resta-lhes aquilo que os Estados sempre fizeram em momentos de dificuldade: O confisco dos bens dos particulares. Afinal estamos cada vez mais dependentes do Estado, já não sabemos viver sem ele.&lt;br /&gt;Achamo-nos injustiçados porque entendemos que não fomos contemplados nessa distribuição atrabiliária a que os Estados se entregaram em tempo de vacas gordas? Tanto faz. O segredo do seu sucesso está em não nos dar tempo para fazer contas. Tanta pressa torna a nossa situação dramática, mas um estado de choque é necessário para nos despertar duma letargia que nos tolhe. Nós até nos prontificaríamos a pagar, mas devagar, com tempo. Só que os verdadeiros donos do Capital e da Finança já não vão nessa. Os escaldões já têm sido bastantes.&lt;br /&gt;Há porém um aspecto para o qual teremos que estar em especial despertos. Trata-se do modelo social europeu, algo de vago e impreciso, mas que em Portugal é visível através dos mecanismos de apoio do Estado ao ensino, aos cuidados de saúde e à velhice, em especial as pensões de reforma. Não falta quem ponha em causa esse modelo e queira utilizar esta oportunidade para lhe dar um cheque mate. Perante tantos inimigos do Estado Social, muitos apenas inocentes úteis ao serviço de visionários sem escrúpulos, nunca é demais apelar à ponderação da sua utilidade face às alternativas.&lt;br /&gt;A opção é entre o sistema social europeu ou por um liberalismo desenfreado e voraz assente na gestão privada e especulativa de muitos dos fundos que hoje são púbicos. Ninguém aponta para o fim das pensões, mas para uma outra forma de as obter. Nos extremos temos um desconto obrigatório para um sistema de segurança social que assegura o pagamento dos actuais pensionistas e como alternativo um desconto voluntário para um sistema privada de gestão de fundos.&lt;br /&gt;Num e noutro caso o pagamento futuro só será assegurado pelo trabalho dos jovens de hoje. Ou através dos descontos que eles venham a fazer, ou através do rendimento que o seu trabalho possa proporcionar àqueles fundos onde os nossos descontos estejam aplicados na altura que nos tenham que garantir a pensão. Não há retornos garantidos. Maugrado o descalabro que assola o sistema capitalista periodicamente, mas que nos últimos dois anos teve um aspecto tenebroso, parece falta de bom senso pensar no mérito de entregar ao sistema financeiro a gestão do nosso dinheiro.&lt;br /&gt;No aspecto social não há sistemas perfeitos, mas há uns melhores que outros. Em relação ao pagamento da crise é que não há alternativa: Somos nós que a vamos pagar, não arranjaremos outros que a paguem. Os vindouros já têm sobre si encargos excessivos, entre os quais se realçam as nossas pensões. Só que a desculpa egoísta de que eles não as pagarão se nós descontarmos para fundos com esse fim é tão só um sofisma que os capitalistas nos querem impingir.&lt;br /&gt;De nada serviria dizer que os vindouros já não teriam que pagar as nossas pensões e fariam descontos somente para as suas. Teriam sempre que dar rendimento aos fundos que suportariam as nossas e não seria fácil assegurar a sua rentabilidade. Só que com os malabarismos de desvio de rendimentos, manipulação das bolsas, falências fraudulentas seriam os capitalistas a ganhar e ficaríamos com as mãos vazias. Mas bem presos a um sistema maquiavélico que nos sugaria por todas as formas e feitos. Quem paga somos sempre nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4070608330757253002?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4070608330757253002/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4070608330757253002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4070608330757253002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4070608330757253002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/06/afinal-vamos-mesmo-ter-de-ser-nos-pagar.html' title='Afinal vamos mesmo ter de ser nós a pagar?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-6772221896050677791</id><published>2010-06-11T00:00:00.000Z</published><updated>2010-06-11T12:09:45.510Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O dinheiro nunca é barato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Quando se vê os detentores do dinheiro atacar as próprias moedas isso é motivo de perplexidade para a maioria das pessoas. A primeira razão a que se atribui o motivo desse ataque é a especulação, a valorização dumas moedas contras as outras para conseguir ganhos na sua aquisição futura. Mas uma moeda tão forte como o Euro, tão central no sistema monetário mundial de hoje, será tão vulnerável ao ponto das suas cotações poderem ser manipuladas?&lt;br /&gt;Uma manipulação só é viável se o movimento se tornar irresistível e condicionar os principais detentores do capital. Também só é exequível se houver uma moeda forte alternativa que sirva de refúgio e não esteja sujeita a tão grandes flutuações. Estas condições não se verificam nas actuais circunstâncias. Também no domínio financeiro ninguém age por motivos sentimentais, nem haveria qualquer razão para não gostar do Euro. Isto só pode querer dizer que a pretensão dos ditos especuladores não é manter a situação anterior ou destruir o Euro, mas antes é reforçar o seu dinheiro, estabilizar mais ainda esta moeda.&lt;br /&gt;Aos detentores do capital interessa que haja solidez na emissão da moeda o que só os Estados podem dar. Quando a moeda é sólida, mas os Estados se endividam continuamente, estes tornam-se vítimas da própria rigidez da moeda. Os detentores do dinheiro só podem optar por se manterem no sistema sabendo que ele se encaminha para uma situação incómoda ou tentam movimentar-se o suficiente para acordar os governos da letargia que toma conta deles. A escassez de moeda pode levar os Estados a atitudes impróprias.&lt;br /&gt;Perante Estados que pagam débitos com a contracção de novos débitos só há uma hipótese de lançar o alerta que é através da exigência de pagamento de juros usurários que não correspondam a qualquer produtividade do meio em que é utilizado o empréstimo concedido. Se um Estado entra em dificuldade de pagamento dos empréstimos já contraídos, é natural que os especuladores tentem beneficiar da situação, mas também é natural que aqueles que só querem defender o valor do seu dinheiro, e que são a maioria, participem desse alerta.&lt;br /&gt;. Há aqui um círculo vicioso em que se ligam os Estados e o capital que cria uma interdependência em que o mais forte não é sempre o que parece ser. Afinal o Estado só se limita a disponibilizar os meios de pagamento, mas, a partir da altura que transfere a sua posse para os privados, passa a ser apenas o garante do valor do dinheiro. Como o Estado está interessado no seu próprio bom comportamento, procura providenciar para que a inflação seja reduzida ao mínimo e para que o dinheiro mantenha o seu valor fiduciário. A moeda tem que ser a adequada para o nível de desenvolvimento da economia que lhe serve de base.&lt;br /&gt;Quando o Estado não consegue colectar os impostos necessários para assegurar o seu funcionamento tem que recorrer aos empréstimos, como qualquer outra organização. Como esses empréstimos pagam juros é mais um encargo que os Estados têm que suportar. Outrora, quando os emprestadores eram judeus, ordens religiosas, corporações profissionais, o Estado recorria ao homicídio, ao desmembramento, ao confisco para pagar ou obter os meios de pagamento que lhe faltavam. Hoje o Estado é fraco, não pode ter essas veleidades, é impotente perante os detentores do dinheiro.&lt;br /&gt;Hoje uma certa esquerda baseia as suas teorias numa perseguição tenaz aos detentores do dinheiro. Não haverá dúvidas que muitas suspeições se poderão levantar sobre a maneira como se processou a acumulação de tanta fortuna em tão poucas mãos. No entanto este é um domínio de especulação politica infrutífera e nociva à sanidade social. Mexer no passado é complicado e tem efeitos perversos. O desejo supremo de muitos era verem os seus amigos envolvidos nesse ambiente de suspeita permanente. A mesquinhez está logo aí na primeira curva da estrada.&lt;br /&gt;Aquilo que é justo que as pessoas exijam é a utilização social do dinheiro. Como bem social que os Estados colocam ao dispor de cidadãos e organizações para poderem exercer a sua actividade económica tem que ser usado em benefício do progresso da sociedade. Torna-se é difícil destrinçar entre comportamentos que visam defender e aqueles que visam pôr em causa o valor duma moeda. No entanto é entendido que um primeiro princípio reside em que deve ser facilitado ao máximo o acesso ao dinheiro por parte de quem dele necessita e o pretende repor.&lt;br /&gt;A direita, na sua política de defesa dos detentores do dinheiro, pretende sempre diminuir a pressão sobre estes, fazendo passar a ideia de que o dinheiro é barato. Porém esta ilusão paga-se cara. A mobilidade do dinheiro tem limites e a sua eficácia depende mais da oportunidade de um negócio do que da facilidade da sua aquisição. Já houve tempo em que havia muitas oportunidades e havia juros altos a pagar pelos empréstimos, mas que não eram impeditivos dum investimento. Hoje com juros baixos não surgem oportunidades, a iniciativa individual é mais difícil, o dinheiro barato só serve para consumir e este não tem retorno.&lt;br /&gt;Se um privado ainda pode ter a ilusão de não pagar, o Estado não pode partir dessa pretensão. A única forma de se resolver a sua situação é colectar mais e mais aqueles que não se podem eximir ao pagamento de impostos. Como esta situação tem limites a alternativa é diminuir aos seus encargos, alterar a configuração dos serviços que presta, ter menos pessoas ao seu serviço, pagar menos, dar menos apoios sociais, comparticipar menos nas despesas com saúde, educação, lazer. A dificuldade de enveredar por este sentido reside em determinar o que é essencial e o que é menos fundamental e o que é supérfluo.&lt;br /&gt;Estamos numa situação cada vez mais decisiva em que temos que optar pelo sistema social europeu ou por um liberalismo desenfreado e voraz assente na gestão privada e especulativa de muitos dos fundos que hoje são púbicos. Porém uns e outros, durante muitos anos todos andamos a desprezar certos fundamentos essenciais de um modelo financeiro são. A condição de respeitabilidade do dinheiro, da moeda, do sistema é agora decisiva para todos os que querem uma evolução não atrabiliária em direcção ao futuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-6772221896050677791?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/6772221896050677791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=6772221896050677791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6772221896050677791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6772221896050677791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/06/o-dinheiro-nunca-e-barato.html' title='O dinheiro nunca é barato'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-6618391136247801287</id><published>2010-06-04T00:00:00.000Z</published><updated>2010-06-04T22:13:34.676Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Terá a Europa acordado? E irá a tempo?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Terá a Europa acordado? Terá o abalo financeiro e económico sido suficientemente forte para manter a Europa alerta o tempo suficiente para tomar as medidas que se impõe de modo a precaver o futuro? Algumas decisões já estão tomadas, mas para além de faltarem outras, falta ainda verificar em que medida aquelas decisões tomadas se tornaram irreversíveis e produziram efeitos para além da sua pura eficácia imediata. Falta saber em que medida a Europa tomará a iniciativa de avançar no caminho da sua própria construção.&lt;br /&gt;Os políticos do “pós-guerra” aprenderam que a política pura e dura em condições de grande conflitualidade não é capaz de produzir efeitos duradouros e todos os avanços derivados do simples jogo político são modestos e temporários. As políticas nacionais exploradas no sentido imediatista, dissecadas até à exaustão dos velhos princípios nacionalistas mais arreigados, não servem como base para qualquer acordo entre nações. Abandonadas aos interesses egoístas, reforça-se o mosaico das soberanias, proliferam os conflitos, os enquistamentos.&lt;br /&gt;Aqueles políticos chegaram à conclusão que a simples cooperação entre Estados, por mais boa vontade que presida à sua implementação, também sofre de uma inevitável erosão com o tempo. Sabiam que com o ressurgir da conflitualidade seria o fim de avanços na coesão ou na solidariedade. Salvou-nos o entendimento entre o francês Schuman e o alemão Adenauer. O acesso em igualdade pelas diferentes economias aos bens mais básicos para o seu funcionamento, a criação de um mercado comum para colocação em igualdade de condições dos seus produtos, foi a forma encontrada de fazer com que o olhar para o destino colectivo dos países europeus prevalecesse sobre o olhar para dentro, sobre a gula.&lt;br /&gt;Caminhar pelo lado da integração económica seria mais seguro que pelo simples acordo político. Desde então a Europa percorreu um longo caminho com percalços e solavancos, com países a diferentes velocidades, com tentativas de impulsos positivos, com regressões desastrosas e humilhantes. A moeda única foi um desses avanços parcelares, que não mobilizou todos os países, mas que se pensou poder vir a arrastar os restantes, tal como sucedeu noutros processos, incluindo na gradual adesão à Comunidade. Porém logo de seguida a rejeição de uma Constituição Europeia constituiu um revés trágico para o avanço há tanto tempo almejado e antevisto pelos europeístas como Monet e Delors.&lt;br /&gt;A crise financeira internacional e a crise económica que se lhe seguiu apanharam a Comunidade Europeia indefesa, sem instrumentos de resposta eficaz. Felizmente a força das circunstâncias levou a que se avançasse para soluções que os métodos de decisão não previam, que ultrapassam as competências delegadas pelos cidadãos nos seus dirigentes e pelos países na União Europeia. A economia suplantou a política, não permitiu que esta continuasse a mastigar soluções, titubeante, a pesar o valor dos pequenos gestos perante a grandeza dum futuro comum a defender e que impõe medidas profundas.&lt;br /&gt;Os políticos aperceberam-se enfim que tinham que adoptar os “velhos” princípios desses primeiros construtores da Europa. Puseram enfim em prática esse conceito libertário de que a soberania não é um fim em si. Um país é tanto mais forte quanto mais contribuir para uma união da Europa, para a coesão, mas tem que ter meios para isso. Porém o euro, sendo a moeda de dezasseis países europeus, não deu origem a uma maior coordenação entre eles. Este sistema monetário não está estruturado e dimensionado para enfrentar momentos de crise, nem tem a flexibilidade de métodos suficiente para responder às flutuações que se geram na economia de cada país e o faz avançar sem sincronia com os outros.&lt;br /&gt;As soluções adoptadas não passaram pelo crivo por que teriam inevitavelmente que passar se as decisões fossem adoptadas por um processo político normal. Tal só prova que a Europa terá que adoptar a sua estrutura constitucional à sua estrutura funcional, mas enquanto o não fizer não se pode deixar destruir. Um avanço institucional é uma necessidade de defesa, mas também será o cimento da construção futura. Porém os políticos enleados por velhos sentimentos nacionalistas só pressionados pelos acontecimentos conseguem avançar, abandonando as preocupações de forma para se debruçarem sobre os conteúdos. O interesse europeu impõe que só se aprimorem os processos decisórios depois de resolvidos os problemas de fundo.&lt;br /&gt;Não se sabe o dia em que nos será permitido pesar o bem que temos nesta Europa que resolveu sair da letargia em função do mal que nos poderia vir a acontecer se ela não tivesse uma resposta à altura. Mas devemos estar seguros que é melhor ficarmos nessa ignorância e deixar que os políticos aproveitem estas ocasiões, em que a força das circunstâncias são favoráveis, para avançar no sentido da integração europeia, do federalismo. Se surgir em breve um período em que as dificuldades sejam esquecidas, o individualismo social prevalecerá na maneira de analisar, ponderar e decidir em termos de estruturas sociais e políticas.&lt;br /&gt;Só em dificuldades abandonaremos as nossas ideias de nacionalismo estreito. Se agora podemos avançar sem pesar ganhos e percas porque os objectivos imediatos são convergentes, podemos estar certos que o antagonismo, a inveja, o revanchismo despontarão de novo. No entanto as situações graves também criam uma certa anestesia que levam o colectivo a calar perante a consumação de factos que podem em breve adquirir o estatuto de direito. Decerto que os políticos aproveitarão este facto no bom sentido porque o caminho é estreito e não prevê retrocesso. Se ou actuais políticos não tiverem a visão dos construtores da Europa estaremos tramados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-6618391136247801287?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/6618391136247801287/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=6618391136247801287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6618391136247801287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/6618391136247801287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/06/tera-europa-acordado-e-ira-tempo.html' title='Terá a Europa acordado? E irá a tempo?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2935911859584008994</id><published>2010-05-28T00:00:00.000Z</published><updated>2010-05-27T20:23:11.634Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Sinais para uma imagem renovada da Igreja</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;São vários os sinais deixados pelo Papa Bento XVI na sua recente visita a Portugal. O Papa abordou muitos dos problemas que a Igreja enfrenta e não escamoteou a sua origem, nem alijou responsabilidades. Ultrapassou o velho discurso da humildade que vise esconder qualquer espécie de prepotência, da palavra que vise atribuir-lhe um certificado de origem e reconheceu ao homem, à Igreja, mas também a todos os homens e a todas as Igrejas a função de desvendar verdades sem esperar que Deus nos las forneça de mão beijada. Bento XVI realçou a importância da revelação interior. Mas comecemos pelo princípio.&lt;br /&gt;Ainda no avião o Papa terá tido a sua mais importante intervenção. Colocou a questão da pedofilia onde ela nunca tinha sido posta de uma forma inovadora. O pecado da Igreja reside nela própria, não está a Igreja imune de gerar o mal. Abandonou assim o discurso da perseguição, talvez porque vinha a um País onde essa lógica não tinha pés para andar. Não só porque se não conhecem flagrantes casos de pedofilia no nosso País envolvendo membros da Igreja, como também não há qualquer razão para dizer que a população e o Estado exercem sobre a Igreja Católica qualquer tipo de pressão para lhe retirar prestígio e poder.&lt;br /&gt;O segundo acontecimento que surpreendeu, mas revela uma opção definitiva da Igreja pelo abandono das pretensões de outros tempos de natureza temporal, foi a referência que fez no discurso do Terreiro do Paço ao centenário da implantação da República e o quanto esta contribuiu para clarificar o papel de cada instância na abordagem dos problemas humanos. O Estado teve o direito de se apropriar de funções que a Igreja só desempenhava até aí pelo facto de ter um carácter mais organizado do que o próprio Estado. A Igreja ficou mais livre a partir dessa altura, reconheceu o Papa.&lt;br /&gt;Depois, no encontro com intelectuais no Centro Cultural de Belém, o Papa veio reconhecer que hoje a Igreja Católica é minoritária e tem que aceitar essa situação, mesmo que em Portugal essa minoria só o seja em relação ao total e a nenhuma outra confissão religiosa. Aqui se nota uma diferença, que não se refere ao valor, entre este Papa e o anterior. João Paulo II era um voluntarista, com espírito de evangelizador, pronto a ser foco de atracção, difusor da palavra, aglutinador dos crentes. Bento XVI é mais frio, intelectualiza os problemas, acredita no pensamento humano, procura razões para o que é incompreensível. Se ainda é o guardião da verdade, já não se reconhece como o guardião da verdade inteira.&lt;br /&gt;A partir deste grande momento da peregrinação do Papa por terras lusas passou a haver uma aceitação por parte da Igreja da verdade dos outros, não que aceite discutir a sua, mas não levantando obstáculos à possibilidade de outras se afirmarem. A estética, a ética também são domínios em que as verdades se podem afirmar. Longe vão os tempos em que até na ciência se procuravam demarcar fronteiras. A Igreja de Bento XVI passa a ter a sua fronteira apenas em Deus e restringe os domínios da revelação exterior.&lt;br /&gt;O que se pode presumir é que a Igreja está a caminho do abandono da velha questão da superioridade moral dos católicos, tema de uma presunção de que são vitimas muitas pessoas. Até Cunhal aproveitou a sua para a atribuir uma superioridade aos seus correligionários. Restará a questão da infalibilidade do Papa, tema adoptado pela Igreja de modo extemporâneo há uns séculos e reafirmado em momentos de crise. Felizmente que este último entrave à aproximação dos cristãos não está a ser brandido agora. Bento XVI não teme o aparecimento doutras verdades e parece aceitar não tentar impor a sua.&lt;br /&gt;Para além de qualquer marca divina, a grandeza deste e do Papa anterior está em que as suas personalidades se caldearam, se solidificaram e ganharam uma dimensão superior devido a um facto que os aproxima. Ambos construíram a sua personalidade nos domínios do Inferno. João Paulo XVI aguentou as agruras dos Infernos nazi e comunista na sua Polónia. Bento XVI, o Papa alemão, sofreu, foi humilhado por muitos dos seus próprios compatriotas que infernizaram a Alemanha e Países circundantes. Ambos se empenharam em não pactuar com sistemas despóticos, anti-humanos, com aspectos selvagens. Ambos estes Papas conheceram na sua exacta dimensão a baixeza e tentaram com os seus meios fazer a exaltação dos valores humanos mais nobres.&lt;br /&gt;Por último o Papa abordou na sua reunião em Fátima com os elementos mais marcantes da Igreja, pastores e interventores sociais, os problemas do aborto e do casamento homossexual, com alguma diferença em face das anteriores perspectivas com que eram apresentados. Bento XVI não colocou o problema da legalidade, antes o da legitimidade com que as pessoas recorrem ao aborto, mesmo que em situações limites. Desta forma incentivou todos a evitarem esse recurso, mantendo o seu carácter de acto condenável face à moral cristã.&lt;br /&gt;Também em relação ao casamento homossexual Bento XVI acha que a legalidade não afecta a falta de legitimidade que atribui às relações homossexuais. No entanto o aspecto que mais critica é a usurpação de uma designação que reportava a uma aliança entre pessoas de sexo diferente. Como muitas pessoas não religiosas e como aliás foi entendido pela maioria dos países que legislaram sobre o assunto, o Papa pensa que o problema poderia ser resolvido sem utilizar uma expressão que tem repercussões históricas, culturais e religiosas.&lt;br /&gt;Sendo um teólogo, um homem de pensamento, Bento XVI apresentou-se na viagem ao nosso País sem receio de sair da tradicional postura defensiva, sem receio das suas palavras e da dos outros. Já não chega à Igreja fechar-se e defender-se. São muitas as actuais dificuldades da Igreja, dos quais o problema da pedofilia é menor e localizado. Importante é o avançar com uma postura minoritária. Bento XVI aponta para a prioridade de um reforço interior em relação a uma expectativa exterior. Depois da queda do muro de Berlim há pouco de tão grandioso a esperar. Terminou (em beleza diga-se, mas terminou) o tempo de João Paulo II.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2935911859584008994?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2935911859584008994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2935911859584008994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2935911859584008994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2935911859584008994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/05/sinais-para-uma-imagem-renovada-da.html' title='Sinais para uma imagem renovada da Igreja'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4070321908962229407</id><published>2010-05-21T00:00:00.000Z</published><updated>2010-06-04T22:13:10.418Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Lamentamos, mas a violência ainda é o suporte da ordem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A violência é a fonte de todo o poder e o suporte da ordem. Ela pode “exercer-se” através da sugestão ou pela sua efectiva prática, felizmente cada vez mais em desuso. Por essa razão a maioria do tempo os exércitos estão parados. Já está ultrapassado o tempo em que quem detinha poder o usava discricionariamente como forma de o manifestar e impor. A violência era por vezes arbitrária. Porém há ocasiões em que a ausência de violência traz problemas. A violência pode ser benéfica. Seja nas relações internacionais, seja na solução das questões nacionais, seja mesmo nas relações pessoais há muitas situações em que se o mal não for cortado a tempo, o que muitas vezes só pode ser feito com violência, pode trazer dissabores maiores.&lt;br /&gt;Normalmente a violência só é despoletada depois de um grande acumular de tensões entre as partes conflituantes o que faz com que, em caso dum conflito assumir carácter violento, as consequências possam ser muito mais gravosas. Em muitos casos é fácil detectar o crescimento da tensão formando-se uma bolha de violência latente que tanto pode esvanecer como rebentar. Nos conflitos é normal começar-se pela sugestão do uso da violência sendo a escolha do momento para passar à violência prática determinante no desfecho da questão. Porém a sugestão pode ser tida por provocatória e antecipar esse momento.&lt;br /&gt;Também nas relações pessoais deparamos muitas vezes com essa situação ao vermos a bolha da insolência, da má educação, da estupidez, de arrogância a encher, a encher em certos indivíduos que se nos surgem como sapos intoleráveis. O problema é que, por mais argumentos racionais a que possamos recorrer, a sua compreensão do relacionamento entre as pessoas é limitada e tendenciosa. Essas pessoas partem do princípio que dessa forma, sem recurso à violência, obtém poder, mesmo que virtual, porque tal facto já lhes acarinha o ego. A própria argumentação a que recorrem pode comportar violência. O recurso à violência efectiva para dar por finda uma questão pode provocar efeitos colaterais e diferidos que podem tornar a acção contraproducente.&lt;br /&gt;Um conflito só está solucionado quando se encontra um novo equilíbrio que faça cessar a vontade de o alterar. Felizmente que a humanidade abandonou a procura de vitórias absolutas. Algumas manifestações de fundamentalismo causam alarme mas espera-se que as forças democráticas consigam sobrepor-se às forças que ainda tenham essa ambição. No geral hoje todas as vitórias que se perseguem na solução de conflitos são tão só relativas, sempre melhores e humanamente mais justas. Se uma solução não extingue toda a tensão que se tinha criado resta controlá-la e remetê-la para episódios posteriores. Este, como qualquer equilíbrio, pode ter roturas inesperadas, toda a estabilidade é passageira.&lt;br /&gt;Nem todos os conflitos remetem para uma luta de interesses claramente definidos, precisos. Imensas pessoas vêm-se envolvidas involuntariamente em muitas guerras sem nada ter a ver com elas. Envolvem-se nelas porque essas guerras as envolvem e, havendo uma supremacia em disputa, essas pessoas são tentadas a perfilar-se de um dos lados, pelos apelos dos seus intervenientes para a partilha de ganhos e percas dessa luta. Depois nem todas pessoas resistem da mesmo maneira a um envolvimento directo mesmo nada tendo a ver directamente com eventuais interesses em jogo.&lt;br /&gt;Os conflitos nunca são gratuitos mas muitos são dificilmente decifráveis. As alianças que se formam são por vezes estranhas, as fidelidades desrespeitam muitas vezes o que parecia assente. Conjugam-se poderes de atracção e repulsa com proveniências diversas e muitas vezes sem relação entre si. Confundem-se poderes, sugestões, influências, insinuações e ameaças. E o que é bem pior, às tantas não se sabe quem é o responsável, quem despoletou o conflito, quem o alimenta e a quem é que ele interessa. Muitas vezes nem se sabe quem é o mandante e o mandado.&lt;br /&gt;Afinal muitos juntos podemos contribuir para alimentar a violência, para que o rastilho fuja ao controle dos mais responsáveis, mas há sempre quem seja mandante, quem sugira, estimule, despolete e avalize o uso da violência. Também os mandantes podem ter hesitações, as coisas podem ir para caminhos não previstos, porém a responsabilidade é sempre individual por mais difundida colectivamente que esteja a violência. Em muitos aspectos nós já a herdamos, mas é necessário compreender as razões porque ela foi utilizada pelos nossos ancestrais para concluirmos pela inoportunidade do seu uso nos dias de hoje. Não mais podemos relegar para o colectivo as nossas responsabilidades, mesmo que nos dêem mandato para a aplicar.&lt;br /&gt;O equilíbrio social, em qualquer das versões que as pessoas adoptam como o seu Ideal, está longe de estar alcançado. Este facto revela que há tensões acumuladas e outras ainda que podem surgir. O aparelho de poder existente assegura a estabilidade através da sugestão da violência e do seu esporádico exercício. O aparelho de poder é a depositário da violência institucional e são muitas as forças que o pretendem controlar, para deter o mandato da violência. Todos querem contribuir para novos equilíbrios, mas também alguns têm em vista uma mudança radical que remeta a coesão social para o respeito por diferentes parâmetros de aferição.&lt;br /&gt;Aquelas forças radicais são simplistas na sua forma de abordar o equilíbrio social e portanto as divisões existentes na sociedade. Adoptam em cada momento todas as ideias que consideram fracturantes, mas muitas delas dão hoje uma imagem redutora. Ricos e pobres, poderosos e oprimidos, cultos e ignorantes, são divisões que já não dão uma imagem da complexidade social. A ordem passa por um equilíbrio entre as pessoas e já não entre grupos. Infelizmente este procedimento grupal ainda existe no próprio aparelho de Estado que tem órgãos que se orientam de forma contraditória uns com os outros. O poder deve-se exercer a favor de uma ordem coerente e equitativa, com a violência em grau adequado, uma violência propositada e proporcionada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4070321908962229407?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4070321908962229407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4070321908962229407' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4070321908962229407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4070321908962229407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/05/lamentamos-mas-violencia-ainda-e-o.html' title='Lamentamos, mas a violência ainda é o suporte da ordem'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-8885299131398444892</id><published>2010-05-14T00:00:00.000Z</published><updated>2010-05-13T13:00:59.166Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Trabalho e/ou Liberdade, uma aliança ou um dilema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A glorificação do trabalho não é apanágio só da esquerda nem só da direita, mas apresenta diferentes contornos conforme a posição política de quem a faz. Para a esquerda mais genuína o trabalho é o elemento central de toda a dinâmica social. Para a direita mais radical o trabalho pode ser somente uma obrigação dos elementos sociais dependentes Mas há algo de concordante em todas as posições porque afinal o trabalho faz falta a todos, até aos que não trabalham. As divergências fundam-se mais nas formas de prestação do trabalho. Este é hoje genericamente aceite como um acto dignificante, acto social imprescindível do modo como a sociedade está estruturada e funciona.&lt;br /&gt;Houve uma grande evolução nas condições de prestação de trabalho que trespassou sistemas e regimes. As excepções são poucas e confirmam a regra. Tal evolução é, pelo menos em boa parte, irreversível porque, embora historicamente haja avanços e retrocessos, não é crível que regressemos a algum dos estádios já ultrapassados durante o seu decurso. Claro que ainda há vozes que, com a justificação da opção pela garantia do sustento, dizem que estariam dispostas a perder muitas das melhorias conseguidas nessas condições de trabalho. E muitos não o dizem por opção política, aceitariam essa situação por puro realismo. A liberdade não paga tudo quando está em causa a sobrevivência.&lt;br /&gt;Felizmente que não precisamos de colocar as coisas nesse ponto. Podemos lutar pela liberdade e pelo trabalho sem preconceitos, sem cedências, sem sofismas. Não necessitamos de aceitar um trabalho que implique uma dependência abusiva. Mas continua a haver duas perspectivas antagónicas e ambas rejeitáveis para ver a questão do trabalho. Uma das perspectivas que ignora a sociedade aponta para a sobrevalorização da liberdade como supremo valor de que a nenhum pretexto se pode prescindir. A oposta aponta para o valor supremo do trabalho de que a sociedade até terá o direito de se apropriar.&lt;br /&gt;Convenhamos então que não há um direito a uma liberdade absoluta quando usufruímos dos benefícios de viver numa sociedade. Temos a obrigação de pôr ao dispor dessa sociedade bens, trabalho e o poder que tenhamos obtido. No entanto é sabido que a maioria de nós é profundamente recalcitrante em aceitar essa obrigação. Por outro lado se temos que reconhecer ao Estado direitos, este não tem o direito de nos impor condições degradantes de prestação de trabalho. O Estado, como primeiro responsável pela organização social, actue ou não como empregador, não nos pode impor condições aviltantes. Mas a esquerda mais se rebaixou nos casos em que aceitou o Estado como empregador global.&lt;br /&gt;O modelo de organização da sociedade, e em particular da actividade económica, que durante séculos assentou essencialmente na posse da terra, está hoje, pelo menos teoricamente, dependente da vontade soberana da população. O poder que era detido por quem detinha a terra transitou por diversos grupos sociais e está hoje mais próximo da população em geral, embora nesta haja partes com diferentes interesses e diferentes capacidades de intervenção. O Estado tem vindo a estruturar-se com possibilidades de uma relação mais directa com cada elemento da população e também de uma acção mais directa na definição das condições de prestação de trabalho.&lt;br /&gt;A disputa que no mundo inteiro tem tido lugar sobre o modelo que deve servir de base à actividade económica tem-se desenrolado entre aqueles que querem impulsionar a sua regulamentação exaustiva, aqueles que querem o liberalismo máximo e aqueles que querem a simples apropriação dessa actividade pelo Estado. Com a diminuição drástica do poder dos que defendem esta última opção, passou a haver uma luta mais acesa entre os que defendem as duas primeiras opções. Além disso muitos dos que defendem a primeira opção defendem também alguma intervenção do Estado em actividades económicas importantes em especial as que estão em sistema de monopólio.&lt;br /&gt;Hoje em qualquer Estado moderno este é o principal empregador. A estrutura do Estado é ocupada por elementos eleitos, outros escolhidos por aqueles e uma imensa multidão de prestadores normais de trabalho. Em relação a estes o Estado funciona ao mesmo tempo como patrão e como regulamentador da prestação de trabalho. Como patrão o Estado funciona em concorrência com o sector privado e torna-se atractivo. Aqueles que trabalham para o sector privado anseiam ter as mesmas condições. Como concorrente o Estado “porta-se bem”, é desleixado, como patrão absoluto o Estado é agressivo, concentrador.&lt;br /&gt;Se na actividade privada se estabelecem hierarquias na sua organização, no Estado elas são mais evidentes, mais numerosas, mais requisitadas. Em causa está não só o nível de remuneração mas um poder mais efectivo, mais assumido, menos dependente e que ultrapassa a funcionalidade restrita. Por vezes extravasa-se em muito aquilo que seria razoável, racional. Pequenos tiranetes são vulgares incrustados nas estruturas do Estado. Este facto cria muitas vezes conflitos desnecessários e prejudiciais a um trabalho eficaz. Este Estado é permissivo.&lt;br /&gt;No países em que a estrutura do Estado é mais permeável aos procedimentos normais de uma sociedade, onde imperam as razões de família, de grupo, de amizade, de compadrio, mas também de favorecimento e até venda de lugares, há menos eficiência e relações laborais mais problemáticas. Todas essas relações que impliquem cedências pessoais são nefastas. Nestes casos é difícil garantir a liberdade, porque são as próprias pessoas que colaboram activamente na criação de situações de dependência para além da subordinação funcional.&lt;br /&gt;Há ainda um outro problema que lança a confusão nesta questão e que é a existência de actividades que dificilmente se podem englobar na definição clássica de trabalho, principalmente aquelas que são de valor social duvidoso. Permitiu-se que o crime e actividades pouco claras invadissem a área normal do trabalho. Porém não há qualquer dilema entre liberdade e trabalho. Estes dois valores constituem o fundamental para aferir do nível civilizacional duma sociedade. Uma boa coexistência entre eles define um bom nível. A estabilidade, uma sólida relação entre eles definem um alto estado civilizacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-8885299131398444892?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/8885299131398444892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=8885299131398444892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8885299131398444892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8885299131398444892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/05/trabalho-eou-liberdade-uma-alianca-ou.html' title='Trabalho e/ou Liberdade, uma aliança ou um dilema'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-1923306638856638731</id><published>2010-05-07T00:00:00.001Z</published><updated>2010-05-06T21:12:07.740Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>A Crise mostrou a nudez que o Euro encobria</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Em politica é habitual juntarmos o máximo de argumentos para justificar determinada solução para um problema e tudo nos parece claro perante a sua força. No entanto alguma perplexidade nos fica, àqueles que honestamente gostariam de ser esclarecidos, já não àqueles que já estão convencidos antes de ouvirem uma qualquer razão. Os argumentos contrários são mais difíceis de agregar dado que os pressupostos da solução adoptada são quase sempre difíceis de contornar. É necessário lucidez para ver mais longe.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar quem paga aos argumentistas contrários para fazer uma análise profunda comparando os benefícios auferidos com a solução encontrada com aqueles que proviriam de outra solução qualquer? Haverá sempre alguém para quem a moeda dita boa redundará em má moeda em certas situações. Isto quando o que parece obvio é que as coisas não podem ficar assim como estão, sempre se diz, só que a pressa nem sempre ou quase nunca é boa conselheira. O caso do novo aeroporto de Lisboa, mudado à última da Ota para Alcochete, é a excepção que confirma a regra. Alterou-se a opção e travou-se a pressa.&lt;br /&gt;Já o caso do Euro é paradigmático da nossa leviana pressa e da nossa confiança cega. Nada sabedores destas coisas de uniões, federações e similares deixamo-nos todos levar na onda de um movimento que parecia imparável. Aliás, se os Países do coração da Europa pensavam ser bom, quem seríamos nós para dizer o contrário? Os Ingleses, que não quiseram aderir ao Euro, são os eternos cépticos sobre os continentais, mas a que afinal sempre recorremos em todos os períodos históricos em que tivemos dificuldades. Mas desta vez falhamos, lá pensamos que estaria na ocasião de nos emanciparmos. Não estaremos agora em ocasião de perguntar se eles não estariam mais avisados?&lt;br /&gt;Afinal o projecto de moeda única falhou desde logo porque não teve a adesão do universo de países da Comunidade Europeia. No entanto esta não abdicou. A verdade é que o Euro não ganhou ou perdeu estabilidade por esse motivo, mas não ganhou a representatividade de toda a economia europeia. Então o que ganharam e perderam os países aderentes e não aderentes? O abalo sofrido pela economia mundial no ano de 2008 veio produzir efeitos por igual em todos esses países, sendo que a um segundo nível as consequências foram diferentes.&lt;br /&gt;A capacidade produtiva instalada diminuiu nos países de economia mais vulnerável, as mais baseadas em trabalho intensivo. Repentinamente todos os pressupostos da nossa pertença à Comunidade Europeia, a coesão, a solidariedade, estão postos em causa. Não se pensou a Comunidade para enfrentar crises. Não há tesouro público a que os países em dificuldade possam recorrer. Não há bolsa de trabalho a distribuir pelos Estados. A Comunidade incentivou os Estados a apoiar a Banca e outros entidades, mas o reverso não existe. No mundo capitalista ninguém ajuda. Colocaram-nos numa posição de só ver progresso à nossa frente, mas agora ninguém quer pagar a poltrona.&lt;br /&gt;Nos países do Euro começou a fazer-se contas para solucionar a crise. Afinal é necessário mobilizar vastos meios financeiros para reorganizar o tecido produtivo. Constatou-se que alguns dos países mais frágeis da Comunidade tinham as suas reservas sumidas, tinham cometido demasiados pecados. A Grécia tinha sido mesmo falsa, outros países foram negligentes. O País mais atingido foi a Espanha, mas significativamente não foi financeiramente o mais abalado. Os seus problemas económicos são graves, mas tem alguma folga para o necessário relançamento. Tinha superavites anteriores.&lt;br /&gt;Pior estamos nós. Ao primeiro abalo toda a nossa fraqueza ficou a nu. Temos problemas económicos a resolver e as mãos atadas por falta de meios. Descobriu-se em breve tempo que o Euro não é a nossa moeda, não temos economia que contribua para o sustentar. A Comunidade do Euro não quer pagar caro o nosso fraco contributo de 1,5 % para o PIB comunitário. Deixou de haver contributos simbólicos, valemos tanto como um País saído há pouco da órbita soviética, como a República Checa. Os caminhos que desbravamos não contam.&lt;br /&gt;Metemo-nos num colete-de-forças que não nos permite qualquer ginástica. Transferimos a soberania monetária, mas na Europa ninguém quer a responsabilidade da soberania económica. Os países fortes da Europa quiseram ser generosos connosco na euforia dos tratados, mas tratam-nos asperamente perante a lucidez dos números. A maldade não se encontra nos processos eufóricos, reside tão só no efeito prático de alguém ter de pagar a conta da festa.&lt;br /&gt;A Grécia perdeu a importância estratégica pela mudança que se quer imprimir ao relacionamento com os Países Islâmicos, em especial a Turquia. Portugal perdeu a importância de ser um bom aluno porque gastou tudo na farra. A Alemanha mantém a altivez de quem, com empenho, vai hasteando a bandeira da Europa e já não precisa da ajuda de ninguém. Provou-se que não chega a nossa disponibilidade e boa vontade para levar a nossa economia à convergência.&lt;br /&gt;Porém todos sabíamos que na economia não há relações estáveis e que os bens valorizam-se e depreciam-se com o tempo, alterando os termos dessas relações. Aquilo em que empregamos o nosso tempo, em que aplicamos o nosso trabalho perdeu valor. Não acompanhamos, quanto mais convergimos. Os nossos economistas políticos não são honestos ao dizer que podemos viver a cortar as silvas dos nossos montes, discurso velho arreigado na tradição popular. Além disso desde o governo de Cavaco Silva que muitos se enchem de dinheiro fresco a dar cursos que para nada servem. São pagos em moeda forte numa economia fraca.&lt;br /&gt;Sem Euro haveria uma outra noção de valor do nosso trabalho e não aceitaríamos perdê-lo, mesmo mal pago. Porém também será irrelevante juntarmo-nos agora para gritar bem alto os malefícios do Euro. Esta é a má moeda de que falam muitos economistas. Com um Euro tão rico custa-nos aceitar que somos pobres, mas temos de nos convencer disso, senão alguém o há-de fazer. Temos de nos encher de brios perante as bofetadas que já vamos recebendo. Infelizmente sem passar pela vergonha não teremos juízo. De nada serve nos abespinharmos para reagir se não interiorizarmos essa humilhação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-1923306638856638731?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/1923306638856638731/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=1923306638856638731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1923306638856638731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1923306638856638731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/05/crise-mostrou-nudez-que-o-euro-encobria.html' title='A Crise mostrou a nudez que o Euro encobria'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4152177880663093546</id><published>2010-04-30T00:00:00.001Z</published><updated>2010-04-30T22:40:58.523Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A opinião cedeu à crítica o seu lugar na comunicação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A manifestação de uma opinião entende-se como uma tentativa legítima de influenciar alguém, mesmo que esse não seja o propósito explícito de quem a profere. Quando essa opinião é expressa na comunicação social e essa influência se exerce não será de estranhar que fiquemos satisfeitos. Para tanto bastará que despoletemos uma abordagem mais pessoal dos assuntos. No entanto hoje, para a maioria das pessoas, só a crítica satisfaz.&lt;br /&gt;Normalmente sobrevalorizamos o nosso poder de influência quando somos a favor do vento dominante, subestimamo-lo quando contra esse vento nos empenhamos em marchar. Porém a influência maior que alguém poderia exercer seria sobre a forma de nos balancearmos entre as forças sociais, de modo a não nos deixarmos arrastar por quaisquer delas, antes de maneira a sermos os senhores da bússola que nos há-de orientar e de termos a autonomia de, sem ideias preconcebidas, vir a apoiar uma força ou outra. Abandonemos o preconceito de sermos bons se formos a favor ou de sermos bons se formos do contra.&lt;br /&gt;Convenhamos que o caminho de cada um é largo e nele vamos recebendo e emitindo sinais que poderão merecer respostas nossas e doutrem. Os choques são inevitáveis e, como temos que começar por nos controlarmos a nós mesmos para melhor nos relacionarmos com os outros, só um perfeito conhecimento de nós mesmos permitirá minimizar a ocorrência de choques e o efeito daqueles que se tornarem inevitáveis. Só deste modo se constrói um espaço em que a opinião possa fluir sem ressentimentos nem obstáculos abrasivos.&lt;br /&gt;Mas seremos nós capazes de nos conhecermos? Decerto que o seremos se para tanto tivermos o contributo alheio, sem dele depender. Os outros também nos ajudam a nos conhecermos. Há uma certeza que nos acompanha, basilar na nossa estrutura mental. Na nossa intimidade não somos aquilo que os outros pensam de nós, não somos aquilo que pensamos que os outros pensam de nós, não somos aquilo que pensamos de nós mesmos, mas estamos numa penumbra que os anos se encarregaram de carregar de sombra. Não podemos exigir dos outros clareza se nós não lançarmos luz sobre nós próprios. Lancemos essa luz!&lt;br /&gt;Antes de enveredarmos por este caminho intimista poderemos colocar outra pergunta: Haverá alguma vantagem em nos conhecermos bem se não tivermos armas, instrumentos, capacidades para sermos melhores? Conhecendo-nos melhor seremos mais responsáveis, mas necessitamos de mais força para fazer valer os nossos argumentos. Por outro lado nós estamos dependentes do mundo, da sociedade em que vivemos, do lugar que habitamos para sermos algo diferente daquilo que somos. E teremos o direito de nos castigar a nós mesmos se os outros o não merecem?&lt;br /&gt;Há pelo menos uma certa “crença” que, se sairmos do meio, se habitarmos outro lugar, se vivermos noutra sociedade, poderemos conseguir ser significativamente diferentes. O mundo que no seu conjunto é benévolo, será nas suas partes fracturante. Uma lição poderemos então tirar: Se conseguirmos pensar tudo em função do mundo já seremos potencialmente melhores. O problema fica no que respeita à acção, pois só aí se poderia ver a diferença. No entanto nós não conseguimos agir a nível do mundo todo. Não nos dando ele resposta teremos pois de ficar também pela crença quanto a sermos melhores quando pensarmos as coisas a nível mundial.&lt;br /&gt;No entanto a sociedade retira-nos a generosidade e impõe-nos que sejamos críticos. O vento dominante exerce uma forte atracção e o contra vento copia-lhe os métodos. Passamos a desprezar aquilo que se nos opõe, independentemente do valor da nossa divergência. É-nos pedido muito mais do que uma opinião, é-nos pedida uma crítica. Este criticismo sem referências estáveis, sem bases seguras, afasta-nos dos outros, mas também de nós mesmos, daquilo que éramos mais especificamente e passamos a ser mais similares.&lt;br /&gt;Este exercício permanente de crítica levado ao extremo torna-se acéfalo para o próprio, produz um efeito indutivo, corrosivo sobre as mente mais frágeis, com menos defesas. O mais vulgar dos métodos intelectuais é a insistência, a repetição. Através dela se memoriza, se passa a imagem, se convence. A crítica mordaz e repetida incorpora-se no pensamento alheio conforme a receptividade deste. E se essa crítica for desculpabilizante para nós, insidiosa para quem nos não é simpático, é desde logo assumida por nós como arma ofensiva.&lt;br /&gt;A crítica passa a dispensar a opinião, processo intelectual diverso, que só é confundido com crítica por quem não tolera a opinião divergente. Depois de longos períodos históricos em que se procurava isolar quem criticava e era mesmo perigoso dar opinião, agora negligencia-se quem dá opinião, porque o que interessa é a crítica tenaz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A crítica só se deixa ver a si própria, é acutilante e seca. &lt;span style="color:#993300;"&gt;A opinião é generosa, pode incorporar em si um espaço para construção&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;A crítica pretende realçar as diferenças, estabelece barreiras, aprofunda abismos. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;A opinião lança pontes, remove obstáculos, suaviza arribas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A crítica é a favor do vento ou contra ele, contribui para lhe dar força ou opõe-se-lhe frontalmente. &lt;span style="color:#993300;"&gt;A opinião procura identificar os ventos, os que estão em desenvolvimento, mas também os que estão em formação, realça-lhes os méritos e os deméritos, destaca-lhes as virtualidades e os malefícios, abre-se à descoberta que possa ocorrer no seu próprio desenvolvimento&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;A crítica esgota-se na radicalidade do argumento importado. &lt;span style="color:#993300;"&gt;A opinião lança sementes que possam aproveitar à visão universal, benévola&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A crítica é um choque preanunciado. &lt;span style="color:#993300;"&gt;A opinião é uma abertura para o diálogo&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A crítica é o negrume lançado sobre a penumbra alheia. &lt;span style="color:#993300;"&gt;A opinião é uma luz sobre a penumbra para a não deixar obscurecer mais&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A crítica é perniciosa, é a imposição de um resultado. &lt;span style="color:#993300;"&gt;A opinião é a definição de um enunciado&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;É legítimo passar da opinião à crítica, mas manter o nível exige estatura intelectual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4152177880663093546?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4152177880663093546/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4152177880663093546' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4152177880663093546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4152177880663093546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/04/opiniao-cedeu-critica-o-seu-lugar-na.html' title='A opinião cedeu à crítica o seu lugar na comunicação'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-4074753338993340839</id><published>2010-04-23T00:00:00.000Z</published><updated>2010-04-23T21:58:46.421Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O que no 25 de Abril vai resistindo à espuma dos dias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Há assuntos, temas que se ficam pela espuma dos dias. Há quem aproveite as oportunidades em que a realidade nos mostra determinada cara para abordar assuntos pela perspectiva mais favorável às suas pretensões. Passada a hora tudo se esvai, tenha ou não produzido o efeito pretendido. Esporadicamente há reavivamentos, um reacender das chamas à volta desse assunto, uma abordagem nova a reforçar ou a desmentir a que anteriormente teve mais valimento. E volta tudo ao mesmo, um estado de letargia, de adormecimento, quiçá de esquecimento.&lt;br /&gt;Porém não se esquecem temas como o 25 de Abril, não só pela sua importância, mas também pelas comemorações que se mantém e provavelmente manterão por muitos anos. Um efeito dessa manutenção do assunto na ordem do dia, de pelo menos esse dia ano a ano, é a constante alteração da forma como o abordamos. É assunto que não se fica pela espuma dos dias, mas a que a distância vai permitindo uma interpretação mais perto da verdade, mais consistente, menos condicionada e contaminada pelas ideologias que desde logo quiseram que a sua interpretação dos acontecimentos passasse por única.&lt;br /&gt;Se queremos chegar a uma forma de análise mais isenta e real teremos que tentar retirar a cor à espuma e, tendo a sua evocação um efeito emocional, não sendo possível remover toda a espuma, tentar torná-la o mais transparente possível. Lá no fundo vemos o 25 de Abril só como um golpe militar. Foi condicionado, empolado pelo facto de o País estar envolvido em três frentes de guerra colonial e haver no exército uma forte componente popular. A guerra colonial desenrolava-se à volta de uma dúzia de anos e tinha-se encarniçado na Guiné, por efeito da dimensão, morfologia, concentração populacional, apoios exteriores e permeabilidade quase absoluta da fronteira guineense.&lt;br /&gt;Os recursos humanos estavam mobilizados pelo desenvolvimento que no País se tinha verificado, pela emigração e pela guerra. A carreira militar não era atraente, malgrado se dissesse que os oficiais e sargentos estavam ávidos de comissões militares. O cansaço era já evidente. Em 1973 dá-se a primeira grande crise energética. Os Países árabes e do Norte de África, que então tinham o quase monopólio de produção petrolífera, começaram a colocar a questão de fazer um bloqueio à exportação de petróleo para Portugal se este não descolonizasse.&lt;br /&gt;O isolamento internacional acentuava-se. Um dos aspectos que além desse efeito teve uma clara repercussão interna foi a recepção que o Papa fez aos representantes dos movimentos de libertação das colónias portuguesas. Por cá Marcelo Caetano mantinha a velha justificação de sempre. A tese principal era o velho princípio salazarista que o regime de índole corporativa que estava instalado era a uma alternativa ao caos e ao regime comunista que inevitavelmente se lhe seguiria. Havia outras forças que emergiam, personalizadas por Mário Soares e Sá Carneiro, mas a que o regime optou por virar as costas.&lt;br /&gt;A grande maioria da população foi alimentando as Conversas em Família de Marcelo até ao dia em que este disse que o tempo das vacas gordas tinha acabado e que, no seguimento da tal crise de 1973, nos devíamos preparar para o tempo das vacas magras. Os sectores mais dinâmicos do exército, fossem de direita ou esquerda (?), viram que a população não queria um regresso ao passado e que facilmente descartava um regime que já nada lhe prometia. O que condicionava o exército era o que tinha condicionado toda a nossa política, em especial nos cem anos anteriores: As colónias. Era uma rotura difícil.&lt;br /&gt;Porém os militares viram que, sem o apoio da Nato e sem a neutralidade dos países árabes, era a viabilidade do império colonial que estava em causa. As soluções eram cada vez menos, o tempo era cada vez mais escasso. Por mais válidos que fossem os Ideais de multiracialidade a sua viabilidade estava cada vez mais em causa. De qualquer modo politicamente o regime estava num beco sem saída e esses militares viram que, não só podiam assumir o poder, como não haveria quaisquer outras forças capazes de o tomar e de o conservar com uma durabilidade suficiente para fazer as transformações que se imponham no sentido da descolonização, da democratização e do desenvolvimento.&lt;br /&gt;Com algumas cautelas os militares assumiram como primeira opção a chamada à ribalta das reservas da Nação, os militares mais velhos como Spínola, os quais se veriam a revelar decrépitos e sem chama, já ultrapassados pelos acontecimentos. Assumiram estão eles próprios as responsabilidades que viram não poder transferir para outrem de modo imediato, definitivo. Mas só em parte se redimiram de um passado comprometedor, não conseguiram assegurar uma transição pacífica nas colónias, com perdas para os que foram obrigados a retornar e com perdas de vida para aqueles que, sendo negros, sempre se tinham colocado ao seu lado. É a sua maior vergonha.&lt;br /&gt;O mérito desses militares de Abril está no que em conjunto fizeram para aguentar dentro do razoável uma situação que esteva pronta a rebentar pelas costuras e explodir. Em cada uma das soluções possíveis dum problema há custos e em alguns aspectos deste processo que pôs fim ao antigo regime os custos foram excessivos. Só que a alternativa à solução adoptada estaria apenas em deixar ficar tudo na mesma, o que seria acumular ainda mais tensões com resultados imprevisíveis.&lt;br /&gt;O mérito não está no passado daqueles duzentos capitães de Abril que, só a custo e pressionados por factores externos, resolveram contradizer. Também não houve razões nobres de índole ideológica, moral ou humanitária que os moveram, antes foi por razões práticas que resolveram por fim a um tempo sem sentido. Os militares, quer nós consideremos, quer não, que o fizeram a tempo, só após o 25 de Abril cumpriram com mérito a sua obrigação militar. E tudo está bem quando acaba bem ou, pelo menos, menos mal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-4074753338993340839?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/4074753338993340839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=4074753338993340839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4074753338993340839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/4074753338993340839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/04/o-que-no-25-de-abril-vai-resistindo.html' title='O que no 25 de Abril vai resistindo à espuma dos dias'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2425728746130583356</id><published>2010-04-16T00:00:00.000Z</published><updated>2010-04-15T19:57:14.086Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Há panos em que as nódoas se notam mais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Há factos que nos entristecem e fazemos por esquecer. Surgem repentinamente, às vezes puxados por outros, mas logo caem no esquecimento. No entanto estamos numa fase de nítida introspecção e quando assim é não se pode seleccionar aquilo que é trazido à memória. E, se não controlamos este processo a nível individual, muito menos o controlamos colectivamente. Os casos de pedofilia começaram há uns anos atrás a ser motivo de preocupação pública e tem-se sucedido a sua imparável revelação a todos os níveis sociais.&lt;br /&gt;Há factos de certa natureza que, sendo aparentemente irrelevantes para o porvir da humanidade e que em seu tempo não adquiriram dimensão bastante para se tornarem casos de análise profunda e redentora, mas que em certa fase civilizacional adquirem a força de um dilúvio de água, a impetuosidade dum turbilhão, a agressividade de um tsunami. Deixou de ser possível relativizar a importância social da pedofilia, subestimar este monstro escondido na sociedade. Deixou de ser possível obter razão para o seu ocultamento.&lt;br /&gt;Cada caso de pedofilia praticado por um ser humano é uma afronta ao seu carácter. Cada caso de pedofilia praticado por um membro da classe eclesiástica é a negação absoluta da sua razão de ser. Em qualquer caso tem que se exigir que se assumam culpas, que se não dispensem responsabilidades individuais, que se apliquem castigos exemplares, que se não fique pelo perdão pela fraqueza da carne, pela desculpa da impetuosidade do músculo sexual, pela concupiscência involuntária que possa invadir a mente de alguém.&lt;br /&gt;Um jovem violado para satisfazer o apetite inflamado de um qualquer energúmeno é uma imagem deplorável, iníqua, que deve estar arredada do pensamento de qualquer indivíduo normal, em especial daqueles que querem que nos preparemos para um Reino Novo que há-de vir. Se a pedofilia entrou no clero por via do celibato obrigatório, acabe-se com ele. Se a privação da sexualidade no clero leva à misoginia, acabe-se com o celibato. Se o auto controlo que deriva da preparação intelectual das pessoas não é suficiente, acabe-se com o celibato. O clero não é o mal, mas este prolifera quando o ambiente lhe é propício&lt;br /&gt;A verdade é que a suspeita não pode recair sobre todas as pessoas e nem todos terão tendências para esse tipo de actos. Mas também não se pode discriminar a mulher em abstracto por ser a ”fonte potencial do mal” e inocentar os homens concretos e determinados em que o tal mal só despoletaria em contacto com a fonte. Tem havido aqui uma clara confusão e é necessário que a igreja repense onde está a origem de todo o mal. Este só está na anormalidade.&lt;br /&gt;Durante séculos reconduziu-se o mal ao sexo devido à dificuldade de o controlar para efeito de ordenamento social, para evitar a promiscuidade. Hoje claramente o sexo não é o problema é tão só uma fonte de problemas em alguns casos, como o são outras questões. O sexo tem que existir na realidade e na mente humana, não como refúgio ou referência absoluta, muito menos como aversão, sim como elemento de pensamento e acção que nos devemos esforçar por controlar e realizar. Quando o sexo se reprime pode haver manifestações catastróficas.&lt;br /&gt;A Teoria da Compensação a que muitos recorrem para ilibar o homem da prática sexual não tem cabimento porque não há actos de natureza diferente que se possam compensar. A Teoria da Sublimação a que também se recorre poderá ter outra viabilidade só que nenhuma Igreja é capaz de preparar pessoas para que, quando entrem no exercício de funções sacerdotais, estejam em condições de prescindir de modo absoluto de ter relações sexuais.&lt;br /&gt;Na realidade a assumpção consciente deste propósito de continência absoluta não será facilmente assumido pela generalidade das pessoas. As mulheres convivem com o sexo de diversas maneiras e o homem também. As mulheres historicamente estariam menos preparadas para uma relação que nelas se estabelece tal como a dos homens. Mas houve uma clara evolução para a qual a situação da sua muito menor dependência económica contribuiu sobremodo. As mulheres já hoje têm um controlo emocional que não passa só pela indiferença, mas que até podem manifestar uma muito maior disponibilidade, pois ela é muito mais condicionada pela vontade própria.&lt;br /&gt;O conhecimento que a mulher de hoje tem da sua relação com o sexo já deixou de fazer dela aquele mal errático que se atribuía ao imprevisível. Isso vai levar a que o homem possessivo que antes se relacionava com as mulheres de uma posição de poder tenha os dias contados. A mulher galinha que se submetia aos caprichos alheios, que ainda persiste em certas condições, também está em extermínio. Mas para que a verdade seja mais plena terá que se olhar para a vertente do sexo usado como modo de vida. A prostituição é uma realidade que os fariseus se recusam a ver e a dar dignidade.&lt;br /&gt;O mal persiste pelo desconhecimento e pela ignorância. Não tem a exclusividade do homem ou da mulher. Não está na criança inocente e desprotegida. O mal só pode estar latente em espíritos mais elaborados. Ele reside na procura de relacionamentos desiguais que proporcionam o aproveitamento de relações de poder para atingir objectivos maldosos que possam residir no pensamento humano. O mal, as tais nódoas no nosso pensamento e na nossa acção, estão, no que ao sexo se refere, nos predadores sexuais, usem que vestes usarem. Mas há vestes que reforçam essas nódoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2425728746130583356?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2425728746130583356/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2425728746130583356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2425728746130583356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2425728746130583356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/04/ha-panos-em-que-as-nodoas-se-notam-mais.html' title='Há panos em que as nódoas se notam mais'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-7720846158745962475</id><published>2010-04-09T00:00:00.000Z</published><updated>2010-04-09T22:48:35.828Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Cada um carrega a sua cruz e cada cruz tem o seu peso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A maioria dos mais velhos de nós acha que tem muita dificuldade em transmitir os seus Ideais que não estariam de todos ultrapassados. Na verdade essa situação depara-se a todas as gerações a partir do momento em que o decurso da história acelerou definitivamente. Em momentos de rotura em que o passado perde importância como referencial público, mais se acentuam os obstáculos à transmigração dos Ideais. Na nossa sociedade em que os grupos sociais com os seus valores específicos perderam muito da sua relevância as dificuldades são gerais. O afrouxamento dos laços familiares acentuou esse problema.&lt;br /&gt;Podemos achar os nossos Ideais muito consistentes, mas há que conceder que, tendo sido fruto de uma vida de muito sacrifício e de muitas dificuldades e estando estas já bem longe da imaginação dos mais novos, não poderão tais Ideais ser “servidos” com o enquadramento com que nasceram. As gerações mais novas não compreendem, somente com uma descrição factual, a importância dada por nós a certos factos e certos temas. Mas também temos de reconhecer que é um erro dar valor absoluto àqueles valores obtidos por reacção, com pouca criatividade própria. Mesmo assim há quem desejasse que os mais novos vivessem os mesmos dramas e vicissitudes que nos afectaram a vida para partilharem valores passados.&lt;br /&gt;Se o nosso passado nos impôs limitações temos de as suplantar apresentando ideias que as tenham em conta. Aqueles que não vivem já as nossas contingências também terão as suas. Não podemos pretender que um Ideal deles tenha as mesmas limitações que nos impomos, terá outras. Ninguém dá importância aos seus temas preferidos sem sacrificar outros, mas não os deve ignorar. Teremos que nos impor disciplina e ter em atenção que os vários aspectos que a vida comporta necessitam de equilíbrio, e neles necessariamente incluiremos aquele com que contactamos só de forma deficiente.&lt;br /&gt;Corre a ideia que o Ideal terá que ser um espartilho, um colete-de-forças que condicione toda a vida de quem o abraçar. E haverá ainda quem reforce esta ideia e pense que um Ideal terá que conduzir necessariamente a um sacrifício. São-nos apresentados exemplos que pretendem demonstrar que um Ideal terá de ser de um exigência extrema. Na verdade qualquer Ideal tem algo de disciplinador, mas, se colocarmos à frente aquilo que pretendemos com ele, teremos uma imagem positiva, obteremos mais satisfação, seremos mais optimistas.&lt;br /&gt;Por outro lado não podemos pretender que um Ideal só vise aquilo que almejamos ter e nunca tivemos. Dessa forma arriscamo-nos a continuar a não obter qualquer satisfação, o que dará da nossa vida um deserto inóspito, improdutivo. Quando se consegue fazer da pura negação do que existe um Ideal e se consegue transmitir esse Ideal a quem poderia facilmente ter outras oportunidades, estamos a ser retrógrados, embirrentos, ressabiadas. Um Ideal tem que abrir perspectivas e não fechar caminhos com base em experiências mal sucedidas.&lt;br /&gt;O que também nunca podemos pretender é que um Ideal que achamos dever transmitir seja limitado àquilo que nós tivemos, como se isso fosse suficiente para vir a constituir um Ideal das gerações seguintes. Nós podemos e devemos dar testemunho daquilo que vivemos, mas a pretensão de sermos exemplares é sempre excessiva. Devemos partir do princípio e contribuir para que para às novas gerações todas as possibilidades estejam abertas. Se nós estivemos limitados por factos que foram superiores às nossas forças, os jovens têm que perspectivar o futuro partindo do princípio que as forças contra quem terão que lutar não serão invencíveis.&lt;br /&gt;Também se pode dizer que nós tivemos Ideais, mas deixamos por herança o desregramento e a confusão. Talvez tenhamos sido vítimas de equívocos, apostamos mais em antíteses que em teses. Não tivemos tempo para a acção, a todo o tempo tivemos que reagir. A afirmação pela negativa é manifestamente mais fácil que pela positiva e por isso o pouco valor que nos dão. Normalmente são as forças mais poderosas que podem tomar a iniciativa. Quem sofre condições tão adversas já não tem força para os actos de criação. Muitos dos mais fracos tomam essas condições como motivo de desculpabilização, mas a realidade é mesmo muitas vezes essa.&lt;br /&gt;Se não deve ser nosso propósito que um Ideal leve ao sacrifício pessoal ou colectivo, temos que assumir que ele levará inevitavelmente a muito sofrimento. Mas deste nunca nos livraremos. E mesmo, quanto mais depressa assumirmos o sofrimento que é criar, mais depressa nos libertaremos do sofrimento que tem origem nas contingências, na sorte ou na sua falta. A criação permite manter o Ideal. Se o Ideal poder ir sendo realizado mais arreigado ele se torna.&lt;br /&gt;A nossa impotência tem-nos levado a que deixemos que alguns Ideais apenas assumam uma forma idealizada e no extremo um carácter religioso. Abdicamos do sacrifício e de certa maneira do sofrimento pelo sacrifício prévio de outrem. A obediência a princípios e valores que estarão na base desse sacrifício alheio ilibar-nos-ão de outros esforços pessoais para tornar o mundo mais próximo de um Ideal de partilha. No entanto a aposta em esforços que implicam sofrimento pessoal pode ser necessária para levar o mundo a um caminho de paz e solidariedade.&lt;br /&gt;O carácter definitivo do sacrifício dá a um Ideal um brilho que o torna atractivo. No entanto não podemos estar alheios ao sofrimento de muitos, muito menos podemos apelidar de fútil ou gratuito o sofrimento que visa atingir a nossa libertação de forças nefastas e cruéis. Em vez de subestimar devemos realçar os esforços positivos conforme as possibilidades de cada um. Cada um só pode dar o que tem. Se cada qual carrega a sua cruz, não podemos esquecer que a de uns tem mais peso que a de outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-7720846158745962475?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/7720846158745962475/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=7720846158745962475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7720846158745962475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7720846158745962475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/04/cada-um-carrega-sua-cruz-e-cada-cruz.html' title='Cada um carrega a sua cruz e cada cruz tem o seu peso'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-8032423773619015073</id><published>2010-03-26T21:29:00.001Z</published><updated>2010-04-01T21:31:04.917Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A importância dos Ideais na nossa vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Um Ideal não é uma abstracção. É um conjunto de ideias resultante de um processo de elaboração que se faz com esforço e método. Um Ideal, independentemente de o seguirmos ou não, é a maior herança que uma geração pode transmitir a outra. Muitas vezes porém não compreendemos o Ideal que nos é dado, mesmo quando ele representou muito esforço aos nossos antecessores. Podemos contestar o método ou o conteúdo, nunca porém é de desvalorizar o seu contributo. Só que somos nós os responsáveis pelos Ideais que abraçamos, pelos que criamos e pelos que rejeitamos.&lt;br /&gt;Também herdamos as ideias que são extraídas da realidade e ajudam a dar desta uma imagem aproximada. Mas além das que se extraem e são uma imitação dessa realidade, há as que serão a sua negação. Criamos teses e criamos antíteses e por vezes ficamo-nos por aqui, não chegamos à síntese. Na verdade nós permitimo-nos construir ideias diferentes daquelas que nos são suscitadas e criamos com elas um Ideal. Há pois três patamares na nossa relação coma a realidade: A realidade ela própria e que acreditamos ser absoluta, a nossa percepção da realidade e a realidade idealizada, como nós acreditamos que podia ser para ser melhor.&lt;br /&gt;Historicamente levantaram-se controvérsias entre realistas e espiritualistas sobre a prevalência do real sobre o imaginário ou vice-versa. Ou a realidade é uma simples imitação tosca da Idealização feita por nós ou a que temos acesso ou nós lidamos mal com a realidade e somos responsáveis pelo seu carácter grosseiro e pelas nossas ideias mais grosseiras ainda. No entanto só podemos formular um Ideal se acreditarmos nas nossas próprias ideias porque será necessário ver bem a realidade para a conseguirmos alterar no sentido pretendido.&lt;br /&gt;O nosso carácter Idealista pode levar-nos a criar ideias a partir da negação da realidade, o que seria aceitável, mas já o não é a sua integração num Ideal que se queira tornar imperativo. Infelizmente a nossa história está repleta de desastres provocados por situações destas. Também há imensos casos em que esta situação de dar guarida a ideias não validadas, porque obtidas só por oposição, origina um Idealismo ingénuo e inconsequente. A negação da realidade tanto pode dar origem à agressividade como à apatia. Tudo vai depender de factores psicológicos e sociais.&lt;br /&gt;Os Ideais são de difícil questionamento. As ideias podem ser mais facilmente discutidas. Quando não exprimimos convenientemente uma ideia a melhor forma de ultrapassar isso é dar um exemplo da sua aplicação. Também recorremos a esse procedimento para validar a ideia, a noção abstracto que adoptamos. Porque são necessárias várias ideias para dar corpo a um Ideal este procedimento permite realçar a incoerência que pode existir entre ideias obtidas de diferentes realidades. Nem sempre nos apercebemos que ao formular um Ideal estamos a construir algo de pessoal e muito subjectivo.&lt;br /&gt;Em várias tentativas para pôr em prática Ideais estes falharam e às vezes tornaram-se pesadelos. Ou as pessoas incumbidas de as pôr em prática interpretaram erroneamente a realidade ou o Ideal estava mal construído, isto é, aquelas ideias, definidas daquela maneira, quando colocadas em prática daquela forma, terão dado azo a efeitos perversos. Má fé, falta de clarividência resultante do acumular de erros, de tentativas frustradas, de situações não esperadas, podem alterar o rumo que se pensava vir a ser seguido.&lt;br /&gt;Mas não só a perversidade é uma possibilidade nas pessoas com poder, também nas pessoas sem poder pode ocorrer uma frustração de resultados imprevisíveis. Quando tudo foge à nossa frente somos tentados a culpar todos no presente e no passado em vez de colocar em causa o nosso Ideal. Perante o investimento já feito somos levados a recusar a sua falência, que seria sempre pior que a sua ausência.&lt;br /&gt;Como a imagem que os outros constroem a nosso respeito também tem a ver com os nossos Ideais raramente admitimos a sua falência. Além disso muitas vezes não nos vemos com força para recomeçar, para repensar ideias, conjugar ideias, avaliar a viabilidade do Ideal. Neste caso desligamo-nos da realidade e podemos criar um mundo imaginário, de fantasia. Quando o Ideal se torna o nosso refúgio estamos decerto mal colocados perante a realidade. Quando o refúgio é um Ideal que já não era o nosso o desfasamento pode ser maior.&lt;br /&gt;Quer tenhamos aceitado o Ideal que nos foi transmitido, quer tenhamos construído outro, muitos de nós deparamo-nos a olhar para a realidade e já não a vemos conforme os nossos cânones, vemo-nos reféns de ideias que serviram para um entendimento da realidade passada, mas que continha erros e omissões obtidas de um foco muito estreito ou demasiado amplo e portanto distorcidos, desfocados, perturbados por efeitos laterais. As novas realidades exigem-nos novas ideias e esse não é um problema só nosso.&lt;br /&gt;Para agravar a dificuldade de adaptação à realidade que todos nós sentimos existe o problema de que todo o conhecimento é emocional. Para limitar de modo quase absoluto as nossas possibilidades temos o problema de que muito do conhecimento decisivo é obtido numa fase reactiva da vida e não por um processo criativo genuíno. A “imposição” de um Ideal aos jovens pode ser uma ajuda mas também uma limitação. Mas acima de tudo são as emoções vividas, até em fases pré-conscientes da vida, que a vão condicionar no futuro. Abraçar um Ideal não pode ser fechar os olhos às mudanças que se vão dando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-8032423773619015073?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/8032423773619015073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=8032423773619015073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8032423773619015073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/8032423773619015073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/03/importancia-dos-ideais-na-nossa-vida.html' title='A importância dos Ideais na nossa vida'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-7259053364579829307</id><published>2010-03-19T21:57:00.000Z</published><updated>2010-03-18T21:59:08.439Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Mais inteligência é mais amor e mais beleza</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;É comum falar-se da inteligência como se fala do amor e da beleza, como algo de sublime, inatingível na sua perfeição absoluta. Na verdade a maioria de nós só consegue aceder a um rudimento de amor, de beleza e também, e porque não, de inteligência. A escassez destes valores, que tanta falta nos fazem, em nós e nos nossos pares, é uma grande preocupação de muitos. E também o é o facto deles se desenvolverem alheados uns dos outros. O ideal é uma conjugação harmoniosa dos três.&lt;br /&gt;Porém também não faltará quem nos inunde de amor, de beleza e de inteligência., suas e alheias, bem ou preferencialmente mal distribuídas pelo mundo, mas em quantidade suficiente para que se realce mais em outros o ódio, a fealdade, a estupidez. Presunção e água benta nunca fizeram mal a ninguém, no entanto esses valores ainda são poucos e era bom que estivessem mais difundidos. Seria irrelevante quem fossem os seus portadores, pois não só estes ganhariam, ganharíamos todos com isso.&lt;br /&gt;Porém as pessoas suportam mal que se lhes diga que o seu contributo para esses bens de valor universal é diminuto. Aliás assinalar isso pode ser cruel, principalmente usando designações depreciativas dos méritos de que cada um é possuidor. Quem o faz usando o seu estatuto, o lugar que ocupa, a humildade alheia, não tem classificação para o fazer. A arrogância não pode ter lugar em quem quer ser garante desses valores.&lt;br /&gt;Uma das nossas maiores debilidades na vida social é a inexistência de um pacto de lealdade entre os pares. Somos capazes de amor, de exprimir beleza, somos possuidores de inteligência, mas todos em quantidades diversas. Em termos humanos somos iguais. E também com capacidade de alguma leviandade em relação a valores que deveriam merecer da nossa parte outro tratamento.&lt;br /&gt;É verdade que mais amor e mais beleza suavizariam a nossa vida, mas a muitos de nós sobra-nos escrúpulo para os pedir. Talvez por isso não falta quem se feche em mundos restritos que lhe servem de refúgio só porque aí não lhe faltam odes à sua beleza, louvores aos seus sentimentos, elogios à sua inteligência. Arranja um grupo de amigos que lhe cantam loas e está garantida a eternidade. Não nos podemos deixar enganar por estas imagens montadas.&lt;br /&gt;A conflitualidade pelo amor, pela beleza e pela inteligência é muitas vezes vista como se inserindo na conflitualidade geral da sociedade misturando-se com os interesses pessoais dos seus membros. Cada vez há mais ambição, não só por desfrutar desses valores na sociedade, como por os possuir a qualquer preço. No entanto, antes de os tentar adquirir, era bom ter uma noção desses valores e verificar se a forma adoptada de os adquirir os não contamina irremediavelmente.&lt;br /&gt;A importância dada à inteligência deriva muito do decréscimo da valia da força física. Historicamente sempre foi considerado que a alternativa à resolução dos problemas através da força bruta deveria ser a sua resolução através da aplicação da inteligência, mas infelizmente este percurso nunca foi linear. Se no trabalho a força humana foi já muito substituída por outras forças e, se nas relações humanas houve um grande decréscimo, as relações internacionais ainda se baseiam essencialmente na força, seja de que natureza for.&lt;br /&gt;O facto de não ser dada à inteligência a importância que ela tem também deriva da própria subjectividade com que ela é apreciada e escrutinada. Concordamos em que há muita coisa mal feita, mas não na forma de o fazer. E a melhor maneira de avaliar a inteligência é pela sua aplicação. A inteligência assume formas diferenciadas, mas a que nos interessa é aquela que promove uma boa conjugação com os outros valores universais, mas também com os sociais.&lt;br /&gt;Nunca terminará a controvérsia sobre a inteligência, os seus contornos, os seus bons e maus procedimentos. Afinal a nossa racionalidade limitada só nos permite aceder a parte das virtualidades da inteligência universal. E aquilo a que não acedemos é como se não existisse. A nossa inteligência só pode ser abalizada no quadro restrito em que tem condições para agir. Mas ela própria é a responsável pela criação desse quadro mental e por qualquer desfasamento que possa existir entre ele e a realidade.&lt;br /&gt;Nós tentamos reproduzir os procedimentos da vida real porque só assim conseguiremos perceber a realidade. Mas, por não chegarmos a todas as suas nuanças e imprevistos, enveredamos pela abstracção e verosimilhança na tentativa de nos aproximarmos dela. Até que ponto nos podemos afastar dessa realidade é um desafio a que só cada um pode responder, mas é fonte de conflitos externos, mas também de dramas pessoais.&lt;br /&gt;Afinal a melhor forma de valorar a inteligência é pelo seu contributo para o amor e a beleza, valores que nos dão satisfação pessoal e colectiva. Com inteligência podemos criar estados de espírito auspiciosos, uma estética apropriada, uma ética sustentável. Inteligência sem outros valores universais, sem valores sociais só pode ser esperteza e nega-se a si própria. Toda a avaliação em termos de inteligência abstracta é perigosa e dispensável.&lt;br /&gt;Todos somos penalizados pelo mau uso da inteligência, pela condescendência com os princípios da temporalidade, pela tolerância com as afrontas que lhe são feitas. Na nossa limitada racionalidade só conseguimos progredir a pulso, porque são muitas as solicitações que nos surgem. As análises são cada vez mais difíceis, as sínteses são cada vez mais complexas. Quando nos apercebemos que temos inteligência já os esquemas estão adquiridos, as ideias estão feitas, os sofismas instalados.&lt;br /&gt;Na vida prática o nosso caminho é o contrário da pesquisa. Na vida prática necessitamos de sínteses mais descomplexadas, nem excessivamente redutoras, nem demasiado exaustivas. Mas o objectivo final da inteligência é esse. O desafio é preparar o homem para esta leitura sempre imperfeita, mas suficientemente aliciante da realidade, numa aproximação progressiva aos valores supremos que o universo nos esconde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-7259053364579829307?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/7259053364579829307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=7259053364579829307' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7259053364579829307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/7259053364579829307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/03/mais-inteligencia-e-mais-amor-e-mais.html' title='Mais inteligência é mais amor e mais beleza'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-2748727723357832853</id><published>2010-03-12T00:00:00.001Z</published><updated>2010-03-12T23:22:45.974Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Em termos de Ideais não estaremos no fim da história?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Há dados psicológicos, entidades espirituais de que só temos consciência da sua existência quando notamos a sua falta e consequentemente avaliamos a sua importância. Certificamo-nos que existem Ideais quando verificamos que já os tivemos, os não temos agora e adquirimos a noção de que tudo se torna mais nebuloso e mesmo obscuro com a sua ausência. Falta-nos esperar que algum Ideal consiga emergir da sociedade.&lt;br /&gt;A alternativa seria caminhar no sentido de contribuir para a construção de algum Ideal partilhável. Decerto que não podemos ter à partida a preocupação de saber quem vai ser o elemento catalizador, mas o normal será que ele se encontre entre um número muito limitado de pessoas. O Ideal faria então o seu caminho próprio e alargando o seu espaço de confiança.&lt;br /&gt;A maioria de nós desespera. A primeira via não parece exequível nos tempos mais próximos. A maioria de nós sente-se impotente para contribuir positivamente para o bem colectivo, mesmo que o reduzamos ao bem pátrio. Todo o esforço em ser positivo é sujeito a sabotagem política. Porém o problema maior é que a conflitualidade social é geral, embora todos a tentem remeter só para a área política porque é lá que se encontram os mais salientes actores sociais. Perante o manobrismo destes, não se vê hipótese de que saia da sociedade um Ideal que conduza a um acordo social duradouro.&lt;br /&gt;A segunda via para um Ideal é demasiado custosa para as nossas poucas forças individuais. Vencer o egoísmo pessoal que pudesse levar a uma aproximação eficaz com o próximo é uma impossibilidade que a intermediação só disfarça. Os grupos sociais, as entidades colectivas têm lógicas próprias e acabam por ser um obstáculo suplementar. Todas as organizações sociais impõem fidelidades e condicionam os indivíduos, retirando-lhes iniciativa e liberdade.&lt;br /&gt;Perante a crescente exposição pública a que as pessoas estão sujeitas, estas utilizam muito as organizações para se encobrirem. Do mesmo modo os comportamentos tornam-se cada vez mais hipócritas. Se agimos durante séculos na base de um lugar sólido que cada qual ocupava na organização social e criticávamos esse facto atribuindo-o ao corporativismo e à hereditariedade, hoje fazemo-lo deliberadamente.&lt;br /&gt;Em contrapartida os limites da privacidade são cada vez mais estreitos. Por um lado porque a maioria não tem essa cultura. Depois porque os outros associaram sempre privacidade a poder. Sabia-se o que esperar dos poderosos. Hoje há necessidades defensivas que levam a comportamentos dúbios. A desconfiança está instalada, não havendo condições para exigir sinceridade, permitindo que cada atitude tenha uma série de segundos sentidos.&lt;br /&gt;Neste ambiente é difícil florescerem Ideais, quando o máximo que se pode oferecer e solicitar é um acordo temporário que possa limitar e enquadrar num espaço de tempo e num domínio específico o nosso comportamento dando-lhe alguma previsibilidade. Um Ideal realiza-se se provocar uma estimulação suficientemente ampla. Hoje as pessoas não estão viradas para Ideais e neste aspecto resta-nos perguntar se neste campo não teremos chegado ao fim da história.&lt;br /&gt;Se não acordamos na regra a solução parece estar na procura do máximo de versatilidade. Temos no colectivo a sensação de já termos explorado tudo, o positivo e o negativo, de termos levado o próximo a aceitar o que o não prejudica, mas era colocado sob a vara da moral. Desligamos o futuro individual do colectivo naquilo que antes eram superstições e crenças. Hoje o problema é a dificuldade de escolha. Para fugirmos a ela adoptamos como objectivo a adaptabilidade a situações e circunstâncias diversas, e favorecemos a nossa própria atractividade, o que diga-se não exige grande esforço intelectual.&lt;br /&gt;Os Ideais são hoje vistos como estorvos, uma carga que se transporta e que dificulta a vivência do que está para vir. Além dessa incomodidade ainda nos sujeitamos à critica, ao ridículo, ao desdém, quando não ao desprezo. Ninguém hoje acredita que seja possível conciliar um Ideal de vida com a vida concreta, não porque esta tenha qualquer aspecto imoral acrescido, mas porque a visibilidade dos factos que induzem esse sentimento é muito superior e o apelo ao desregramento é muito forte.&lt;br /&gt;Um Ideal não se pode confundir com ascetismo, salvo se este o integra como parte do seu corpo de ideias. Um Ideal é um hino à vida, aceitando-a com o máximo de naturalidade, sem hipocrisias e sem promiscuidade. Um Ideal não pode ser negócio, o aproveitamento de oportunidades, a procura exclusiva de ensejos. Ou poderá se precisamente isto, desde que claramente assumido, conscientemente colocado em prática, sem falsos intuitos judiciosos. Mas uns e outros facilmente concluímos que nos falta um Ideal.&lt;br /&gt;Um Ideal para muitos de nós só faz sentido num ambiente de democracia, de igualdade de oportunidades e se tiver por objectivo contribuir para a manutenção desses valores, permanentemente em risco. Embora se não possa exigir que um Ideal inclua factores politicamente activos não há dúvida que no momento presente parece que ninguém se consegue abstrair desse aspecto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-2748727723357832853?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/2748727723357832853/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=2748727723357832853' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2748727723357832853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/2748727723357832853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/03/em-termos-de-ideais-nao-estaremos-no.html' title='Em termos de Ideais não estaremos no fim da história?'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-428017668698729692</id><published>2010-03-05T00:00:00.000Z</published><updated>2010-03-04T19:39:07.310Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Fracos no País, fortes numa Europa sem Ideal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Somos um País que acredita pouco na escola como local de formação de cidadãos. No entanto havia necessidade de cursos de formação específicos para políticos que, com base numa escola de formação administrativa e de gestão, tivesse essa variante entre as suas opções finais. Mesmo que a sua qualidade não fosse muito além da das escolas actuais, que, diz-se, não primam pela qualidade, haveria decerto um acréscimo de qualidade em relação à dos actuais políticos.&lt;br /&gt;Quem forma os políticos da nossa praça? Na política não se pode vedar o cesso a ninguém. Se na política são necessários ideias elas adquirem-se em qualquer lugar e em parte alguma especificamente. No entanto, se os nossos políticos tivessem passado por escolas daquele tipo, não brandiriam ideias de modo tão leviano como o fazem, tão reprodutoras de modelos antigos. As boas escolas de hoje incutiriam ao menos uma preocupação de não se copiar apenas o passado.&lt;br /&gt;Os partidos existentes têm tido a tarefa de preparar os seus próprios elementos. Os que se arrogam a propriedade de certas ideias mais consolidadas pelo tempo são os que reproduzem melhor os modelos antigos. Nos discursos desses políticos as adaptações são mínimas e as que ocorrem são mais por uma questão de audiência do que por uma mudança significativa de convicções. A linguagem é igualmente acintosa e incisiva.&lt;br /&gt;Outros partidos dedicam-se às Universidades de Verão e outras iniciativas do género, que sirvam para os velhos pavonearem vaidades e os novos experimentarem o seu loock. Umas ideias sempre se vão adquirindo, se não for aqui nos jornais de referência, ideais estão postos de lado, o que há a apurar é o olhar e a visão causada, a impressão que se consegue provocar na audiência. Hoje são estes os aspectos em que se tem que apostar desde a juventude.&lt;br /&gt;Até por uma questão de facilidade e democraticidade de acesso, uma formação universitária própria para políticos permitiria aos partidos políticos uma escolha mais ampla e menos condicionada. Por outro lado não obrigaria os jovens a escolhas precipitadas, teriam tempo para adicionar a militância a uma aprendizagem mais descomprometida e mais sólida. Assim se ganharia pelo menos no aspecto formal, no clima em que a luta política se processa, mas também na ligação à população que os políticos têm por objectivo atingir e servir.&lt;br /&gt;Nas actuais condições não vamos além da reprodução da mediania, não se promove a melhoria e a inovação. Vemos políticos jovens com uma postura e usando uma terminologia de velhos ancilosados. Limitam-se a vestir a pele de políticos doutros tempos e nem se dão ao trabalho de vestir outra roupagem para disfarçar. Quando se diz que faltam estadistas no momento presente quer-se dizer que faltam múmias para ocupar o lugar doutros idos. Só que já não há lugares, já não há cargos equivalentes aos de outrora.&lt;br /&gt;Claro que uma escola moderna não pressupõe destes professores. A formação não se pode reduzir à cópia, à reprodução fac-similada de estereótipos de compêndio. Mas também não pode passar por tomar como modelos todas as contestações. Porque isso é o que temos. Hoje temos na política filhos de várias contestações, gerações que permaneceram paralisadas no tempo, outras que se foram adaptando, refazendo a sua postural radical.&lt;br /&gt;Há contestações à direita e à esquerda, cada qual sabe o que quer, só que às vezes a confusão é tanta que as pessoas se sentem sem orientação, também elas vivendo ainda com referências a outros tempos e outros modelos. O vocabulário dos políticos é outro, mas o sentido da linguagem é o mesmo. Só que só as girândolas que os mais criativos lançam conseguem sobressair no ruído do desacerto reinante. Porém a criatividade neste ambiente não é garantia de bons frutos, é apenas uma resposta eficaz à adversidade.&lt;br /&gt;Aparentemente as análises pessimistas do nosso panorama político são contraditadas pela Europa. Esta acena-nos com uns lugares e lá vamos nós ufanos pela importância que nos é dada, vaidosos por sermos eleitos sem sufrágio universal. O que fica para trás é de pouca conta, afinal somos pouco mais de um por cento do PIB europeu e põem-nos a fama de sermos malandros e subservientes. Isto é, para nós trabalhamos pouco, mas empenhamo-nos em sermos laboriosos quando se trata de trabalhar para os outros.&lt;br /&gt;Cumprimos diligentemente as regras, não deitamos areia na engrenagem, gostamos que nos enalteçam o brio. Por isso os nossos políticos são bons na Europa, melhores decerto que cá. Só não são bons para encarnar qualquer ideal europeu. Limitam-se a ser peões na mão dos poderosos da Europa. Vão para lá com a mesma postura dos nossos emigrantes de há cinquenta anos. Para ganhar uns cobres, ambas as levas o fazem com dignidade, ressalte-se.&lt;br /&gt;Nos outros países também não haverá políticos com ideais. Fosse o ideal de seguir um caminho próprio, tal como o fizemos há mais de quinhentos anos. Sendo, na minha opinião, este impossível proponha antes um Ideal Europeu a construir com todos os outros países com quem temos um passado comum. A Europa não pode ficar reduzida a um mercado, por mais benefícios que dele possamos tirar. Os nossos políticos, que não têm atrás de si um poder forte a representar, não podem ser simples funcionários a gerir os mínimos em interesses comuns.&lt;br /&gt;Uma escola de políticos não pode hoje formar somente políticos para este cantinho ajardinado da Europa. Tem de formar políticos com ideal europeu, capazes de o partilhar com a população europeia. Precisamos urgentemente de nos livrar dessa miudagem que utiliza o palanque europeu para nos denegrir. O nosso papel na Europa, não sendo grande em euros, tem que ser relevante em ideias e se possível em ideal, porque este não se resume a uma amálgama de ideias, mas a uma sincronia de pensamentos positivos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-428017668698729692?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/428017668698729692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=428017668698729692' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/428017668698729692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/428017668698729692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/03/fracos-no-pais-fortes-numa-europa-sem.html' title='Fracos no País, fortes numa Europa sem Ideal'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3859057028898528346</id><published>2010-02-26T00:00:00.001Z</published><updated>2010-02-27T09:58:34.939Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nacional'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Falta uma roupagem nova aos políticos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Culpa da comunicação social, importância efectiva, efeito acumulado do nosso percurso colectivo e da sua confrontação com o mundo global, pouco importa ao caso, a verdade é que a política assume hoje um papel quase obsessivo, papel que é preponderante em muitos meios sociais, é mesmo saturante, levando ao desconforto e ao tédio. Há quem crie expectativas excessivas em relação ao papel da política para ser maior a insatisfação. Prometerem-nos sermos um povo superior e põem-nos a rastejar.&lt;br /&gt;O problema é que todos os efeitos não estão isentos de causas, há sempre quem aponte motivos que hipoteticamente teriam levado a uma dada situação e espera ganhar só por esse facto. Mesmo quando se não consegue convencer ninguém, a simples indiferença que se possa criar vai decerto beneficiar alguém. Por esta razão em política se pensa sempre em ganho ou perca que pode resultar de um facto, de um conflito, de uma intervenção.&lt;br /&gt; A questão da indiferença é hoje só por si motivo de muita preocupação. Quando se pensa que a indiferença pode resultar de um excesso de conflitualidade política pode-se também concluir que há falta de um apelo forte e expressivo para recuperar velhos propósitos. Só que a expectativa de um apelo destes não pode ser acrítica em relação à sua natureza. É este facto que nos faz estar mais descansados sobre as capacidades da população para decidir num processo democrático. É melhor conformarmo-nos sem nos penalizarmos em excesso.&lt;br /&gt;Independentemente da nossa maior ou menor participação política é bom que a política nos toque. Ninguém deve poder dizer que é por cobardia que estamos calados, quietos e surdos. Do mesmo modo também não podemos ser acusados de ambição de protagonismo pelo simples facto de intervir. Noutra perspectiva se é bom não estarmos alheados, também será óptimo que não nos deixemos arrastar por apelos demagógicos.&lt;br /&gt;Que podemos estão nós fazer para sentir o interesse da política sem sermos submergidos pela catadupa de fogo cruzado que a toda a hora se dispara em todas as frentes? Se somos demasiado passivos não estamos preparados para intervir, sequer quando virmos os nossos interesses atingidos, só porque aí é mais natural a nossa reacção, quanto mais quando o País precisar da nossa intervenção efectiva, o que seria sempre bom que não fosse necessário.&lt;br /&gt;Se somos demasiado activos podemos empenhar-nos em causas que, arrastando também outros, nos colocam em confronto de interesses com eles e ficamos na dúvida de quais devemos defender, isto é, qual dos interesses deve prevalecer. Por esta razão os políticos se esforçam por estabelecer e tentar convencer os outros da existência de um interesse colectivo ao qual nos devemos conformar e fazer dele a justificação para as nossas opções.&lt;br /&gt;Partindo do princípio de que se pode estabelecer esse interesse colectivo para muitas vozes só fica a escolha de quem melhor o representará. É a velha discussão sobre nomes, aqui e ali ponteada com hipotéticas valores que uns e outros representarão, uns pretensamente validados, outros não. As máquinas de propaganda nisto se empenharão, na adequação dos valores e das figuras ao que se consegue pôr em confronto numa específica ocasião.&lt;br /&gt;Toda a discussão que passa por nomes é profundamente redutora, mas efectivamente, perante a ignorância que muitas pessoas reconhecem ter da política, continua a ser o factor mais preponderante. Também a informação em geral perdeu as ilusões de ser formadora e enveredou por este caminho muito mais fácil e que pode assumir contornos mais picantes, mais atractivos para o perfil pecaminoso das personalidades dominantes.&lt;br /&gt;Também o perfil das pessoas que ocupam o campo mediático nos dirá algo sobre os caminhos que a política segue a cada momento. O facto de hoje esse palco estar a ser reocupado por homens do direito só nos revela a falência dos homens da economia em dirigir a sociedade. Enquanto os homens da economia não repensarem e reescreverem a sua intervenção política teremos toda a espécie de verbalistas a ocupar o campo mediático. Destacar-se-ão, pela sua capacidade de manipulação entre a verdade nas suas várias vertentes e a mentira nas suas várias roupagens, os homens do direito.&lt;br /&gt;Do que poucos se terão apercebido é que esta crise pôs a descoberto que o poder já não possui recursos para lhe fazer frente, nem sequer para sustentar o seu manto diáfano. Os políticos ainda se arrogam o poder de serem actores de papéis grandiosos, mas que já não pertencem aos enredos de hoje. Perdido muito do poder soberano, os papéis políticos tem que ser reescritos. Qualquer demagogo é hoje mais caricato do que o seria há trinta anos porque hoje nunca terá o poder de então. A Europa levou-o.&lt;br /&gt;Sejam da direita ou da esquerda os políticos não querem reconhecer a sua pouca valia. Não procuram papéis para o domínio em que os possam desempenhar a contento. O esquerdista é um gigantone com pés de chumbo, não tem mobilidade, enrodilha-se em velhos princípios, faz luta de classes sem classes, empastela-se na verborreia clássica já sem sentido. O direitista ainda pretende ser o que se reporta em retratos doutros tempos, mas não pode ser senão um rei sem trono, um comandante sem tropas, um pregador sem Evangelho.&lt;br /&gt; Hoje os centros de decisão já não fazem de nós senão receptores da sua vontade. Perdemos o poder e não sabemos sequer para onde ele foi. Teríamos que pensar mais vasto e longínquo e só nos dão o papel de jardineiros neste canto da Europa. Incrivelmente o problema de hoje não é o de saber, mas de papel. Nem se trata de substituir pessoas, mas pô-las a desempenhar papéis reais. Que fazer?&lt;br /&gt;Aos pensadores será dado pensar e aos políticos deixarem-se de assumir papéis caricatos de tiranetes de pacotilha que se afirmem capazes de pôr tudo em ordem em pouco tempo. Os políticos não serão mais respeitados enquanto não vestirem uma roupagem apropriada ao papel mais modesto que hoje podem desempenhar. Sejam de direita ou esquerda, enquanto o povo acha despropositada a distância entre vestimenta e função, rir-se-á do seu ridículo. Uns mais ridículos que outros, é certo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3859057028898528346?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3859057028898528346/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3859057028898528346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3859057028898528346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3859057028898528346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/02/falta-uma-roupagem-nova-aos-politicos.html' title='Falta uma roupagem nova aos políticos'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-3499533581080582513</id><published>2010-02-19T00:00:00.000Z</published><updated>2010-02-18T21:01:17.948Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pessoal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>Longa vida ao “Cardeal”!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;O futuro é uma incógnita, mas quem tem um passado como o “Cardeal” pode estar descansado que, por maiores mudanças que aquele nos imponha, mesmo que venha a ser inevitável o fim do Jornal um dia, terá cumprido a sua função de um modo exemplar e único. Que esse tal dia venha longe, mas temos que estar precavidos pois toda a imprensa escrita vive hoje momentos difíceis perante as alternativas tecnológicas. Também há quem diga que os novos modos de vida se não compadecem com este tipo de comunicação. Todos vamos aprendendo que nada é eterno. A morrer há que fazê-lo de cabeça levantada. Mas que venha bem longe esse dia.&lt;br /&gt;Permitam-me recordar o que escrevi há um ano:&lt;br /&gt;“Um Jornal que percorre três gerações, quatro regimes políticos e as vicissitudes várias destes, é decerto uma Fortaleza. Tal como um ser humano, sofreu incompreensões, ingratidões, talvez agressões, poucas ajudas e resistiu. Sensível ao tempo, como se impõe a um órgão de imprensa, manteve a espinha dorsal desde a génese pela mão de Avelino Guimarães até aos dias de hoje sob a direcção do seu neto.&lt;br /&gt;O Cardeal Saraiva, nome invulgar para um jornal, mas homenagem a um grande vulto do liberalismo, é a afirmação semanal de uma pujança, de uma perseverança mas também de uma temperança que a idade lhe faculta. Semanalmente o jornal fala por si, dá sinal do seu tempo, ecoa nos vales do Minho e em terras de emigração, liga elementos dispersos com raízes comuns.” Cito.&lt;br /&gt;Cem anos de vida falam por si. Num jornal o que conta é o conteúdo, as relações que ele cria, as fidelidades que ele consegue. Se algumas pessoas perderam este vínculo porque acharam que o jornal deveria ter seguido um caminho mais do seu agrado só prova que o jornal se não deixou manipular. Como quase genericamente se tem dado a um Jornal de tipo Regional um nome que o identifique directamente com uma região, este perderá alguma visibilidade nas bancas, mas não será por isso que não executa a sua missão.&lt;br /&gt;“O Cardeal Saraiva não é um jornal regionalista, característica que o distingue de um outro tipo de tradição. Abordando sempre a temática local com uma visão actual permite-se olhar outros temas, aquilo que, sendo de todos, também é nosso, aquilo que é nacional, internacional ou que não tem mesmo local determinado porque acontece em todo o lado.” Cito.&lt;br /&gt;A intenção dos fundadores seria de que este fosse um jornal de ideias, mas Jornal Imparcial, como era bom salientar numa altura em que a decrépita Monarquia estava para cair e se aproximava um regime novo, a República que era uma esperança, mas também uma incógnita. O Cardeal Saraiva conseguiu manter, através de colaboradores da região, mas também do País, uma certa tradição de debate de ideias, que era o cerne da maioria dos jornais daquela época.&lt;br /&gt;No entanto a escolha do nome permite colocar o Cardeal Saraiva dum lado da barricada. Sendo o seu patrono uma figura incontornável no que se refere, não só à introdução das ideias liberais no País, mas também em as pôr em prática, porque a acção do nosso Cardeal foi muito mais importante que a sua produção teórica na defesa das suas ideias. Aliás a melhor defesa de quaisquer ideias é mesmo conseguir que elas sejam colocadas no terreno.&lt;br /&gt;Julgo que o Cardeal Saraiva é a prova de que em Ponte de Lima se pensa. Mas se aqueles que fazem, que são empreendedores, aqueles que se dedicam ao serviço público, sistematicamente realçam que a sua obra é o mais importante porque se repercute no futuro, também quem escreve tem de ter a noção de que é fundamental escrever para o futuro. Mesmo quando se fala do passado, tentamos fazê-lo para memória futura. Mesmo que o passado venha a ser interpretado de uma outra maneira, é importante que o nosso testemunho fique.&lt;br /&gt;Pensamento ou simples relato dum facto ainda é nestas páginas impressas que se faz jornalismo do mais digno. Que o “Cardeal” viva por muitos anos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-3499533581080582513?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/3499533581080582513/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=3499533581080582513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3499533581080582513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/3499533581080582513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/02/longa-vida-ao-cardeal.html' title='Longa vida ao “Cardeal”!'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-5815483709331654030</id><published>2010-02-05T00:00:00.000Z</published><updated>2010-02-18T21:01:37.216Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Europa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>O drama de vermos o inimigo entre nós</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A subsistência é um problema que historicamente nos opôs uns aos outros. Hoje essa luta está bastante reduzida e a maioria da humanidade ocupa-se mais com a luta de ideias. Estas são igualmente poderosas, dão muitas vezes às pessoas uma força igual à daquela luta pela sobrevivência. As ideias provocam igualmente choques, divergências e também convergências, alianças e também desentendimentos que se podem tornar graves e permanentes.&lt;br /&gt;Aceitar a existência de outrem com ideias claramente divergentes das nossas não tem sido tarefa fácil. Tem mesmo havido várias tentativas em sentido contrário, para que se formem sociedades em que as ideias de todos convirjam para um mesmo fim. O seu fracasso tem sido doloroso. Terá sido por falta de clareza das ideias de quem lidera esse esforço de convergência que ele fracassa? Será dos métodos utilizados? Embora estas questões sejam pertinentes, pensamos que é natural que o problema seja mesmo insolúvel, por residir na própria natureza das coisas. Mesmo determinar aquilo em que devemos ser iguais e aquilo em que é normal e até bom sermos diferentes é difícil.&lt;br /&gt;As sociedades são dominadas por forças antagónicas. Quando uns governam os outros submetem-se com mais ou menos docilidade a esse domínio. Quando uns são preponderantes, outros tudo fazem para inverter essa situação e para não cair na alçada dum domínio mais nefasto. Numa sociedade livre há uma certa contenção nos métodos, mas nem todos eles serão claros. A agressividade é mais ou menos contida, porque normalmente os velhos impulsos são sublimados e a contenda fica-se pela simples verbosidade. Mas a divergência e mesmo a animosidade estão latentes.&lt;br /&gt;As regras sociais nem sempre são suficientes para conter esta animosidade. Ela ainda hoje se despoleta mais facilmente quando há grupos raciais com interesses conflituantes porque os estilos de vida se não interligam. Aí os avanços que tenham sido feitos na socialização parecem cair por terra e os velhos impulsos agressivos tomam conta da questão. Felizmente nas sociedades mais mescladas e com um tecido social mais homogéneo esse tipo de conflito já não surge. Mas é mesmo difícil diluir certas diferenças históricas.&lt;br /&gt;O século passado foi pródigo quanto a violência social. Desta destacou-se como perfeitamente excessiva a violência patrocinada pelos dirigentes dos Estados. E desta podemos salientar a violência racial e a violência ideológica. Nunca antes tinha havido uma violência tão sistemática, aplicada de modo imediato, sem grandes justificações prévias, por razões de natureza política, até só por simples suspeitas, dificilmente confirmáveis, de divergências e infidelidades de grupos sociais e estruturas do Estado.&lt;br /&gt;Violência sempre houve, mas no século vinte atingiu-se nesse domínio requintes de malvadez. Domínios de território, construção de impérios, divergências religiosas levaram a confrontos frontais, uns mais leais do que outros, mas que situavam os opositores em campos diferentes e cujo desfecho levava a êxodos, escravatura, dependência. Sempre houve quem pusesse a máquina do Estado a trucidar opositores, mas não havia equívocos, digamos que estes eram violentados como um dos desfechos possíveis de um divergência histórica.&lt;br /&gt;No século vinte mataram-se os nossos, aqueles que estavam do mesmo lado, que podiam não concordar com certas orientações do Estado, mas nele se integravam perfeitamente. Só o medo dos que ambicionavam dominar levou a considerar esses divergentes como inimigos. Nunca antes o inimigo tinha assim sido colocado no nosso meio. E quando assim se pensa já não é um cérebro saudável, é uma larga aversão social que se expande. Já não é um só indivíduo que assim pensa, é uma patologia social a que um indivíduo dá corpo.&lt;br /&gt;Se o inimigo está entre nós, se está misturado na sociedade, só temos uma solução para nos vermos livres dele antes que ele se queira ver livre de nós ou continuar a explorar-nos, é acabar com eles. Mas para que alguém assim pense é necessário que declaremos um dos nossos como nosso inimigo. Assim procederam Estaline e Hitler. Ambos porque viam obstáculos nos seus concidadãos para pôr em prática o conceito de Pátria que os animava.&lt;br /&gt;Hitler acusava os judeus de terem muitos rendimentos e não os colocarem ao serviço do País, assim como acusava outras minorias de não serem produtivas. Estaline acusava qualquer um de que suspeitasse de não estar de alma e coração consigo. Ambos faziam da existência de inimigos externos a razão para as suas razias internas, para a necessidade de cimentar o poder interno, baseado no terror e perseguição. Antes dividiam o seu povo numa parte boa e noutra má, lançando a suspeita e a desconfiança, a denúncia e a vingança permanentes.&lt;br /&gt;A identificação do inimigo era tarefa para todos os delatores. As raças que Hitler começou por anatematizar foram quase totalmente exterminadas. Os dirigentes ou outros cidadãos que pudessem sobressair com capacidade de se oporem à política totalitária de Estaline seguiam o caminho da vala comum ou da Sibéria. A dificuldade de identificar os inimigos que estavam entre eles nunca foi problema para estes ditadores porque o excesso nunca os incomodou. Interessava-lhes incutir o medo e através deste obter domínio absoluto.&lt;br /&gt;Passados anos destes dramas chegamos à conclusão de que a experiência ajudou a Humanidade a perceber que esta postura de encontrar inimigos no nosso meio dá origem a efeitos mais perversos do que os que esperaríamos. A nossa tradição cultural levou-nos infelizmente aos acontecimentos dos loucos anos trinta do século passado. Contribuir para uma postura diferente de aceitação da divergência e de ver no vizinho um irmão é o melhor contributo que podemos dar à Humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-5815483709331654030?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/5815483709331654030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=5815483709331654030' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5815483709331654030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/5815483709331654030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/02/o-drama-de-vermos-o-inimigo-entre-nos.html' title='O drama de vermos o inimigo entre nós'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-1119725456851539036</id><published>2010-01-29T00:00:00.001Z</published><updated>2010-01-28T21:56:44.879Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>A corrupção é um custo da concorrência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A livre concorrência é patrocinada por uma ideologia, o liberalismo. Este é uma doutrina que extravasa o domínio económico pelo que a livre concorrência pode ser vista como um aspecto sectorial do liberalismo e não o mais importante. Reduzir o liberalismo à economia é atrofiá-lo. Mas o seu aspecto político também é só uma das perspectivas a ter em conta. De qualquer modo é impossível que haja liberdade com planeamento económico central e economia estatal. Por outro lado a liberdade pode sobreviver mesmo com uma economia mais orientada.&lt;br /&gt;Na economia mercantil a concorrência é vital. Mais difícil do que produzir é vender, o que leva inevitavelmente à concorrência. Deparamos com ela como a invasão de artigos vindos de todo o mundo, a nível interno como um obstáculo que muitos tentam ultrapassar socorrendo-se da corrupção. A concorrência só seria anulável se a economia fosse totalmente planificada e se o exterior aceitasse vender nas condições impostas pelo comprador.&lt;br /&gt;A concorrência pode ter pois duas vertentes: Uma interior e outra externa. Em relação ao exterior essa concorrência sempre foi entendida como benéfica nas condições em que era exercida até há uns anos atrás: Havia condicionantes que eram introduzidas nessa concorrência e a limitavam, a impediam mesmo em alguns casos. Mas esses impedimentos foram sendo afastados: Contingentações, barreiras alfandegárias, taxas suplementares, desvalorização da moeda.&lt;br /&gt;Antes podíamos lidar com a concorrência exterior segundo a nossa capacidade competitiva. Se não conseguíamos concorrer livremente levantávamos uma daquelas barreiras. Se suplantávamos sem apoio a concorrência exterior nada precisávamos de fazer. Mas se havia um certo equilíbrio tudo dependia da política do Governo e inclusive de acordos internacionais. Duas atitudes de princípio podiam ser assumidas: Ou considerar a concorrência exterior benéfica ou prejudicial para o sector produtivo nacional e agir em conformidade.&lt;br /&gt;Hoje não há barreiras externas, embora haja países que a isso se comprometerem, mas que, diz-se, conseguem ir impedindo de modo indirecto uma concorrência absoluta. O grande problema é constituído pelas condições em que cada país produz, os apoios estatais, os direitos dos trabalhadores, inclusive a sua segurança social. No entanto tudo leva a crer que este tipo de economia globalizada é irreversível, só nos resta lamentar, se for caso disso, que assim seja.&lt;br /&gt;No geral achamos a concorrência, a interna e a externa, benéfica para fazer baixar os preços de bens e serviços que as empresas nos prestam. É com esta premissa que os Estados fecharam os olhos à concorrência exterior em domínios em que isso constituiu a morte de sectores inteiros das economias nacionais. Os baixos preços, mesmo que escondam muita iniquidade pesam mais. Não existe uma economia de mercado global sujeita às mesmas regras da concorrência.&lt;br /&gt;Mesmo dentro da Comunidade Europeia a livre concorrência não funciona plenamente, mas também há quem entenda que deve haver aspectos da economia devidamente regulamentados em que ela não deve existir por pôr em causa ao trabalho nacional. A obrigatoriedade da abertura de concursos internacionais para o fornecimento de certos bens e serviços defende a concorrência, mas pode põe em causa todo um sector da produção nacional.&lt;br /&gt;Em resumo a livre concorrência exterior corresponde a uma perca de soberania, no sentido em que nós a entendíamos, para quem pode não cumprir as mesmas regras. Só que a abertura da economia ao mercado global é também uma questão política.&lt;br /&gt;A concorrência interna não resolve todos os problemas de eficiência, produtividade, igualdade de oportunidades e preços justos. Tem implicações na área laboral, de justiça e outras e é condicionada por um fenómeno apelativo que é a corrupção. A capacidade de o Estado poder garantir uma concorrência salutar, de não deixar que ela seja corrompida pela corrupção, depende da sua organização e da vontade política dos seus dirigentes. Além disso quando o Estado tem capacidade de intervenção na economia, pelo menos em termos de orientação, as suas intervenções podem ser confundidas com o resultado de actos de corrupção.&lt;br /&gt;A suspeita só terminaria se o Estado se demitisse de ter uma intervenção incentivadora, protectora ou qualquer outra. Para obter a máxima eficiência e garantir os preços mínimos para a produção o Estado não pode ser suspeito de favorecimento, tem que optar pela livre concorrência e pela livre fixação dos preços, pela economia de mercado. E qual deve ser a atitude do Estado quando houver abusos evidentes, conluios entre quem devia ser concorrente? Terá sempre que haver alguma regulamentação e a penalização de quem a não cumprir. Também não podemos ser tão liberais que achemos como alguns que a corrupção faz parte do jogo livre só porque qualquer um pode recorrer a ela.&lt;br /&gt;A corrupção aumenta o custo de produção de todos os bens e como tal é um entrave ao desenvolvimento económico. Se o valor pago na corrupção não poder ser transferido para os bens que a empresa produz então pode estar a suportar um custo que não lhe vai permitir investir em desenvolvimento e em última instância a vai colocar em desvantagem no futuro. Mesmo assim muitos recorrem à corrupção, chegam mesmo a investir forte no aprisionamento do Estado, como cliente ou como fiscalizador dos actos de corrupção.&lt;br /&gt;Onde a concorrência é mais distorcida é nas relações com o Estado como cliente e até como fornecedor. Aquele que devia ser árbitro nas relações entre particulares dificilmente o pode ser nas suas próprias relações com os mesmos. Qualquer injustiça que o Estado cometa, qualquer atentado à livre concorrência dificilmente será corrigida/o. Por isso o grande investimento que os grandes grupos económicos fazem em tentativas destas de apropriação do Estado. Sendo o Estado um bom pagador, todos querem trabalhar para ele e recorrem para isso a todos os expedientes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5730560095821140533-1119725456851539036?l=trigalfa-publicado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/feeds/1119725456851539036/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5730560095821140533&amp;postID=1119725456851539036' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1119725456851539036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5730560095821140533/posts/default/1119725456851539036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trigalfa-publicado.blogspot.com/2010/01/corrupcao-e-um-custo-da-concorrencia.html' title='A corrupção é um custo da concorrência'/><author><name>trigalfa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00220026773376734255</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_vvsDNKh2Wqk/SKbJ32eSFxI/AAAAAAAAAh0/wsFi7qVti1I/S220/Big+Man3.jpeg.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5730560095821140533.post-8447067376382496402</id><published>2010-01-22T00:00:00.000Z</published><updated>2010-01-21T23:08:22.003Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Justiça'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cardeal Saraiva'/><title type='text'>A insegurança ameaça-nos a cada instante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;A fácil mobilidade das pessoas, a rápida difusão da informação, a simplicidade com que se imitam comportamentos, se copiam modelos, a ansiedade geral de viver a qualquer preço, tudo leva a que muitos fenómenos outrora analisados pelas suas características locais, tem que ser agora vistos a um nível cada vez mais global. Já todos descobrimos que a todos os níveis tudo que acontece em Lisboa pode acontecer em Ponte de Lima.&lt;br /&gt;No entanto temos de estar alerta para que este modo de ver não seja utilizado como desculpabilização, quando se nos deparam respostas como “se em todos os locais é assim, porque é que aqui há-de ser diferente?” ou então “se outros com mais meios não resolvem o problema, vamos nós resolvê-lo agora?”. Se estamos à espera que outros encontrem soluções para tudo e depois nos as forneçam devidamente formatadas estamos mal.&lt;br /&gt;Reduzamos a economia do discurso à segurança, questão em que facilmente nos confrontam com a afirmação de que Ponte de Lima não há-de ser diferente doutras vilas idênticas com meios semelhantes. Uns até dirão que se manifestarmos receio pela insegurança isso até será um atractivo para a criminalidade. Mas isto é uma falsa questão. Não podemos fechar os olhos, a realidade deve ser encarada de frente.&lt;br /&gt;Em Ponte de Lima já confluem criminalidades distintas. Uma endógena, reforçada com elementos que cá se estabeleceram, que é chamada de pequena delinquência, que causa prejuízos e incomoda, mas a qual os poderes públicos têm tendência para menosprezar. Outra esporádica, praticada por grupos de âmbito regional, com selecção de alvos específicos visados em vagas sucessivas e com actuação profissional. Mais esporadicamente terá actuado em Ponte de Lima algum grupo de âmbito nacional ou internacional, mas as evidências não são seguras.&lt;br /&gt;Este tipo de violência grupal especializada deveria ter uma resposta a nível local, mas nas actuais circunstâncias ela teria que ser mais preventiva que actuante. A procura do confronto directo nestes casos implicaria meios de que as forças locais não dispõem com os níveis de segurança próprios exigíveis. A solução deste tipo de criminalidade passa mais pela polícia científica, pelo uso de meios tecnológicos que deveriam estar ao dispor da polícia para este exclusivo fim e não para devassar a vida alheia. A vídeo vigilância não tem sido eficaz.&lt;br /&gt;Já a pequena delinquência só pode ser tratada pelos elementos da polícia local e claro por alguém do sistema judicial que lhe deveria dar instruções, cobertura e seguimento. E, como é evidente, do sistema social que, no geral, já enquadra a maioria dos pequenos delinquentes, mas que falha redondamente na sua resocialização. Só aqui já temos dois aspectos do problema que entroncam no âmbito nacional e que só terão soluções perspectivando o problema a esse nível, mas que terão que ser implementadas por quem está no local.&lt;br /&gt;Tem que haver na confluência dos aparelhos policiais e judiciais algum organismo que não esteja enredado à fase processual, antes acompanhe este particular fenómeno de pequena delinquência, com capacidade de orientação, dando cobertura legal e assegurando o controle até à obtenção de resultados positivos. Tem de haver no sistema social uma solução específica para estes delinquentes, mais apertada que o apoio social normal, que acompanhe mais e crie incentivos à reorientação dos grupos sociais em que estão integrados. Valeria a pena apostar numa recuperação colectiva.&lt;br /&gt;À polícia impõe-se que seja o braço armado dessa política de prevenção, perseguição e resocialização dos elementos envolvidos na delinquência. Mas que polícia? Decerto não a que temos hoje. Em Ponte de Lima imponha-se em primeiro lugar uma continuidade no território policial, uma só força responsável por todo o território, que não há qualquer vantagem em ter em parte da zona urbana uma força policial própria e concentrada e no restante um força excessivamente diluída.&lt;br /&gt;Falando de corporações tudo leva a crer que a dita urbana está a perder nitidamente qualidade em relação à dita rural. Os agentes urbanos dedicam-se essencialmente a mesquinhas questões de trânsito e estacionamento s
